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Na ONU, Lula critica projeção de poder dos EUA na América Latina

Em discurso de abertura da Assembleia-Geral, presidente brasileiro defendeu soberania nacional, multilateralismo e limites à atuação das grandes potências

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso de abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para criticar a projeção de poder dos Estados Unidos na América Latina e defender o respeito à soberania dos países.

Lula afirmou que existem “tentações hegemônicas” e declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O presidente também disse que o país está comprometido com o combate ao crime organizado, mas não aceitará ingerências externas.

Ao abordar a situação da Venezuela, Lula afirmou que os próprios venezuelanos devem decidir o futuro do país. A declaração foi apresentada no discurso como uma defesa da soberania e da autonomia política venezuelana.

Discursos com visões diferentes

Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursaram em sequência e apresentaram posições distintas sobre temas internacionais.

Enquanto Lula defendeu o fortalecimento do multilateralismo, o respeito à soberania, a criação de regras internacionais e limites ao uso do poder militar pelas grandes potências, Trump destacou a capacidade militar e tecnológica dos Estados Unidos e a liberdade de atuação do país.

Lula discursou por cerca de 22 minutos, enquanto Trump falou durante aproximadamente 37 minutos. O presidente brasileiro foi interrompido três vezes por aplausos espontâneos, principalmente de representantes de países do chamado Sul Global. Trump também recebeu aplausos, em parte conduzidos por integrantes de sua própria comitiva.

Guerra no Oriente Médio

Os dois presidentes condenaram os ataques do Hamas contra israelenses em outubro de 2023. Lula classificou os ataques como terroristas.

A partir daí, porém, as posições divergiram. Lula acusou o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de cometer genocídio em Gaza. Trump, por sua vez, destacou seu plano para encerrar o conflito e promover o retorno dos reféns.

Guerra entre Rússia e Ucrânia

A guerra na Ucrânia também expôs diferenças entre a posição brasileira e a visão defendida por países europeus.

Lula se referiu ao conflito como uma “guerra entre a Rússia e a Ucrânia” e mencionou a parceria do Brasil com a China em iniciativas voltadas à busca pela paz.

A posição brasileira sobre o conflito permanece distinta da adotada por governos europeus, que responsabilizam a Rússia pela invasão e defendem o direito da Ucrânia de se proteger e preservar sua soberania.

Trump voltou a defender sua promessa de buscar uma solução rápida para a guerra.

Inteligência artificial

A inteligência artificial foi outro tema em que os dois presidentes apresentaram propostas diferentes.

Lula afirmou que deixar de regulamentar as grandes empresas de tecnologia e a inteligência artificial representaria uma omissão histórica. Trump, por outro lado, rejeitou a criação de um sistema global de controle da tecnologia e defendeu o avanço da IA pelos Estados Unidos no contexto da disputa tecnológica com a China.

Trump também criticou aqueles que alertam para os riscos da inteligência artificial, comparando essas preocupações às discussões sobre mudanças climáticas.

Lula, por sua vez, associou a disputa eleitoral brasileira à defesa da democracia e ao enfrentamento do negacionismo.

Mensagens voltadas ao público interno

Além dos temas internacionais, os discursos tiveram forte componente político doméstico.

Trump mencionou as eleições americanas de 3 de novembro ao falar sobre a guerra contra o Irã. Ele afirmou que os iranianos poderiam buscar um acordo após o pleito e declarou: “Estou ajudando os republicanos”.

Lula discursou a 12 dias das eleições brasileiras, enquanto Trump falou 42 dias antes da votação nos Estados Unidos.

Na mesma tribuna, os dois presidentes apresentaram não apenas visões diferentes sobre temas internacionais, mas também mensagens direcionadas aos respectivos públicos domésticos.

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