Jornalista, escritora e roteirista da TV Globo, autora revisita a história do próprio pai para falar às crianças sobre memória, vínculos familiares e os afetos que permanecem através das gerações
A jornalista, escritora e roteirista Nina Ramos encontrou na literatura uma forma delicada de aproximar passado e presente. Em seu livro infantil “A Raquete do Vovô”, com ilustrações de Carol Cuquetto e publicado pela Editora Quelônio, a autora parte de uma experiência profundamente pessoal para abordar memória, ausência, família e a maneira como os afetos continuam presentes mesmo depois de uma perda.
A inspiração para a obra nasceu dentro de casa, a partir de uma pergunta aparentemente simples de seu filho. Ao perceber uma antiga raquete de madeira pendurada na parede, o menino quis saber a quem pertencia. A resposta — era a raquete do avô — abriu espaço para Nina revisitar a própria história.
O pai da escritora, Cacalo, morreu quando ela tinha apenas um ano e meio. Sem ter convivido com ele tempo suficiente para construir lembranças mais completas, Nina cresceu cercada por fragmentos, fotografias, histórias contadas pela família e objetos capazes de preservar parte daquela presença.
Foi justamente ao perceber que agora ocupava o papel de ligação entre seu filho e um avô que ele não conheceu que a escritora encontrou o ponto de partida para o livro.
“Entendi que sou a ponte entre meu filho e esse avô. Passei a valorizar muito mais a memória que esses objetos guardam. Contam coisas que ninguém escreveu, mas que continuam ali de alguma forma”, afirmou Nina em conteúdo divulgado sobre a obra.
Mais do que contar uma história sobre o luto, “A Raquete do Vovô” propõe um olhar sensível sobre aquilo que permanece. Objetos, fotografias, relatos e lembranças ganham significado e ajudam novas gerações a conhecer pessoas que fizeram parte da história de suas famílias.
O projeto também conquistou repercussão fora das redes sociais da autora. A obra foi tema de publicação da coluna Morte sem Tabu, da Folha de S.Paulo, que destacou justamente a relação entre o livro, a memória e os pais que continuam presentes nas lembranças. O lançamento também ganhou espaço na televisão: Nina compartilhou a emoção ao ver “A Raquete do Vovô” apresentado no Encontro, da TV Globo, por Patrícia Poeta.

Nas redes sociais, a escritora vem dividindo com os seguidores os diferentes momentos dessa trajetória, desde a chegada dos primeiros exemplares até encontros com leitores. Em uma das publicações, confessou a emoção de acompanhar a história ganhando o mundo e destacou o cuidado dedicado a elementos como capa, papel, cores e traços.
O lançamento da obra também reuniu leitores em São Paulo, na Casa Cosmos, na Vila Madalena. Agora, a história segue alcançando novos públicos e ampliando uma conversa que atravessa diferentes famílias: como manter vivas as memórias daqueles que partiram?
Além da atuação como escritora, Nina Ramos é jornalista e roteirista da TV Globo. Em “A Raquete do Vovô”, porém, é também filha e mãe. Ao transformar uma ausência vivida desde a infância em uma história capaz de chegar a outras crianças, ela constrói uma ponte entre três gerações.
No centro da narrativa está uma ideia simples e poderosa: algumas pessoas podem não estar mais fisicamente presentes, mas continuam existindo nas histórias contadas, nos objetos preservados e, principalmente, na memória de quem as ama.





