Por Fantástico
Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou um grupo que planejava, pela internet, atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília.
Eram homens que nunca tinham se encontrado pessoalmente. Nas conversas, monitoradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, eles falavam em fabricar explosivos e disseminavam discursos de ódio pela rede.
“Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, dizia uma das mensagens. Outras afirmavam: “Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”.
As comunicações ocorriam em dois grupos do aplicativo Telegram. Um deles utilizava a foto de Hitler como imagem de perfil. Entre os planos discutidos, estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”.
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Entre os planos discutidos, estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater” — Foto: Reprodução/TV Globo
O monitoramento das autoridades revelou que as condutas não eram inofensivas. “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, disse Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.
O ministro ressaltou a relevância do caso, afirmando que a sociedade deve atentar para o fato de que tais comportamentos não podem ser minimizados ou normalizados.
Um relatório do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, concluiu que o conteúdo compartilhado apresentava elevado grau de periculosidade, planejamento de atos violentos mediante utilização de artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
O acesso aos grupos era restrito, exigindo links específicos ou buscas por nomes exatos.
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O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo
O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília. Os investigadores identificam quem se esconde por trás dos perfis anônimos: em geral, homens jovens que produzem e compartilham conteúdo racista, misógino, homofóbico.
Apenas em 2026, o Ciberlab produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes.
Nos grupos, a disseminação de ódio contra mulheres era frequente. Mas as mensagens foram monitoradas pelas policiais que trabalham no Ciberlab.
Na última terça-feira (4), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.
Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. A investigação segue na análise dos computadores e celulares apreendidos.
“A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, diz o delegado.
“O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”, diz o ministro.




