Ciência

Baleias tem alfabeto próprio e mostram que conversar não é só coisa de humano

Pesquisa do MIT revela que baleias cachalotes usam um alfabeto fonético complexo com vogais e ditongos, sugerindo uma inteligência social avançada

Por Joaquim Luppi, editado por Lucas Soares

 

Pesquisadores descobriram que as baleias cachalotes utilizam um sistema de comunicação altamente complexo, operando através de uma espécie de alfabeto fonético que se assemelha à fala humana. Essa rede de cliques rítmicos sugere uma capacidade de troca de informações muito mais profunda do que a ciência supunha anteriormente.

A jornada para decifrar a voz dos oceanos

De acordo com um estudo realizado por pesquisadores do MIT e do Projeto CETI, as cachalotes não emitem apenas sons aleatórios, mas utilizam uma estrutura combinatória de cliques para formar mensagens distintas. A análise de milhares de gravações permitiu identificar que esses animais organizam sua comunicação em unidades que funcionam de maneira análoga às vogais e ditongos da nossa própria linguagem.

Elementos fundamentais da fonética marinha

O que torna essa descoberta fascinante é a versatilidade das codas. Em vez de apenas repetir sons isolados, as baleias alteram a velocidade, o ritmo e a duração dos cliques para criar novos significados. Esse comportamento mostra que existe uma gramática subaquática que permite uma transmissão de informações rica e contextualizada dentro dos grupos sociais.

  • Rítmica: A organização temporal precisa entre os cliques que define o sentido da mensagem.
  • Tempo: A duração total de uma sequência, variando conforme o contexto da interação.
  • Ornamentação: Pequenos cliques extras adicionados ao final de uma frase sonora, agindo como modificadores.
O novo alfabeto das baleias que prova que elas conversam quase como os humanos
Estudo revela linguagem complexa entre cachalotes semelhante à fala humana – (Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)

Paralelos entre cliques e a fala humana

Abaixo, apresentamos uma comparação entre como os humanos estruturam frases e como as baleias organizam suas codas. A semelhança na complexidade estrutural é o que mais surpreendeu a equipe internacional de cientistas.

Linguagem Humana

Base estrutural: fonemas (letras e sons).
Combinação: palavras e frases organizadas.
Flexibilidade: alta, com criação constante de novos termos.

Alfabeto das Baleias

Base estrutural: cliques e codas.
Combinação: variações rítmicas e temporais.
Flexibilidade: alta, com sistema combinatório complexo.

Implicações para o futuro da biologia marinha

A existência dessa “internet submarina” de dados muda completamente nossa percepção sobre a senciência animal. Compreender que esses gigantes possuem ferramentas linguísticas para coordenar atividades complexas nos oceanos abre caminho para uma nova era de conservação e respeito pelas espécies marinhas. A inteligência artificial, que ajudou a revelar esse código, agora será a chave para tentarmos traduzir, no futuro, o que esses animais estão realmente dizendo uns aos outros.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/09/curiosidades/baleias-tem-alfabeto-proprio-e-mostram-que-conversar-nao-e-so-coisa-de-humano/

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