Após trocar beijos acalorados e abraços ostensivos em plena via pública, o casal abre a porta lateral da van Sprinter e se tranca no interior do utilitário para finalizar o encontro. A falta de fiscalização e a ausência de remoção das sucatas mantêm o local como símbolo da degradação urbana no Recanto das Emas, onde a linha entre o abandono público e o desrespeito ao convívio comunitário se apaga a cada dia.
Frequentadores da carcaça
A rotina de desordem no local foi confirmada por moradores que convivem diariamente com medo e sensação de desamparo. Uma moradora da região, que pediu para não ter a sua identidade revelada devido ao receio de represálias por parte dos frequentadores da carcaça, relatou o impacto direto do abandono na qualidade de vida da vizinhança.
Segundo ela, o perigo se intensificou drasticamente após o acúmulo dos carros na rua, criando ambiente propício para a ilicitude. “A maior preocupação dos moradores reside no fato de que crianças da comunidade costumam brincar no interior das sucatas durante o dia, sem ter dimensão de que utilizam os mesmos assentos onde, horas depois, adultos dormem, negociam substâncias ilícitas ou se entregam a encontros sexuais sem qualquer vergonha ou inibição”, disse.
Em outro registro, a movimentação do tráfico de drogas fica evidente durante a negociação entre um suspeito e um usuário. Na ocasião, o suposto traficante distrai-se e deixa seu aparelho celular sobre o capô de um dos veículos; na sequência, um homem em situação de rua aproxima-se e furta o telefone antes que o proprietário perceba a perda.