DestaqueGeral

Eclipse solar total na Europa

Fenômeno foi observado por milhões de pessoas no Hemisfério Norte e mobilizou pesquisadores para estudar a atmosfera do Sol e os efeitos da atividade solar na Terra

O eclipse solar total que atravessou parte do Hemisfério Norte transformou o céu em um espetáculo para milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, em um laboratório para pesquisadores. O fenômeno passou pela Rússia, Groenlândia, Atlântico, Espanha e Ilhas Baleares, no Mediterrâneo.

Na Europa Continental, o eclipse total não era observado desde 2006. Na Espanha, a expectativa foi ainda maior, já que um fenômeno desse tipo não era registrado no país havia mais de um século.

O eclipse durou quase duas horas considerando todas as suas fases. Em outras regiões, como partes da Islândia, França, Canadá, África Ocidental e Estados Unidos, o fenômeno também foi observado, mas sem a mesma intensidade da faixa de totalidade.

Eclipse virou laboratório científico

Além do espetáculo visual, o fenômeno ofereceu uma oportunidade para pesquisadores estudarem o Sol.

A Nasa financiou pesquisas para analisar principalmente a coroa solar, camada externa da atmosfera do Sol, e entender como a redução repentina da radiação solar durante o eclipse afeta a atmosfera da Terra.

Uma das iniciativas utilizou um avião WB-57, que acompanhou a sombra da Lua em grande altitude. A estratégia permitiu aumentar o tempo de observação e registrar fenômenos que desaparecem rapidamente quando vistos a partir do solo.

O avião foi equipado com quatro câmeras capazes de produzir imagens de alta resolução em diferentes comprimentos de onda da luz visível e infravermelha. Os equipamentos chegaram a registrar cerca de 20 imagens por segundo.

Por que a coroa do Sol é importante?

A coroa solar é extremamente quente, mas muito menos brilhante que a superfície do Sol. Por isso, sua observação é dificultada pela intensa luminosidade da estrela.

Durante um eclipse total, a Lua bloqueia a luz direta do Sol e permite que os pesquisadores observem melhor essa região. O fenômeno também possibilita estudar a cromosfera, camada localizada entre a superfície solar e a coroa.

A Agência Espacial Europeia (ESA) também aproveitou o eclipse para ampliar estudos sobre os ventos solares e as tempestades provocadas pela atividade da estrela.

Missões como a Solar Orbiter, lançada em 2020, já coletam informações sobre a atmosfera e os ventos solares. A missão Proba-3, por sua vez, utiliza duas espaçonaves voando em formação para produzir eclipses artificiais e estudar a coroa.

Como a atividade do Sol pode afetar a Terra?

As pesquisas também ajudam a compreender fenômenos que podem interferir no cotidiano do planeta.

Explosões solares podem liberar grandes quantidades de plasma e partículas carregadas. Quando esse material atinge o campo magnético da Terra, pode provocar tempestades geomagnéticas, afetar satélites, representar riscos para astronautas e contribuir para a formação de auroras em regiões próximas aos polos.

Eclipses ajudam a ciência há mais de um século

A observação de eclipses já teve papel importante em descobertas científicas. Em 1919, um eclipse observado na ilha de Príncipe, na costa oeste da África, ajudou o astrônomo Arthur Eddington a testar uma previsão da teoria da relatividade de Albert Einstein.

Segundo o astrônomo Danilo Rocha, integrante da comissão organizadora da Olimpíada Brasileira de Astronomia, o eclipse solar total chama atenção porque transforma rapidamente o ambiente.

O fenômeno ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e bloqueia completamente o disco solar por alguns minutos. Apesar de a Lua ser muito menor que o Sol, a distância entre os dois astros e a Terra faz com que eles apresentem tamanhos aparentes semelhantes no céu.

O astrônomo Alexandre Cherman, diretor de astronomia do Planetário do Rio, explica que eclipses solares e lunares ocorrem todos os anos, mas a faixa de observação é limitada.

Isso acontece porque a sombra da Lua projetada sobre a Terra ocupa uma área relativamente pequena. Durante um eclipse solar total, apenas uma faixa estreita do planeta consegue observar a totalidade.

Espanha recebeu turistas e ‘caçadores de eclipses’

A Espanha foi um dos principais pontos de observação do fenômeno. Nas semanas anteriores, aumentou a procura por hospedagens, locais de observação e óculos especiais para acompanhar o eclipse com segurança.

Turistas de diferentes países viajaram para o interior espanhol, incluindo os chamados “caçadores de eclipses”, que costumam percorrer diferentes partes do mundo para acompanhar fenômenos astronômicos.

Em Benavente, no noroeste do país, a movimentação foi suficiente para alterar a rotina da cidade. A chegada de visitantes também impulsionou a economia local.

Segundo estimativas do Ministério da Economia espanhol, o eclipse poderia gerar um impacto líquido de quase US$ 400 milhões na economia do país.

Próximos eclipses que poderão ser vistos do Brasil

Quem gosta de acompanhar fenômenos astronômicos terá outras oportunidades nos próximos anos:

  • 28 de agosto de 2026: eclipse lunar parcial, visível no Brasil;
  • 6 de fevereiro de 2027: eclipse solar anular, visível em partes do Brasil;
  • 12 de agosto de 2045: eclipse solar total, considerado um dos principais eventos astronômicos do século para o país, com a faixa de totalidade passando por áreas do Norte e Nordeste.

Asteroide Apophis também entra no radar dos cientistas

Outro evento astronômico que chama a atenção dos pesquisadores ocorrerá em 13 de abril de 2029, quando o asteroide 99942 Apophis passará a cerca de 32 mil quilômetros da Terra.

Com até 450 metros de comprimento e diâmetro médio de aproximadamente 340 metros, o objeto tem dimensões comparáveis às da Torre Eiffel.

Apesar da proximidade, a Nasa afirma que não há risco de colisão do Apophis com a Terra ou com satélites em órbita nos próximos cem anos.

A aproximação será uma oportunidade para estudar como a gravidade terrestre pode alterar a estrutura e o comportamento de um asteroide.

A Nasa prepara a missão Osiris-Apex, que deverá observar o Apophis depois de sua maior aproximação. A ESA também desenvolve a missão Ramses, planejada para acompanhar possíveis alterações na órbita, rotação e superfície do asteroide.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo