
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá determinar a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um presídio comum caso a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeite a proposta de delação premiada apresentada por sua defesa.
A expectativa é de que a PGR conclua nos próximos dias a análise das informações fornecidas por Vorcaro. O cenário, porém, não é favorável: na última semana, a Polícia Federal comunicou pela segunda vez que não vê elementos suficientes para validar o acordo de colaboração.
Segundo fontes próximas ao caso, a permanência de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, está diretamente ligada às negociações em torno da delação. Sem perspectivas concretas de avanço, cresce a possibilidade de que ele seja transferido para uma unidade prisional comum.
Embora ainda não exista uma definição oficial sobre o destino do ex-banqueiro, a tendência é que ele retorne ao Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde já esteve custodiado anteriormente.
Auxiliares de Mendonça avaliam que uma eventual transferência não ocorreria de forma imediata após a manifestação da PGR, mas seria consequência natural do encerramento das tratativas para um acordo de colaboração premiada.
A nova proposta de delação foi protocolada entre os dias 1º e 2 de junho e trouxe informações ampliadas em relação às versões anteriores. De acordo com apuração da CNN, o documento detalha a relação de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes e inclui relatos sobre o financiamento do filme Dark Horse, supostamente realizado a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de repasses de recursos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Apesar das novas informações, a avaliação predominante entre os investigadores é de que os elementos apresentados ainda carecem de consistência para fundamentar um acordo de colaboração premiada. A tendência é que a Procuradoria adote entendimento semelhante ao já manifestado pela Polícia Federal.
A defesa de Daniel Vorcaro, por outro lado, sustenta que a proposta foi completamente reformulada, com fatos inéditos e avanços significativos em relação às versões anteriores. Os advogados afirmam que o material entregue à PGR é robusto, consistente e reúne condições para ser aceito pelas autoridades.
A decisão da Procuradoria poderá definir não apenas o futuro da negociação da delação, mas também as condições de custódia do ex-banqueiro nos próximos meses.




