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PF investiga ex-governador Mauro Mendes e deputado Fábio Garcia por suposto desvio de R$ 308 milhões em MT

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões relacionado a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia. O principal alvo é o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).

Ao todo, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. A ação também tem como alvos o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), indicado como vice na chapa à reeleição do governador Otaviano Pivetta, o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda.

As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens de até R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Investigação

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de que um acordo firmado entre o governo estadual e a operadora Oi S.A., para a restituição de valores referentes a uma disputa tributária envolvendo ICMS, teria sido utilizado para desviar recursos públicos.

De acordo com a apuração, a movimentação financeira teria ocorrido por meio de uma estrutura formada por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, com o objetivo de ocultar a origem, a movimentação e o destino dos valores.

Os investigados poderão responder, em tese, por crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. A PF informou que as investigações continuam e que novas infrações poderão ser identificadas ao longo da apuração.

Acordo de R$ 308 milhões

O caso tem origem em um acordo celebrado entre a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) e a operadora Oi S.A., homologado pela Justiça em agosto de 2025.

O entendimento encerrou uma disputa judicial iniciada em 2009 sobre cobrança de ICMS. Embora a dívida inicial do Estado com a empresa fosse estimada em R$ 690 milhões, as partes chegaram a um acordo para o pagamento de R$ 308 milhões.

Na época, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou investigação para apurar a destinação dos recursos e verificar a existência de possíveis beneficiários ligados ao então governador Mauro Mendes.

Defesas

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso afirmou que confia nas investigações da Polícia Federal, informou que irá colaborar com as autoridades e disse acreditar que os fatos serão totalmente esclarecidos.

O desembargador Ricardo Almeida declarou que a apuração se refere à sua atuação como advogado antes de ingressar na magistratura e afirmou que não foi alvo de busca e apreensão, mas apenas da retenção do passaporte.

Já a defesa de Ulisses Rabaneda informou que os fatos investigados dizem respeito exclusivamente ao período em que ele atuava como advogado, antes de assumir o cargo de conselheiro do CNJ.

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