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Desaparecimento de surfista em São Conrado reforça alerta para prevenção de afogamentos no Brasil

Levantamento da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático aponta que homens representam a grande maioria das vítimas fatais em todo o país

As buscas pelo surfista José Ricardo Ramos, fundador da Rocinha Surf Escola, mobilizam equipes de busca e salvamento aquático desde a última quarta-feira (24), na região do Posto 13, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro.
O caso chama a atenção para um problema que faz milhares de vítimas todos os anos no país e que pode atingir até mesmo pessoas experientes no ambiente aquático, como José Ricardo, praticante do surfe há mais de 40 anos.

Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), cerca de 5.742 pessoas morrem afogadas anualmente no Brasil, o equivalente a uma morte a cada 90 minutos. Os números revelam a dimensão de um problema de saúde pública que ainda é amplamente evitável.

O afogamento é a segunda principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos de idade, e quatro crianças perdem a vida diariamente em decorrência desse tipo de acidente. Entre os menores de 9 anos, mais da metade dos casos ocorre dentro de casa, enquanto, na população em geral, rios, lagos e represas concentram 66% das mortes registradas.

O levantamento também aponta que os homens representam a grande maioria das vítimas fatais, morrendo seis vezes mais que as mulheres. Além disso, 41% das mortes acontecem antes dos 29 anos de idade.

Campanha de prevenção

No mês de julho, a SOBRASA intensifica a mobilização nacional para o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, celebrado em 25 de julho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A campanha deste ano busca ampliar a conscientização da população sobre os riscos presentes em praias, rios, lagos, piscinas e outros ambientes aquáticos.

* Casos como o que estamos acompanhando em São Conrado mostram que o ambiente aquático exige atenção e preparo de todos, independentemente da experiência. A prevenção continua sendo a medida mais eficaz para reduzir afogamentos. Informação, avaliação dos riscos e comportamento seguro podem fazer a diferença entre a vida e a morte – destaca o secretário-geral da SOBRASA, Dr. David Szpilman.

A programação nacional contará com três grandes iniciativas. A primeira é o movimento Go Blue – Vista-se de Azul, que promoverá a iluminação de monumentos e prédios públicos em diversas cidades brasileiras. Também será realizado o programa Celebrando sua Cidade, com ações educativas, palestras e atividades voltadas à prevenção. Já o desafio esportivo Dando a Volta no Planeta Azul reunirá praticantes de esportes aquáticos de todo o país em uma grande mobilização pela cultura da segurança na água.

Como parte das atividades do Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, a SOBRASA também promoverá simultaneamente em diversas cidades brasileiras o Workshop de Emergências Aquáticas, destinado a surfistas, nadadores de águas abertas, praticantes de stand up paddle (SUP), kitesurf, canoa, remo e demais modalidades realizadas em ambientes aquáticos.
A proposta é orientar os participantes sobre prevenção de acidentes, reconhecimento de situações de risco, tomada de decisões seguras e procedimentos adequados diante de emergências, contribuindo para a redução dos afogamentos em todo o país.

Entre as ações permanentes da entidade está também o Surf-Salva, programa da SOBRASA que capacita surfistas para a prevenção de afogamentos, transformando-os em multiplicadores da cultura da segurança aquática. A iniciativa prepara os participantes para identificar situações de risco, adotar condutas seguras e prestar auxílio de forma responsável, sem se tornarem novas vítimas. O programa reforça que conhecimento, treinamento e prevenção são fundamentais, mesmo para quem possui ampla experiência no mar.

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