
Por Murilo Badessa, Helio Carvalho, EPTV e g1 Ribeirão Preto e Franca
O avião de pequeno porte fabricado na extinta União Soviética que está abandonado há mais de 20 anos em uma área dentro do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP), é um jato modelo Yakovlev Yak-40.
A aeronave, criada nos anos 1960, tem capacidade para 40 passageiros, autonomia de três horas de voo e foi muito utilizada para o transporte regional de passageiros.
O Yakovlev Yak-40 é composto por três motores a jato, tem cerca de 20 metros de comprimento, 25 metros de envergadura e seis metros de altura. Ele foi produzido com foco na aviação regional e fez seu primeiro voo em outubro de 1966.
O jato tem velocidade de cruzeiro em aproximadamente 550 km/h e um alcance (distância máxima que pode voar sem reabastecer) de aproximadamente 1,8 mil km. Além disso, pode atingir altitude máxima de 26 mil pés ou 8 mil metros.
Em 2007, o avião foi destinado pelo governo federal à Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, para fins educacionais, mas nunca foi retirado pela instituição devido ao alto custo.
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Avião fabricado na União Soviética nos anos 1960 está abandonado no Aeroporto de Ribeirão Preto (SP). — Foto: Cacá Trovó/EPTV
Segundo James Rojas Waterhouse, professor de engenharia aeronáutica da USP São Carlos, a operação para transportar a aeronave até a universidade custaria entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, já que seria necessário desmontar o avião.
“Ele é uma espécie de laboratório vivo para mostrar aos alunos tanto turbinas quanto sistemas hidráulicos”, diz Waterhouse.
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INFOGRÁFICO – Jato Yakovlev Yak-40 — Foto: Arte/g1
Como avião soviético foi parar no interior de São Paulo
Em 2001, a aeronave foi adquirida de São Tomé e Príncipe, no continente africano, pelo Clube Náutico Água Limpa, de Belo Horizonte.
Com ele, a entidade operou até 2002 voos para destinos como Búzios (RJ) e Foz do Iguaçu (PR) com a matrícula estrangeira “Sierra 9 Bravo Alfa Papa”, referente ao país onde estava inscrito até então.
Em 2002, em uma dessas viagens, o avião fez um pouso não programado em Ribeirão Preto, ocasião em que o antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) apontou irregularidades, o que resultaria na apreensão definitiva pela Receita Federal. O motivo alegado foi o descumprimento de normas que permitiam o exercício de transporte em território nacional.
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Inscrições em alfabeto cirílico de aeronave fabricada na extinta União Soviética, abandonada em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Cacá Trovó/EPTV
Em 2007, após a apreensão, a Receita Federal determinou a destinação do jato à Escola de Engenharia de São Carlos, da USP.
Em 2013, o Clube Náutico Água Limpa ganhou na Justiça uma ação que considerou a ação de apreensão irregular, ao afastar o argumento de que a aeronave não estava regularmente nacionalizada.
Em 2018, o clube ajuizou uma nova ação pedindo uma indenização de R$ 1,5 milhão na Justiça Federal, bem como R$ 280 mil para remover as peças da aeronave do aeroporto, mas o processo ainda não teve uma decisão definitiva.
“A apreensão da aeronave foi reconhecida como ilegal pelo Poder Judiciário, tendo sido anulados tanto o processo administrativo, quanto a pena de perdimento anteriormente aplicados pela União Federal”, informou a entidade, por meio de nota enviada por seus advogados.
Em meio a esse impasse judicial, a aeronave permanece há mais de 20 anos em uma área atrás da base do Corpo de Bombeiros, no Aeroporto Leite Lopes e teve a estrutura desgastada pela exposição e pela ação do tempo, perdendo valor comercial.
“Ele precisa primeiro ser desmontado para depois poder ser embalado para transporte. A desmontagem, a embalagem de um avião desse e o transporte não é uma tarefa simples tampouco barata. A Universidade de São Paulo não tem recursos pra fazer um projeto desse tamanho. Estamos buscando já faz bastante tempo, mas até agora não logramos êxito em conseguir recursos para fazer essa transferência para o campus da universidade”, afirma Waterhouse.
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Aeronave fabricada na extinta União Soviética foi parar no interior de São Paulo após pouso de emergência de voos com associados de clube náutico. — Foto: Cacá Trovó/EPTV




