Polícia

Operação Trinus: Polícias Civil e Militar realizam ofensiva contra estrutura criminosa do TCP no Complexo da Maré


As Polícias Civil e Militar deflagraram, nesta quarta-feira (10/06), a “Operação Trinus”, uma das maiores ofensivas já realizadas contra a facção criminosa Terceiro Comando Puro, que atua no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. A ação, baseada em diversas investigações da 21ª DP (Bonsucesso), cumpre diversos mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa envolvidos em uma série de delitos que vão muito além do tráfico de drogas.

A ofensiva mobiliza equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e policiais militares do Comando de Operação Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque.

A operação é resultado de meses de investigações realizadas pela 21ª DP, com a análise de dados, diligências de campo, além da arrecadação de provas documentais e depoimentos. O trabalho permitiu que os agentes identificassem uma complexa estrutura criminosa que explorava seis frentes de modalidades criminosas para financiar, fortalecer e expandir o domínio territorial da facção em comunidades da região.

A principal frente da investigação identificou um esquema estruturado de roubos de carga e lavagem de capitais. As apurações apontaram que criminosos ligados à facção realizavam ataques sistemáticos a caminhões e cargas que trafegavam pela Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela.

Outra frente das investigações também apontou que a facção exerce controle econômico sobre serviços essenciais dentro das comunidades, monopolizando atividades como venda de gás, fornecimento de água e acesso à internet.

A facção criminosa também utilizava baile funk dentro da Vila do João como ferramenta estratégica para o crime organizado. O local era utilizado para circulação de dinheiro, venda de produtos, fortalecimento da imagem das lideranças e escoamento dos produtos roubados. As apurações revelaram ainda registros de criminosos armados com fuzis durante o evento.

Os agentes da 21ª DP apuraram e identificaram também roubos e receptação de celulares. De acordo com os policiais civis, os assaltos não eram ações isoladas, mas parte de uma estrutura organizada pela facção. Os bandidos atuavam sob ordens diretas do responsável pelo gerenciamento operacional dos roubos da facção. Eles possuíam armas, motos e metas objetivas de arrecadação, exigindo um número determinado de aparelhos desbloqueados por roubo. As vítimas eram abordadas e coagidas por criminosos armados e deslocavam os celulares durante o assalto. A precificação era definida pela própria facção: aparelhos desbloqueados valiam até R$ 2,5 mil, enquanto aparelhos bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.

A análise de encomendas, movimentações financeiras e registros de entrega permitiu aos agentes mapear toda a cadeia criminosa, desde as lideranças que impõem regras rígidas sob pena de morte, integrantes com função de perímetro, os executores dos roubos nas vias públicas e até os receptadores que revendiam os produtos ilícitos.

Os policiais identificaram também uma frente relacionada à pornografia infantil. A investigação teve início a partir de denúncias que demonstravam a participação dos investigados em grupos digitais voltados à divulgação e troca de material de abuso sexual infantil. Os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens para trocar arquivos com pornografia infantil, incluindo vídeos com crianças e bebês em situações de abuso sexual explícito. Os arquivos identificados incluem material de extrema gravidade, com vítimas em diferentes faixas etárias, desde bebês com menos de um ano até adolescentes. Em um dos casos, os agentes identificaram ainda que um dos investigados marcava encontros com um adolescente de 13 anos, que já havia sido vítima de abuso por parte de um dos indivíduos.

Outra frente da operação está relacionada a um caso de violência doméstica ocorrido na Baixa do Sapateiro. Após agredir brutalmente uma mulher e descumprir as medidas protetivas, o criminoso passou a ser monitorado pelos agentes. No decorrer das diligências, surgiram informações sobre a posse de armas sem autorização legal.

A ação representa o retrato atual das facções criminosas que utilizam diferentes atividades ilícitas para ampliar seu poder econômico e territorial. Com a ação desta quarta, as equipes buscam enfraquecer toda a estrutura que sustenta financeiramente a organização criminosa.

 

 

Fonte https://www.policiacivil.rj.gov.br/news/16516

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