Polícia

Filho de ex-prefeito do Rio é procurado pela PF por suspeita de comprar dados sigilosos da esposa de Alexandre de Moraes

Empresário Marcelo Conde é alvo de mandado de prisão do STF em nova fase de operação que investiga acesso ilegal a informações da Receita Federal

O empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, de 65 anos, filho de Luiz Paulo Conde, ex-prefeito do Rio de Janeiro, é procurado pela Polícia Federal desde a manhã desta quarta-feira (1º), suspeito de envolvimento em um esquema de compra e vazamento de dados sigilosos. A investigação apura o acesso ilegal a informações fiscais de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação faz parte de uma nova fase da Operação Exfil, que investiga a obtenção ilícita de declarações fiscais de autoridades públicas e seus familiares por meio de acessos indevidos aos sistemas da Receita Federal. Por determinação de Moraes, foram expedidos um mandado de prisão preventiva contra o empresário e seis mandados de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Segundo apurações, Marcelo Conde teria encomendado os dados de Viviane Barci ao contador Washington Travassos de Azevedo, que já havia sido preso em uma fase anterior da operação, também por ordem do STF. A suspeita é de que informações sigilosas tenham sido obtidas sem autorização legal e posteriormente repassadas de forma irregular.

A investigação teve início a partir de indícios de vazamento de dados fiscais envolvendo autoridades e ganhou força em fevereiro, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra servidores públicos nos estados do RioSão Paulo Bahia. Os alvos incluíam funcionários com acesso a sistemas sensíveis da Receita Federal.

Segundo os investigadores, há suspeita de que um grupo tenha operado um esquema estruturado para acessar ilegalmente informações protegidas, possivelmente reunindo dados de diferentes autoridades em um mesmo pacote. Parte dos envolvidos seria ligada ao Serpro, empresa pública responsável por soluções tecnológicas do governo federal e que presta serviços à Receita.

As ordens judiciais foram expedidas com base em representação da Procuradoria-Geral da República, que acompanha o caso. A Polícia Federal busca agora esclarecer a extensão do esquema, identificar outros possíveis envolvidos e entender se houve participação de servidores na quebra ilegal de sigilo fiscal de ministros do Supremo e seus familiares.

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