
O espetáculo “Gbin” evidencia o poder da dança em aproximar e valorizar matrizes de movimento afro-indígenas na contemporaneidade. A peça estará em circulação nas unidades do Sesc nos municípios de Teresópolis, Campos, Niterói, Nova Friburgo, Barra Mansa, Rio de Janeiro e Nova Iguaçu entre os meses de abril e maio.
O projeto é a mais recente criação da Cia Xirê e tem como ponto de partida a palavra iorubá “Gbìn” (bîn), que significa “plantar” ou “semear”, conceito que orienta e inspira todo o projeto. A proposta é justamente semear novos olhares, estimulando o contato com corpos e movimentos que brotam de referências estéticas pouco presentes nas cenas massivas de dança.
São gestos, ritmos e presenças que escapam dos padrões mais difundidos nos palcos e também nas mídias virtuais, televisivas e cinematográficas. Ao trazer essa perspectiva, a obra amplia o repertório sensível do público e convida especialmente as crianças a reconhecerem outras formas de expressão corporal, valorizando a diversidade de corpos, culturas e narrativas que também compõem o universo da dança.
“A dança pode nos aproximar muito mais do que poderíamos imaginar, promovendo a redução das desigualdades a partir do encontro, em dança, dos olhares de crianças com corpos fenotipicamente e culturalmente afro indígenas, bem como às qualidades de movimento que brotam desses corpos”, afirma a diretora e coreógrafa Andrea Elias.
Contemplado no Edital Sesc Pulsar O Corpo Negro, tem um corte temático marcadamente afro indígena, ficha técnica predominantemente composta por negros, cultivando uma poética que dialoga com o conceito de “oralitura”, da pesquisadora Leda Martins, onde os atravessamentos, os cruzos, promovem o acontecimento.
“‘Gbin’ nasce do desejo de aproximar corpos em suas diversidades num momento no qual estes são convocados a se manterem à distância. Esta aproximação fala não apenas da fisicalidade, mas também da diversidade cultural e subjetiva, da convicção no poder que tem a dança de conectar corpos em suas diferenças e afirmar suas potências”, acrescenta Andrea.
Ao ser criado para crianças, a peça transita por questões centrais da linguagem da dança contemporânea em direção à recepção do público infanto-juvenil, investigando o que é próprio da linguagem na relação com este olhar lúdico da infância.
Andrea reforça ainda que a Cia Xirê, há mais de 20 anos, tem exercido um importante papel na democratização da dança contemporânea, ampliando os canais de acesso entre ela e o público em formação.
“Nosso compromisso vai além de colocar um espetáculo em cena. A gente busca, de forma contínua, criar caminhos reais de aproximação entre a dança contemporânea e o público, especialmente aqueles que ainda estão em processo de formação e descoberta. Democratizar o acesso é entender que nem todos se sentem pertencentes a esses espaços, e por isso trabalhamos para romper essas barreiras, ocupar novos territórios e estimular o olhar, a sensibilidade e o interesse de diferentes pessoas pela arte”, finaliza a diretora e coreógrafa.
Sobre a Cia Xirê
Criada em 2003 por Andrea Elias, a Cia Xirê é uma companhia de dança contemporânea que se propõe à pesquisa da construção cênica através do movimento. Suas primeiras produções resultaram em espetáculos de dança-teatro criados para crianças. Uma das principais motivações da companhia é a comunicabilidade com o público tendo como mídia o corpo do ator-bailarino em ação.
Os espetáculos da Cia Xirê circulam por territórios da Argentina, Brasil, Equador, Alemanha, Índia, Itália e Espanha e um dos objetivos da Cia Xirê é a democratização da dança contemporânea junto aos mais diferenciados olhares, enfatizando-se aí o olhar de crianças o que, muitas vezes, acaba por iniciar os olhares dos responsáveis que as acompanham.
Dentre as produções da Cia, destacam-se “Ciranda” (2003),“Quando Crescer, Eu Quero Ser…” (2006), “Entrelace”(2011) e “Dingling” (2016), direcionados para crianças; “Esther Williams não quer mais nadar…” (2012), direcionado para adultos; e “Isto é sobre liberdade: o que você ainda lembra sobre ela?” (2016). Os espetáculos da Cia mantém-se em circulação contemporaneamente.
Além dos espetáculos a Cia tem em seu repertório o desenvolvimento dos projetos “Arte-Política-Pedagogia:Ações Cooperativas” (2010), projeto de residência artística; “Cuidado” (2008), projeto para criação coreográfica que originou dois de nossos espetáculos; e“Isto é sobre liberdade: o que você ainda lembra sobre ela?” (2015), igualmente projeto de pesquisa para criação coreográfica que resultou na performance urbana de mesmo nome e no trabalho para bebês de 2016,“Dingling”.
Como resultado da pesquisa da Cia Xirê estão também os seguintes projetos pedagógicos: workshop “Do Jogo pra Dança”; exposição interativa “Pode Mexer!”; e a caixa “Cadê a Dança?”.
Ficha Técnica:
Concepção, direção e coreografia: Andrea Elias
Criação e performance – Aline Bernardi, Andrea Elias, Fagner Santos, Luna Leal
Figurino – Carla Ferraz
Trilha sonora original – PC Castilho
Desenho de luz – Eduardo Albergaria
Programação visual – Miguel Carvalho
Fotos – Carolina Spork
Costureira – Ateliê das meninas
Áudio descrição – Mônica Ruiz
Consultoria de áudio descrição – Moira Braga
Mestra de balé – Helena Matriciano
Assessoria de imprensa – Alessandra Costa
Produção executiva – Aloisio Antunes
Produção – Trânsito Produções Culturais
Realização – Cia de Dança Teatro Xirê / Sesc Pulsar RJ
Parceria – Escola e Faculdade Angel Vianna / Teatro Municipal Carlos Gomes
Serviços
Espetáculo “Gbin”, Cia Xirê
12 de abril, às 16 horas – Sesc Teresópolis – Avenida Delfim Moreira, 749 – Várzea, Teresópolis
03 de maio, às 16 horas Sesc Campos dos Goytacazes – Av. Alberto Torres, 397 – Centro, Campos dos Goytacazes




