O número de bicicletas elétricas e outros veículos elétricos leves em circulação no Brasil já ultrapassa 850 mil unidades. Impulsionado pela busca por deslocamentos mais rápidos nas grandes cidades, esse tipo de transporte ganha cada vez mais adeptos, mas também aumenta a preocupação com acidentes, infrações e conflitos entre ciclistas, pedestres e motoristas.
Imagens exibidas pelo programa Fantástico mostram situações frequentes de risco, como atropelamentos, colisões, circulação em alta velocidade, desrespeito à sinalização e uso das ciclovias na contramão.
Para muitos usuários, a bicicleta elétrica representa uma alternativa ao trânsito intenso das grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, onde os congestionamentos frequentemente ultrapassam mil quilômetros, trabalhadores afirmam economizar tempo e reduzir o esforço físico ao optar pelo veículo.
Entretanto, o crescimento acelerado da frota tem provocado problemas de convivência nas ciclovias. Na Avenida Faria Lima, um dos principais corredores cicloviários da capital paulista, a concentração de bicicletas elétricas, convencionais e patinetes já provoca congestionamentos e reclamações até mesmo entre entregadores e ciclistas experientes.
Infrações e excesso de velocidade
Durante a reportagem, foram flagradas diversas irregularidades, como avanço de sinal vermelho, circulação na contramão e bicicletas trafegando acima da velocidade permitida.
Pelas regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bicicletas elétricas devem ter velocidade limitada a 32 km/h. Acima desse limite, o veículo deixa de ser classificado como bicicleta elétrica e passa a ser considerado um ciclomotor, cuja circulação é proibida em ciclovias e ciclofaixas.
Peritos consultados pela reportagem mediram a velocidade de alguns veículos na ciclovia da Faria Lima e registraram bicicletas trafegando entre 34 km/h e 35 km/h, o que levanta suspeitas de adulteração dos equipamentos.
Segundo especialistas, a modificação para aumentar a velocidade exige fiscalização mais rigorosa, já que compromete a segurança dos usuários.
Acidentes podem ser graves
Especialistas alertam que os impactos envolvendo bicicletas elétricas podem causar ferimentos severos.
De acordo com um dos peritos ouvidos pela reportagem, uma colisão a 32 km/h pode gerar um impacto semelhante ao de uma queda de aproximadamente cinco metros de altura.
Debate sobre regulamentação
O avanço desses veículos também tem impulsionado discussões sobre novas regras de circulação.
A Prefeitura de São Paulo encerrou recentemente uma consulta pública para definir normas específicas para bicicletas elétricas e veículos autopropelidos. Entre as propostas está a redução da velocidade máxima para 20 km/h em todas as vias da cidade.
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) defende a regulamentação, mas considera que os limites devem variar conforme o tipo de infraestrutura. A entidade sugere velocidade de até 25 km/h em algumas ciclovias e limite de 20 km/h em pistas de mão dupla.
A associação também destaca que bicicletas que ultrapassam 32 km/h normalmente passaram por alterações irregulares e reforça a necessidade de intensificar a fiscalização para garantir maior segurança no trânsito.





