
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos deve custar até R$ 175 bilhões ao Brasil, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Um estudo da entidade projeta retração de 1,49% no Produto Interno Bruto (PIB) e perda de mais de 1,3 milhão de empregos, caso a medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, seja mantida.
“Os Estados Unidos são um parceiro tradicional do Brasil. Do ponto de vista geográfico, faz todo sentido que nossas economias mantenham um fluxo de comércio ativo e complementar e, no nosso entendimento, ambos os países perdem muito com a medida”, destacou o presidente da entidade, Flávio Roscoe.
A federação considera que o governo brasileiro deve atuar com firmeza, mas por meio do diálogo diplomático, para evitar a aplicação das tarifas, proteger os empregos e salvaguardar a competitividade da indústria nacional. “Responder com a mesma moeda pode gerar efeitos inflacionários no Brasil, por isso, o caminho mais inteligente é a diplomacia”, alertou Roscoe.
Setores vulneráveis
Setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio, a siderurgia e a indústria de transformação, estão entre os mais vulneráveis, por dependerem fortemente das exportações. Responsáveis por sustentar cadeias produtivas inteiras e por gerar milhões de empregos, esses segmentos podem sofrer retrações que não só afetariam a produção, mas também agravariam o desemprego em várias regiões do país.
Para as empresas que atuam nessas áreas, o cenário se tornaria ainda mais desafiador, com aumento de custos, perda de competitividade no mercado internacional e risco crescente de cancelamento de contratos e parcerias no exterior.
Theo Braga, CEO da SME The New Economy, destaca que o impacto sobre o PIB brasileiro pode alcançar cifras bilionárias, com efeitos que vão muito além da queda nas exportações. O cenário, de acordo com ele, escancara a vulnerabilidade da economia nacional frente a choques externos. “Retaliações comerciais podem soar como respostas firmes, mas geralmente geram mais incertezas do que resultados práticos, especialmente para quem empreende ou tenta crescer em um ambiente já instável”, alerta.
O aumento das tarifas eleva o custo dos insumos e reduz a oferta de produtos, pressionando a inflação e comprometendo o poder de compra das famílias. “O consumidor sente os efeitos por meio da inflação de custos, da retração do mercado e da alta do desemprego, sobretudo em setores que demandam muita mão de obra”, explica.




