Operação contra adulteração de taxímetros
A Polícia Civil realizou, nesta quinta-feira, uma operação ampla em resposta a um esquema de adulteração de taxímetros que afetava diretamente os passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão, localizado na Ilha do Governador. As investigações indicam que a fraude operava por meio de um dispositivo eletrônico oculto, instalado atrás de um botão no porta-malas dos veículos, que elevava o valor das corridas de forma ilegal.
As equipes policiais têm como meta cumprir mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo os bairros do Rocha e Piedade, na Zona Norte do Rio de Janeiro, além do Centro da cidade e do próprio terminal aeroportuário. Para fortalecer a ação, a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant) está colaborando com as diligências.
Até o momento, aproximadamente 15 taxistas e 18 indivíduos que atuavam como “jóqueis” — captadores de passageiros — foram levados para prestar depoimentos sobre sua participação no esquema.
Detecção da fraude
O início das investigações se deu após a reclamação de um passageiro que desembarcou e foi abordado por um homem que se apresentou como taxista.
Durante a corrida, o passageiro notou uma discrepância significativa no valor apresentado no taxímetro, resultando em um pagamento inflacionado em cerca de 50% em relação à tarifa regular.
Após diligências, os agentes conseguiram identificar o veículo, que foi submetido a perícia. O Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) revelou a presença de uma pequena placa eletrônica acoplada ao taxímetro, a qual multiplicava os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, causando um aumento na tarifa. O dispositivo, que poderia ser habilitado silenciosamente pelo motorista, era capaz de adicionar até 20% ao preço da corrida.
Evidências de organização criminosa
A profundidade das investigações sugere que a utilização do mecanismo fraudulentamente não se restringia a um único motorista, mas fazia parte de uma complexa rede organizada.
Documentos apreendidos durante a operação indicam que a instalação do dispositivo era uma exigência da empresa de locação dos táxis, frequentemente realizada num estabelecimento indicado pelo grupo criminoso.
A frota vinculada a essa prática já conta com aproximadamente 200 veículos. Além disso, há indícios de que os dispositivos fraudulentos eram instalados automaticamente antes da entrega do carro ao locatário, garantindo que a fraudes ocorressem de forma contínua e discreta.
As investigações também revelaram a atuação de “jóqueis” que abordavam passageiros, em especial turistas, oferecendo corridas para táxis que não estavam legalmente autorizados a operar dentro do terminal. Esses indivíduos recebiam comissões por direcionar os viajantes para esses veículos, resultando em cobranças exorbitantes, como uma corrida de R$ 900 para a Zona Sul do Rio.
Segundo apurações, a organização criminosa que coordena essa prática está ligada ao tráfico de drogas na comunidade do Barbante, adjacente ao aeroporto.
Apesar das tentativas de impor controle sobre os taxistas legalmente autorizados, essa operação até o momento não se concretizou.
Condução das ações e orientações aos usuários
A operação desta quinta-feira visou não apenas a apreensão de materiais, mas também o cerco à sede operacional de um grupo empresarial de locação de táxis e a oficina responsável pela instalação dos dispositivos enganosos. De acordo com o delegado Victor Tuttman, a investigação foi precipitada por uma denúncia feita por um passageiro no início do ano, que relatou a tentativa de descarte do equipamento sob suspeita.
O delegado também mencionou que há registros frequentes de ocorrências semelhantes, especialmente envolvendo turistas despreparados. Ele alertou que muitos dos taxistas investigados estão regularizados, porém operam ilegalmente no aeroporto.
Para garantir a segurança dos passageiros, é recomendado utilizar sempre os serviços de táxis credenciados, preferindo aqueles posicionados em pontos autorizados e as cabines dentro do aeroporto.
A Polícia Civil continua a investigação sobre os diversos aspectos desse esquema criminoso, buscando responsabilizar todos os envolvidos.





