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Cecil Thiré, o ator que parou o Brasil em 1995

Cecil Aldary Portocarrero Thiré nasceu em 28 de maio de 1943 no Rio de Janeiro. Ele foi o filho único do casamento entre a atriz Tônia Carrero e o artista plástico Carlos Arthur Thiré. Uma de suas últimas aparições em público foi durante o velório de sua mãe, que morreu em março de 2018 após uma parada cardíaca.

Thiré seguiu a tradição artística da família desde a adolescência e trabalhou com teatro, cinema e televisão. O primeiro curta-metragem que dirigiu foi “Os Mendigos” aos 19 anos.

São muitos os trabalhos de Cecil Thiré no teatro, no cinema e na televisão. Adalberto Vasconcelos, o misterioso assassino de “A Próxima Vítima”, surpreendeu o público no último capítulo da novela exibida há 25 anos.

“O senhor está preso, Sr. Adalberto Vasconcelos.” – A fala de Paulo Betty, que interpretava o destemido detetive Olavo, ecoou pelo país  às oito da noite no dia 03 de novembro de 1995. Depois de longos oito meses de suspense, o autor Sílvio de Abreu revelou o mistério de uma das novelas mais icônicas da televisão. O assassino do opala preto finalmente mostrava sua versão para explicar os crimes cometidos durante a trama. A cena brilhante trazia Cecil Thiré como protagonista.

A novela “A Próxima Vítima” era um thriller policial em que o público não sabia quem iria morrer, porque iria morrer e quem iria matar. Era um quebra-cabeças denso e com ótimas performances dos atores e da direção. Pelas ruas de São Paulo, um opala preto sempre aparecia quando alguma personagem iria sair da trama. A cada mês, uma morte… e não era qualquer morte! As cenas, repletas de ação e suspense, provocavam o público. Teve atropelamento, tiro à queima-roupa, empurrão na linha do trem e até no poço de um elevador. Bem distante dos crimes estava uma personagem que falava pouco, observava muito e, quando se expressava, carregava um pouco de cinismo. Era Adalberto Vasconcelos, o ex-marido de Carmela (Yoná Magalhães), uma das poderosas Irmãs Ferreto. Ele havia matado Giggio Giangelis (Carlos Eduardo Dolabella) em 1968 e matou também as sete testemunhas que se abstiveram de prestar depoimento sobre essa morte.

O serial killer também tirou da novela Ulisses Carvalho (Otávio Augusto – seu cúmplice) e Eliseo Giardini Gianfrancesco Guarnieri – (o chantagista que sabia de tudo). Com esse enredo, a novela entrou para o ranking das mais memoráveis da televisão e Cecil ficou marcado por um grande papel.

Na televisão, o filho de Tônia Carreiro foi Alex Kundera, o irmão vilão da novela “Top Model”. Ele obrigava suas modelos da confecção Covery a terem um relacionamento público com ele por status e domínio. As icônicas cenas com Suzy Rêgo e Malu Mader ainda estão no imaginário popular. Em “Roda de Fogo”, um de seus melhores momentos como outro assassino: o vilão Mário Liberato, que, no final, revela um misto de paixão, inveja e ódio pelo protagonista Renato Vilar (Tarcísio Meira). Em “Pedra sobre Pedra”, a veia cômica veio com o dentista e ex-prefeito Kléber Vilares, que fez de tudo para destruir a plantinha onde o fotógrafo Jorge Tadeu urinava todas as noites, rendendo cenas impagáveis.

Além de dirigir peças e filmes, o ator trabalhou em mais de 20 papéis em novelas como “O Espigão”, “Sol de Verão”, “Top Model” e “Celebridade”. Os maiores destaques foram nos papéis de Mário Liberato em “Roda de Fogo” e de Adalberto em “A Próxima Vítima”.

“O Diabo mora no sangue” e “O Ibrahim do subúrbio” são alguns dos filmes dirigidos por Thiré nos anos 60.

O ator e diretor Cecil Thiré morreu aos 77 anos no dia 9 de outubro deste ano. Ele luta contra o mal de Parkinson há alguns anos e estava em sua casa no Rio de Janeiro.

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