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Partido de Paes quer que sede do governo estadual seja transferida para o prédio da Central do Brasil

O edifício, em estilo art déco, está com quase todos os andares vazios desde a saída da Seap. A proposta vai na mesma direção dos projetos de reativação do Centro do Rio liderados pelo prefeito

O PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, já definiu um dos pontos centrais de seu programa para a disputa ao governo do estado no ano que vem. A ideia da turma é transferir a sede da administração estadual do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, para o Edifício D. Pedro II, atual sede da Central do Brasil.

A mudança, segundo informações da jornalista Berenice Seara, faz parte de um plano para revitalizar o Centro do Rio — uma das atenções primárias do governo de Paes — e dar novo destino a um dos prédios mais emblemáticos da construção civil do Rio, que hoje tem grande parte de seus 28 andares desocupados.

O edifício, em estilo art déco — traço mais marcante da arquitetura carioca —, foi inaugurado em 1943 e chegou a ser o mais alto da América do Sul, com 134 metros de altura. A torre com o grande relógio de quatro faces, com ponteiros que pesam cerca de 270 quilos, continua sendo um dos marcos do Centro. Foi construído para abrigar a sede da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Instalações e antiga sede da Seap

A proposta do PSD — que, caso não lance candidato próprio, exigirá o compromisso com a transferência para firmar aliança — prevê instalar no local o gabinete do governador e as principais secretarias. A expectativa é que o movimento gere reflexos positivos na segurança, na ordem pública e no comércio, especialmente nos bares e restaurantes do entorno.

A enorme torre está quase completamente vazia. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), que ocupou o imóvel por duas décadas, deixou o endereço há dois meses e levou suas estruturas para a Avenida Presidente Vargas. Desde então, apenas poucos órgãos permanecem no local.

O governador Cláudio Castro (PL), inclusive, delegou à subsecretaria de Gestão Administrativa e Patrimonial da Casa Civil a administração provisória do Edifício D. Pedro II “enquanto estiver desocupado e sem destinação definida”.

Possíveis custos da transferência

Os custos de manutenção não são baixos. Quando a Seap ainda estava instalada no edifício, o contrato anual chegava a R$ 5 milhões. Para torná-lo novamente utilizável, seriam necessários investimentos consideráveis: o retrofit dos elevadores foi orçado em R$ 3,3 milhões; a restauração das fachadas, em R$ 3,9 milhões; e a impermeabilização, em R$ 3,4 milhões. Além disso, para adequar o prédio ao novo Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Coscip), editado em 2022, o gasto estimado seria de cerca de R$ 20 milhões.

Antigo projeto de modernização

Antigo projeto apresentado pela Prefeitura e o Governo do Estado

Essa não foi a primeira tentativa de revitalizar a área. Em 2018, o então governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Marcelo Crivella apresentaram um projeto de R$ 300 milhões para transformar o complexo de prédios em um grande polo de integração de transportes, com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento. O plano previa um shopping popular, a chegada do BRT Transbrasil até a estação, nova saída para o metrô e a reformulação do Campo de Santana.

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