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Kiko Jorge aposta em nova cultura e planejamento para destravar o trânsito de Cabo Frio

Kiko Jorge defende mudança de cultura para transformar o trânsito de Cabo Frio 

Em entrevista, secretário de Mobilidade Urbana diz que o maior desafio é mudar o comportamento dos motoristas e pedestres para tornar a cidade mais segura 

Por muitos anos, discutir trânsito em Cabo Frio significava falar de congestionamentos, falta de sinalização, calçadas ocupadas e gargalos em feriados e temporadas. Agora à frente da Secretaria de Mobilidade Urbana, Jorge dos Santos Vicente Junior, o Kiko Jorge, afirma que o município vive um novo momento baseado em planejamento, fiscalização integrada e educação.

Em entrevista ao podcast Expressão do Povo, no YouTube, Kiko fez um balanço dos primeiros meses na pasta, assumida após o falecimento do secretário Josias Rocha de Medeiros, em dezembro de 2025, e detalhou ações executadas em vários bairros. A principal ferramenta para reorganizar a cidade será o novo Plano Municipal de Mobilidade Urbana.

“O nosso foco hoje é a conscientização. Vamos começar um trabalho junto à Secretaria de Educação para que crianças e adolescentes cresçam entendendo a importância do respeito às regras de trânsito. O adulto já é um verdadeiro viciado em errar. É difícil mudar esse comportamento, mas é possível através da educação”, afirmou.

A entrevista na íntegra pode ser acessada no YouTube pelo canal oficial @expressaodopovocf.

DA CHEFIA DE GABINETE PARA UM DOS MAIORES DESAFIOS DA GESTÃO

Natural do bairro São Cristóvão e com uma longa trajetória jurídica no serviço público municipal e regional, Kiko exercia a função de chefe de Gabinete do prefeito Dr. Serginho antes de assumir a Mobilidade Urbana. Ao longo da carreira, foi procurador da Câmara Municipal de Cabo Frio, procurador da Prefeitura, diretor jurídico do Porto do Forno, em Arraial do Cabo, procurador-geral de Búzios e secretário municipal de Meio Ambiente e de Saúde naquele município.

Ao aceitar o convite para assumir a Mobilidade Urbana, encontrou uma secretaria responsável por uma das áreas mais sensíveis da administração municipal.

“Está sendo uma experiência incrível. É uma missão árdua, mas ao mesmo tempo gratificante. Temos uma equipe muito boa e estamos caminhando para organizar a cidade”, declarou.

Segundo ele, a atuação da secretaria vai muito além da fiscalização de trânsito.”A Secretaria de Mobilidade assume todo o planejamento e o ordenamento do trânsito. Também organiza e fiscaliza o Terminal de Ônibus de Turismo, faz toda a sinalização horizontal e vertical, fiscaliza as infrações de trânsito e atua no ordenamento de áreas como Praia do Lido, Pontal do Peró, Praia do Foguete e outros pontos turísticos. É um trabalho bastante extenso”.

FALTA DE CONSCIÊNCIA NO TRÂNSITO 

Durante a entrevista, Kiko repetiu diversas vezes que Cabo Frio já possui sinalização suficiente em vários pontos onde continuam acontecendo infrações diárias.

Para ele, a dificuldade não está apenas na fiscalização, mas no hábito consolidado de desrespeitar regras básicas de convivência.

“A pessoa filma um acidente tentando culpar o poder público e deixa de perceber que o próprio vídeo mostra toda a sinalização existente naquele local. Bastava cumprir a regra de trânsito para que o acidente não acontecesse.”

Na avaliação do secretário, esse comportamento se repete diariamente em diferentes regiões da cidade.

Ele cita como exemplo motoristas que estacionam durante todo o dia sob placas de proibido estacionar, veículos ocupando calçadas, motociclistas utilizando espaços destinados exclusivamente aos pedestres e motoristas que insistem em realizar conversões proibidas mesmo diante da sinalização.

“A pessoa estaciona embaixo da placa de proibido estacionar, é multada, é sancionada e continua transgredindo. Isso tumultua toda a cidade. Uma única rua obstruída no Centro acaba impactando o trânsito inteiro.”

Segundo Kiko, a Prefeitura decidiu priorizar ações educativas antes da punição.

Em diversos pontos considerados críticos, agentes da Mobilidade passaram a distribuir advertências pedagógicas em vez de aplicar multas imediatamente.

“É um trabalho muito mais educacional do que sancionador. A advertência leva o cidadão à reflexão. Muitas pessoas acham que receberam uma multa e acabam mudando o comportamento antes que a punição realmente aconteça.”

CALÇADAS LIVRES E PRIORIDADE AO PEDESTRE 

Uma das primeiras medidas adotadas pela secretaria foi intensificar a revitalização das faixas de pedestres e da sinalização horizontal.

A decisão acompanha conceitos modernos de mobilidade urbana utilizados em cidades brasileiras e internacionais, que colocam o pedestre no topo das prioridades do planejamento viário.

“O conceito atual de mobilidade coloca o pedestre em primeiro lugar. Precisamos garantir travessias seguras, calçadas caminháveis e um ambiente que incentive as pessoas a caminhar. Isso melhora a saúde, aumenta a convivência social e torna a cidade mais humana”.

Embora reconheça que parte da fiscalização seja responsabilidade da Secretaria de Posturas, destacou que a Mobilidade atua em conjunto sempre que essas situações comprometem a circulação das pessoas.

“As atribuições se complementam. Quando uma atividade comercial ocupa a calçada e interfere no planejamento urbano, a Mobilidade, a Guarda Municipal e a Secretaria de Posturas trabalham juntas.”

O secretário também criticou a ocupação irregular das calçadas por veículos e estabelecimentos comerciais.

COMBATE ÀS INFRAÇÕES DE MOTOCICLETAS 

O avanço de motocicletas sobre calçadas, ciclovias e áreas de pedestres foi classificado como uma das maiores preocupações da pasta, motivando operações rigorosas e aplicação de multas severas em conjunto com a Guarda Civil Municipal.

“Uma das primeiras ações do governo do doutor Serginho foi justamente combater essas transgressões. Foram realizadas várias operações em diversos pontos da cidade e esse trabalho não vai parar. Vamos continuar fiscalizando e aplicando multas severas quando for necessário, porque o cidadão precisa ser respeitado”, garantiu.

Para o secretário, não existe justificativa para que motociclistas utilizem espaços exclusivos para circulação de pessoas.

“Nós moramos numa cidade tranquila. Fora da alta temporada, o trânsito é relativamente calmo. Não há nenhuma necessidade de colocar em risco a vida de famílias, crianças e trabalhadores utilizando calçadas como se fossem pistas de circulação.”

Ao comentar relatos de moradores que se sentem inseguros ao caminhar pelas calçadas, Kiko voltou a defender uma combinação entre fiscalização e educação.

“Nada justifica esse tipo de comportamento. A secretaria continuará atuando de forma muito firme em relação a isso.”

TAMOIOS RECEBE MUDANÇAS VIÁRIAS E REFORÇO NA SINALIZAÇÃO

No segundo distrito, os investimentos em infraestrutura e pavimentação vêm sendo acompanhados pelo ordenamento viário. À medida que o asfalto avança, as equipes implementam sinalizações, redutores de velocidade e alterações de sentido para melhorar a fluidez local.

“O prefeito tem tido um olhar muito carinhoso para Tamoios. Nós entramos complementando esse trabalho com sinalização, mudanças de sentido em algumas ruas para melhorar a fluidez, implantação de redutores de velocidade e melhorias na segurança dos pedestres”, destacou.

NOVO PLANO DE MOBILIDADE PROMETE MUDAR A CIDADE 

O principal anúncio feito durante a entrevista foi a elaboração do novo Plano Municipal de Mobilidade Urbana. Desenvolvido em parceria com uma universidade federal, o novo Plano substituirá decisões tomadas apenas com base na experiência prática por diagnósticos científicos. O estudo abrangerá a reorganização viária, modernização da antiga rede semafórica, ciclovias, acessibilidade e novas regras de carga e descarga.

“Hoje muitas decisões ainda precisam ser tomadas com base na experiência prática das equipes. O novo plano vai utilizar estudos técnicos, levantamento de fluxo de veículos e ferramentas modernas para apontar exatamente quais intervenções precisam ser feitas”, explicou.

Entre os temas que deverão ser contemplados estão: a reorganização do sistema viário;

modernização da rede semafórica; a criação de novas faixas de pedestres; a ampliação das ciclovias; a implantação de rampas de acessibilidade; a definição de áreas de carga e descarga e a padronização do mobiliário urbano.

Segundo o secretário, a atual rede de semáforos já não acompanha o crescimento da cidade.

“Nossa rede semafórica é antiga. Sempre que falta energia precisamos deslocar equipes para reorganizar o trânsito. Com o novo Plano de Mobilidade vamos superar boa parte dessas dificuldades”.

GAMBOA CONTINUA SENDO O MAIOR GARGALO VIÁRIO

A região da Gamboa também foi tema. O local concentra os problemas históricos mais complexos da mobilidade urbana cabo-friense. Segundo ele, existem estudos em andamento para alterar o fluxo de veículos.

“Nós já realizamos algumas experiências durante o verão e no Carnaval que deram muito certo. Em horários de pico, fechamos determinados acessos e redirecionamos o trânsito para outras vias, melhorando significativamente a fluidez.”

Entre as alternativas avaliadas está a implantação de mão única em determinados trechos.

“O cenário ideal pode ser a implantação de mão única, mas isso precisa ser discutido com moradores e comerciantes. Não é uma decisão que pode ser tomada sem ouvir quem vive naquela região.”

Kiko lembra que a cidade cresceu de forma acelerada nas últimas décadas.

“Hoje precisamos dividir um espaço limitado entre pedestres, comércio e veículos. Não é uma tarefa simples.”

CARGA E DESCARGA E ORDENAMENTO DAS PRAIAS 

Outro tema recorrente na entrevista foi o impacto causado pelos caminhões de abastecimento no Centro da cidade.

Segundo o secretário, o Plano de Mobilidade definirá horários específicos para carga e descarga, evitando bloqueios em horários de maior movimento.

Enquanto isso, equipes realizam ações educativas diretamente com comerciantes e transportadoras.

“Primeiro conversamos. Explicamos. Advertimos. Se insistirem no erro, aí serão aplicadas as medidas previstas na legislação”.

Ele reconhece que alguns estabelecimentos ainda descumprem as orientações.

“Não dá para fechar uma rua inteira para atender apenas um comércio. O abastecimento é fundamental, mas precisa respeitar o funcionamento da cidade”.

Se existe um período em que a Secretaria de Mobilidade Urbana é colocada à prova, esse momento é a alta temporada. Com a cidade recebendo milhares de turistas, o ordenamento do trânsito e dos espaços públicos passa a exigir atuação conjunta entre diferentes órgãos municipais.

Na entrevista, Kiko Jorge afirmou que o trabalho desenvolvido nos últimos meses trouxe resultados perceptíveis principalmente na orla.

Segundo ele, a atuação integrada entre Mobilidade, Guarda Civil Municipal, Secretaria de Posturas e Meio Ambiente permitiu reorganizar áreas que, durante anos, enfrentaram problemas de estacionamento irregular, comércio desordenado e circulação de veículos.

“Os pontos mais críticos serão sempre a orla. É onde precisamos de uma atuação mais forte, mais rígida e integrada. Mobilidade sozinha não resolve. Guarda, Posturas, Meio Ambiente e todas as secretarias trabalham juntas para que a cidade continue organizada durante os períodos de maior movimento”.

“No Pontal do Peró nunca tinha existido uma sinalização como a que implantamos agora. O mesmo aconteceu na Praia do Foguete. As equipes permanecem nesses locais organizando o trânsito e orientando moradores e turistas. Recebemos elogios das associações de moradores e dos comerciantes”.

FLANELINHAS E VANDALISMO

Outro tema que costuma gerar reclamações dos moradores é a atuação dos chamados flanelinhas. Segundo Kiko, a atuação agressiva de flanelinhas no Centro perdeu força após fiscalizações e a absorção de trabalhadores pela administração municipal. Paralelamente, a secretaria lida diariamente com a recuperação de placas danificadas ou furtadas durante a madrugada.

“O prefeito fez uma coisa muito importante. Chamou algumas dessas pessoas para trabalhar na administração municipal. Então aquele discurso de que estavam ali porque não tinham oportunidade perdeu força”, afirmou.

Na avaliação do secretário, atualmente os casos são pontuais.

“Hoje você passa pelo Centro e praticamente não vê mais aquela atuação agressiva que existia antes. Quando surge algum caso, a Guarda e a Mobilidade vão ao local imediatamente.”

Ele lembra que, anos atrás, estacionar em determinadas ruas significava ser abordado de forma insistente.

“Antes havia uma cobrança agressiva. Isso praticamente acabou. Foi um trabalho difícil, mas conseguimos avançar bastante.”

JARDIM ESPERANÇA E BAIRROS PERIFÉRICOS NO CRONOGRAMA

Ao contrário da percepção de que os investimentos estariam concentrados apenas na região central, Kiko afirma que bairros como Jardim Esperança, Jardim Peró, Reserva do Peró e Eldorado já possuem planejamento definido para melhorias viárias.

Segundo ele, as obras de pavimentação realizadas pela Prefeitura abriram espaço para uma nova etapa de intervenções.

“Agora estamos identificando pontos que oferecem risco para pedestres e motoristas. Vamos instalar novos redutores de velocidade, reforçar a sinalização e reorganizar alguns cruzamentos. O planejamento está pronto e começará a ser executado dentro do cronograma estabelecido”.

Kiko atribuiu esse avanço ao trabalho conjunto entre diferentes secretarias.

“A cidade está avançando. Não é apenas asfalto. É saúde, sinalização, iluminação, ordenamento. Mesmo com todas as dificuldades financeiras encontradas no início da gestão, conseguimos melhorar diversos serviços públicos”.

UMA SECRETARIA DE PORTAS ABERTAS

Concluindo a entrevista, Kiko reforçou que a gestão mantém atendimento contínuo e diálogo direto com taxistas, motoristas de aplicativo e moradores para solucionar demandas do cotidiano com serenidade e proximidade.

“Vivemos a cidade o tempo inteiro. Temos família aqui, caminhamos pelas ruas e recebemos demandas a todo momento. Quando identificamos um problema, procuramos resolver imediatamente. Mobilidade é ajuste o tempo todo, e nós precisamos acompanhar essas mudanças sempre ouvindo a população”, concluiu.

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