
1A Cia Les Trois Clés estreia no Rio de Janeiro o espetáculo Hystera, em curta temporada no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, entre os dias 9 de abril e 1º de maio. Com direção e dramaturgia de Eros P Galvão e apoio da FUNARJ, a montagem parte da história de uma mulher em trabalho de parto — onde cuidado e controle se confundem — para desenvolver uma narrativa visual e sensorial.
Em cena, a personagem é atravessada por memórias e violências, criando figuras híbridas e corpos fragmentados que tensionam questões como autonomia, maternidade e poder. Inspirado na palavra grega hystéra (“útero”), o espetáculo constrói uma dramaturgia imagética que conduz o público por um universo onírico, articulando teatro de animação, linguagem corporal e música. A obra propõe reflexões sobre maternidade, saúde mental e violência de gênero, além de questionar o controle histórico sobre o corpo feminino.
Hystera emerge de uma pesquisa de dois anos, atravessada por investigações sobre corpo, imagem e estados de consciência. Seu primeiro desdobramento cênico surgiu na cena curta “República de Aiag”, apresentada em 2023 no Seminário “Caminhos Junguianos – O corpo em movimento”, na Universidade Federal de São João del-Rei — um contexto em que as relações entre psique, símbolo e gesto operaram como disparadores fundamentais da criação.
Ainda em 2023, o trabalho estreou como espetáculo no Circuito Cultural UFMG, em Belo Horizonte. A escuta sensível do público — marcada por relatos de identificação e reconhecimento — atuou como força propulsora para o aprofundamento da obra, que passou a expandir suas camadas dramatúrgicas e eixos de investigação. Ao longo desse percurso, Hystera se consolidou como uma criação que tensiona os limites entre o íntimo e o político, entre o corpo vivido e o corpo atravessado por dispositivos de controle.
Segundo Eros, a dramaturgia nasce de um impulso presente em sua pesquisa há mais de 20 anos: a construção plástica que emerge dos bonecos e da elaboração visual, em diálogo com a música e com a dança. O trabalho articula o teatro de formas animadas com uma abordagem corporal, situada no limiar entre teatro e dança. A pesquisa ganhou novos contornos a partir da experiência de isolamento durante a pandemia da COVID-19, período em que o contato físico foi abruptamente interrompido, aprofundando as investigações sobre presença e ausência em cena.
A encenação privilegia o gesto como elemento central, em uma escrita que se constrói para além da palavra. Com forte dimensão visual, o espetáculo convida o público a uma experiência sensorial, abrindo espaço para reflexões sobre silenciamentos, abusos de poder e os estigmas associados ao papel da mulher na sociedade. A montagem dialoga com os universos de Margaret Atwood, Mary Shelley e Nise da Silveira, especialmente na construção de imagens e na articulação entre arte e subjetividade.

Contrapartida
Após as apresentações, nos dias 16 e 23 de abril, serão realizados bate-papos com o público, criando um espaço de escuta, troca e reflexão sobre os temas abordados no espetáculo.
Sinopse
Uma mulher grávida, prestes a dar à luz, transita entre imagens do feminino que oscilam entre a santidade e a histeria. Isolada por um médico que a considera delirante, é submetida a manipulações que geram distorções humanas. Em um ambiente povoado por figuras e sombras, a personagem constrói estratégias para elaborar e superar os abusos sofridos.
Sobre a Cia Les Trois Clés
Eros P Galvão é diretora, dramaturga, atriz e pesquisadora em teatro de formas animadas. Fundadora da Cia Les Trois Clés, criada em 2006 na França em parceria com o artista chileno Alejandro Nuñez, desenvolve há mais de duas décadas uma investigação artística que articula corpo, imagem e matéria em cena. A companhia cria um teatro que mistura corpo, bonecos, música e movimento, apostando em experiências sensoriais e expressivas que dialogam com temas contemporâneos e humanistas.
Com início de trajetória na Europa, sua pesquisa encontrou no Brasil um campo expandido de experimentação e diálogo, consolidando-se por meio de processos de circulação, intercâmbio e criação continuada. Eros assina a direção, dramaturgia e atuação de todo o repertório da companhia — Hystera, Re-tratos, O Último Passeio de Buster Keaton, Macondo, A Gigantea e Silêncio. Essas obras ganharam vida em festivais na Europa, Ásia, Nova Caledônia, Chile e Brasil. Em parceria com a Amnistia Internacional, os espetáculos da Cia Les Trois Clés já circularam por diversos países, conquistando público e crítica.

A Gigantea, apoiado pela Amnistia Internacional França (2014), recebeu o prêmio de melhor espetáculo no Festival de Avignon e percorreu o Brasil em circuitos como SESC Palco Giratório e SESI Viagem Teatral. Já Re-tratos foi uma das cenas mais votadas no Festival Cenas Curtas do Galpão Cine Horto em 2019.
Eros é licenciada em Estudos Teatrais pela Sorbonne-Nouvelle (Paris III), formada em Teatro de Animação pela ESNAM (Charleville-Mézières) e em mímica pela Escola de Mímica Corporal Dramática de Paris. Sua trajetória inclui ainda formações em acrobacia aérea, dança e piano. Atuou em importantes companhias francesas — Cirque Baroque, Footsbarn Theater, Le Préau – Centro Nacional Dramático de Vire e Cirque Romanès — e lecionou acrobacia aérea e teatro em instituições como a Académie Fratellini e a École des Arts de la Piste de Boulogne-Billancourt.
Atualmente, colabora com o coletivo Artilharia Cênica, assinando direção e dramaturgia do espetáculo HA!, de Belo Horizonte. Suas obras transitam entre o teatro, a dança e as artes visuais, abordando temas ligados à subjetividade, à memória e às questões de gênero, sempre privilegiando a experiência sensorial e a potência das imagens
A artista Eros P. Galvão, que divide sua trajetória entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro, retorna à cena carioca com esta montagem ao lado do ator-performer Dirr.
Ficha técnica:
Direção e dramaturgia: Eros P Galvão
Assistentes de direção: Alejandro Nuñez e Brenda Villatoro
Elenco: Diirr e Eros P Galvão
Colaboração artística: Andrea Cruz (coreografia) e Cora Rufino (manipulação de bonecos)
Trilha sonora: Gabriel Ventura
Sonoplastia: Dori Santana
Iluminação: João Gaspary
Construção de bonecos: Lu Antunes
Bonecos em miniaturas – sombras: Alejandro Nunez
Figurino: Maia Flores
Visagismo: Maria Adélia
Cenografia: Mauro Carvalho
Operação de luz: Maia Flores
Operação som: Alejandro Nuñez
Produção: Géssica Santiago
Fotografia: Denise Coelho e Lu Antunes
Coordenação de comunicação: Daniel Barboza | incerta
Assessoria de imprensa: Alessandra Costa
Agradecimentos:
Ana Teixeira, Adriana Rolin, Felipe Conceição, Lucas Aba, Grupo Escultura que Mexe de Belo Horizonte, Espaço Mistura Gente (RJ) – Romero M
Serviços
Espetáculo Hysteria
9 de abril a 1º de maio, quintas e sextas às 20h
Teatro Gláucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana, Rio de Janeiro
Apoio FUNARJ
Duração: 50 minutos
Classificação etária: +14 anos
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)



