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Eleição para presidente da Alerj dura pouco

Pleito que elegeu o deputado estadual Douglas Ruas (PL) é anulado por determinação da presidente em exercício do Tribunal de Justiça, que considerou que houve desrespeito às decisões do Tribunal Superior Eleitoral

Por Iago Mac Cord
Decisão da desembargadora Suely Lopes Magalhães, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), anulou a eleição do deputado estadual Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Atendendo aos partidos que fazem oposição ao PL, a magistrada frisou que o pleito só poderia ter sido realizado depois da retotalização dos votos das eleições de 2022 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). É o que determina o acórdão da cassação do mandato do ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), pelo TSE, na terça-feira.
A legalidade do rito foi contestada por partidos de oposição, como PSD e PDT, que boicotaram a eleição indireta. Douglas Ruas foi o único candidato. Obteve 45 votos de 47 deputados presentes, de um total de 70 parlamentares que compõem a Alerj.

Entre os argumentos apresentados pelos partidos opositores, acolhidos pela desembargadora, está o descumprimento do Regimento Interno da Alerj, que exige um prazo de 48 horas entre a publicação do edital e a votação. Isso não ocorreu, já que o chamamento público foi publicado no mesmo dia da eleição.

A desembargadora ressaltou, ainda, que a retotalização dos 97.822 votos obtidos por Bacellar, em 2022, é indispensável para definir o quociente eleitoral e a composição das bancadas e dos suplentes. Esse procedimento será feito pelo TRE-RJ na próxima terça-feira, a partir das 15h.

“A cronologia lógica a ser observada no cumprimento da decisão da Justiça Eleitoral é inequívoca: primeiro retotalizar os votos, para assegurar a legitimidade da composição da Casa Legislativa, e, assim, a higidez do colégio eleitoral e do próprio sufrágio interno que se avizinha; e só então deflagrar o processo eleitoral”, destacou a desembaregadora.

Ainda segundo a desembargadora, houve uma “manobra” e o “cumprimento aparentemente distorcido” da decisão do TSE. E frisou que, apesar da urgência institucional, é necessário que se defina a composição legítima da Assembléia antes de qualquer eleição interna, que, inclusive, está diretamente ligada ao comando do governo do estado.

“A indigitada manobra envolve o cumprimento — aparentemente distorcido — de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral e uma potencial interferência no corpo de eleitores que escolherá, por sufrágio interno, o agente público incumbido não apenas da Presidência da Assembleia Legislativa, mas, em última análise e ato contínuo, do próprio Governo do Estado do Rio de Janeiro”, salientou.

O governo do Estado do Rio de Janeiro passa por um vácuo de poder. O ex-vice-governador eleito em 2022, Tiago Pampolha, renunciou ao posto para assumir uma das cadeiras do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Na linha sucessória, quem deveria assumir era Bacellar, afastado da presidência da Alerj por conta a investigação de seu envolvimento com o chamado “braço político” do Comando Vermelho, cujo representante seria o ex-deputado cassado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias.

Na terça-feira, Bacellar teve o mandato cassado pelo TSE, na mesma sessão que tornou o ex-governador Cláudio Castro inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022, em função das contratações consideradas irregulares de cabos eleitorais para os quadros da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj). Dessa forma, assumiu o desembargador Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ, que segue como governador em exercício.

Pela legislação, o presidente da Alerj assume interinamente o Palácio Guanabara até a realização de uma eleição indireta para um mandato-tampão, em 30 dias. Douglas Ruas, pré-candidato ao governo fluminense, faria do comando do Legislativo estadual um trampolim capaz de dar-lhe alguma visibilidade na disputa contra Eduardo Paes (PSD), que vem liderando as pesquisas de intenção de voto — a mais recente, feita pela Real Time Big Data e divulgada dia 11, põe o ex-prefeito da capital com 46% contra 13% do deputado.

Ruas é apoiado pelo pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). Enquanto a nova eleição indireta não ocorre, o deputado Guilherme Delaroli (PL) permanece como presidente interino da Alerj. (Colaborou Fabio Grecchi)

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