
Uma intensa troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes se estendeu por todo o dia da prisão do dono do Banco Master pela Polícia Federal, em novembro do ano passado.
Dados obtidos no celular do executivo – apreendido com ele no momento da prisão – mostram que o banqueiro prestava contas ao ministro do Supremo Tribunal Federal sobre o avanço das negociações para a venda do Banco Master.
Eles sugerem também que Vorcaro falou sobre o inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e que acabou levando à detenção dele.
Em uma das mensagens de WhatsApp, Vorcaro perguntou se o ministro – abre aspas – conseguiu bloquear – fecha aspas. A suspeita é de que a expressão tenha sido usada para se referir ao pedido de prisão.
A informação é da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo o documento da Polícia Federal, Moraes respondeu, mas com mensagens no estilo visualização única.
O gabinete do ministro informou que ele ‘não recebeu as mensagens’ e que a reportagem é uma ‘ilação mentirosa’ para atacar a Suprema Corte.
Conversas interceptadas pela PF e enviadas à CPMI do INSS também mostram que Daniel Vorcaro tinha relação com políticos do Centrão e sugerem encontros com os presidentes da Câmara, do Senado e da República.
Ele também fez menções ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de idiota. As mensagens mostram que Vorcaro comemorou a eleição de Hugo Motta para a presidência da Câmara.
Em março do ano passado, ele relatou à então namorada que Motta e Ciro, uma possível referência ao senador do PP, estavam na casa dele para falar com Alexandre. A suspeita é de que seja Moraes, o ministro do STF.
Ele ainda mencionou encontro com o presidente Lula na presença de ministros e de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Quanto a Davi Alcolumbre, presidente do Senado, Vorcaro relatou à namorada que foi sem avisar à residência oficial.
Motta e Alcolumbre não se manifestaram.
Ontem, o ministro André Mendonça autorizou a transferência de Vorcaro para o presídio de segurança máxima de Brasília.
O banqueiro está na Penitenciária Dois de Potim, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. O empresário Fabiano Zettel, cunhado dele, também foi transferido para a mesma unidade.
Já Luiz Phillipi Mourão, também investigado no caso do Banco Master, está em estado grave no CTI do Hospital João 23, em Belo Horizonte. A informação foi repassada pelo advogado dele, Robson Luiz.
Segundo a Polícia Federal, ‘Sicário’, como é conhecido Luiz Phillipi, atentou contra a própria vida após ser preso na quarta-feira. Ele estava na cela da sede da Superintendência da PF, aguardando transferência, quando foi encontrado desacordado.
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido e informou que as imagens das câmeras de monitoramento da cela foram encaminhadas ao ministro do STF André Mendonça.
Em entrevista ao Jornal Nacional, o superintendente da Polícia Federal, Richard Macedo, disse que as imagens mostram toda a dinâmica da ação de Sicário.
O advogado Robson Luiz, que representa o investigado, confirmou a versão da PF, mas lamentou a demora no socorro.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Luiz Phillipi era o coordenador de segurança do empresário Daniel Vorcaro. Ele é apontado como o responsável por intimidar desafetos do banqueiro.




