
Essa é a proposta de “The Jury Experience: Morte pela IA: quem paga o preço?”, experiência teatral interativa apresentada pela Fever, que vem lotando sessões no Teatro Ribalta, na Barra da Tijuca. Com cerca de 1h30 de duração, o espetáculo transforma o palco em tribunal e a plateia, em parte decisiva da narrativa.
Logo no início, os atores surgem no meio do público e caminham até o palco, dissolvendo qualquer barreira tradicional entre cena e audiência. Em cena, uma juíza, um promotor, uma advogada de defesa, um réu e uma testemunha — a viúva da vítima — conduzem um caso de negligência criminal envolvendo um carro autônomo. A pergunta central é direta e contemporânea: quando a tecnologia falha, quem deve ser responsabilizado?
O diferencial está na dinâmica. Munidos de celulares, os espectadores escaneiam um QR code que os direciona a uma plataforma de votação em tempo real. É ali que cada decisão é registrada: da aceitação de provas ao veredito final. O tribunal, como se diz em cena, é regido por dois juízes — o do palco e o da plateia.
Após as exposições iniciais, uma primeira votação mede a percepção do público sobre a culpa ou inocência do réu. Ao longo da peça, novos depoimentos são apresentados, evidências são discutidas e o público é convidado a deliberar, inclusive trocando impressões com desconhecidos ao redor. O ambiente, por vezes, se assemelha a um experimento social: convicções são testadas, opiniões mudam, e o consenso nem sempre é simples.
A encenação aposta em interpretações sólidas, com destaque para o réu e a testemunha, que sustentam a tensão dramática. Os personagens, com nomes tipicamente americanos, reforçam um certo distanciamento, estratégia que, segundo a direção, ajuda o público a refletir com mais isenção.
“O maior desafio foi manter a força dos argumentos dos dois lados, sem tomar partido desde o início”, afirma Patrick Sampaio, diretor do espetáculo no Brasil. “A ideia é justamente permitir que o público construa sua própria visão.”
A montagem faz parte de uma turnê itinerante, que ocupa diferentes teatros a cada fim de semana, com ingressos em torno de R$ 100. Segundo Sampaio, há atualmente três casos em circulação no país, cada um com sua própria jornada narrativa. Um deles, inclusive, traz elementos mais localizados, como referências culturais brasileiras.
“Existe uma adaptação, mas o roteiro circula em várias cidades do mundo. Esse distanciamento também ajuda o público a analisar o caso de forma mais equilibrada”, explica.
Criado pela Fever, plataforma presente em mais de 40 países, o projeto segue a proposta de democratizar o acesso à cultura por meio de formatos inovadores. Aqui, essa inovação se traduz em engajamento direto: não há duas sessões iguais, já que o desfecho depende das decisões coletivas.
Ao final, todos se levantam novamente. O veredito é anunciado. A reação vem em aplausos. Não apenas para os atores, mas para a própria experiência compartilhada.
Em tempos de consumo rápido e disperso de entretenimento, “The Jury Experience” aposta no contrário: atenção, participação e debate. E mostra que, quando o público deixa de apenas assistir e passa a decidir, o teatro ganha um novo fôlego. Mais interativo, mais provocador e, sobretudo, mais vivo.
Serviço – Compra de ingressos:
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