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Nova onda migratória leva milhares de pessoas a Ceuta e reforça tensão na fronteira entre Espanha e Marrocos

Cidade espanhola no norte da África registra chegada em massa de imigrantes, mortes durante a travessia e reforço militar na fronteira

A cidade autônoma de Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, voltou ao centro da crise migratória europeia após registrar a entrada de dezenas de milhares de imigrantes vindos do Marrocos nos últimos dias.

Segundo o Ministério do Interior da Espanha, mais de 49 mil migrantes chegaram à cidade em apenas 24 horas. Já o governo local estima que cerca de 60 mil pessoas tenham atravessado a fronteira desde o início da nova onda migratória.

A maioria dos recém-chegados é formada por jovens marroquinos, mas também há famílias inteiras e crianças. O aumento repentino do fluxo levou o governo espanhol a mobilizar tropas do Exército para reforçar a segurança na região.

Migrantes entram em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, vindos do Marrocos. — Foto: Antonio Sempere / AP

Migrantes entram em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, vindos do Marrocos. — Foto: Antonio Sempere / AP

Travessia deixou mortos

A travessia também provocou mortes. De acordo com o governo de Ceuta, pelo menos 34 pessoas morreram tentando chegar ao território espanhol. Os corpos foram resgatados pelas equipes de segurança no mar.

Grande parte dos migrantes entrou em Ceuta nadando ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal, que marca a fronteira entre Espanha e Marrocos. Outros tentaram acessar a cidade caminhando pelos espigões costeiros ou escalando as cercas que separam os dois territórios.

Os centros de acolhimento da cidade, que já operavam próximos da capacidade máxima, passaram a receber um número ainda maior de pessoas.

Por que Ceuta é estratégica?

Ceuta é uma cidade espanhola localizada no continente africano, às margens do Mar Mediterrâneo, próxima ao Estreito de Gibraltar.

Ao lado de Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre direta com a África. Por esse motivo, a cidade representa uma das principais portas de entrada para migrantes que buscam chegar ao território europeu.

Embora pertença à Espanha há séculos, Ceuta é reivindicada pelo Marrocos, o que mantém frequentes tensões diplomáticas entre os dois países.

Espanha reforça segurança

Diante da crise, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez enviou militares para apoiar a Guarda Civil e as forças policiais responsáveis pelo controle da fronteira.

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, também participou das ações, enquanto o governo anunciou o reforço da cooperação com o Marrocos para ampliar a fiscalização da fronteira e acelerar os processos legais de repatriação de migrantes.

União Europeia acompanha situação

A União Europeia declarou apoio às autoridades espanholas e informou que estuda ampliar a atuação da agência de controle de fronteiras Frontex para auxiliar no monitoramento da região.

Os migrantes que chegaram a Ceuta serão identificados pelas autoridades espanholas. Aqueles que solicitarem proteção internacional terão seus pedidos analisados, enquanto os demais poderão ser devolvidos ao Marrocos conforme acordos bilaterais e decisões judiciais.

Crise lembra episódio de 2021

A atual onda migratória é comparada à crise registrada em maio de 2021, quando cerca de 5 mil pessoas cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta em apenas um dia.

Na ocasião, o aumento do fluxo foi associado a um impasse diplomático entre Madri e Rabat após a Espanha receber para tratamento médico o líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental.

As autoridades espanholas investigam as causas da nova onda migratória. A principal hipótese é a atuação de redes criminosas especializadas no tráfico de pessoas, que teriam incentivado as travessias. Até o momento, não há indícios de participação do governo marroquino no episódio.

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