
Pelo cronograma inicial, a Artemis II teria sido lançada em 2024. Problemas orçamentários e técnicos, entretanto, atrasaram a maior missão espacial norte-americana em mais de meio século. Com isso, está prevista para 2028 a tão esperada alunissagem, antecedida, agora, por esse sobrevoo, uma etapa fundamental no processo de volta à superfície lunar. O objetivo, nesse momento, é testar não apenas a segurança da viagem em si, mas a resiliência do corpo humano em condições espaciais.
Artemis II é, entre outras coisas, um teste sobre a vida no espaço profundo. Diferentemente dos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, que opera na órbita terrestre a uma distância de 400 km da superfície planetária, a tripulação da nave Orion viajará além do campo magnético protetor da Terra. Nenhum ser humano — nem os astronautas da Apollo — alcançou um ponto tão longínquo como o que se espera chegar em 10 dias.
Antes da ida à Lua
Vinte e cinco minutos depois da partida, a espaçonave alcançou a órbita da Terra. Com velocidades variando até um pico de 40 mil quilômetros por hora, Orion deverá sobrevoar a Lua no sexto dia da missão. Com a ajuda da gravidade do próprio satélite, a nave formará um oito gigante na órbita lunar, um traçado que incluirá o lado oculto, jamais avistado por tripulantes, mas tão cultuado pela cultura popular em filmes, quadrinhos e nos acordes de The Dark Side of The Moon, da banda Pink Floyd (1973).
No ponto de maior distância, Artemis II alcançará 7,4 mil quilômetros além da Lua. Em 10 de abril, Orion retorna à Terra, inaugurando mais um capítulo da história da exploração espacial. “A Artemis II representa um momento crucial para a exploração espacial humana. Pela primeira vez em mais de meio século, astronautas estão retornando à Lua — e dessa vez a missão vai muito além de bandeiras e pegadas. O roteiro do programa Artemis prevê pousos tripulados na Lua em 2028, daqui a apenas dois anos, e, em última instância, o primeiro passo para enviar humanos a Marte”, comemorou Guifré Molera Calves, chefe de pesquisa espacial na multinacional alemã de tecnologia Hensoldt.
“A Artemis 2 marca o início da próxima fase da exploração espacial humana. A missão é o primeiro passo empolgante no programa da Nasa para estabelecer uma base na Lua nos próximos 10 anos”, destacou Matt Shaw, pesquisador associado em astrometalurgia na Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália. “Uma presença permanente na Lua é uma perspectiva empolgante. Uma base lunar nos permitirá entender melhor nosso vizinho próximo (Marte), bem como começar a aproveitar os recursos de lá para construir uma economia cis-lunar.”
Para Mike Lockwook, professor de Física Espacial da Universidade de Reading, no Reino Unido, Artemis II é acompanhada de implicações geopolíticas, que precisam ser debatidas. “Trata-se de uma colaboração internacional, mas é não global, nem inclui a China ou a Rússia. A missão apresenta uma oportunidade para forjar um novo tratado espacial, que é necessário urgentemente”, acredita.




