A disputa eleitoral em Israel ganhou novos contornos diante das acusações de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estaria usando a tensão com o Irã para fortalecer sua posição política. Às vésperas da votação para renovar as 120 cadeiras do Parlamento israelense, o Knesset, integrantes da oposição afirmaram que o premiê teria pressionado as Forças Armadas a realizar uma operação militar contra Teerã.
A denúncia foi divulgada pelo Canal 12 da televisão israelense, que relatou um confronto considerado sem precedentes entre Netanyahu e o chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir. Segundo a emissora, o comandante teria demonstrado resistência à possibilidade de uma ofensiva antes da votação, por avaliar que a medida poderia provocar uma nova escalada militar em um momento delicado para o país.
De acordo com a reportagem, Zamir teria solicitado discussões mais aprofundadas e documentos formais assinados pela liderança política antes de executar qualquer operação. Fontes militares citadas pela emissora também teriam manifestado preocupação com a possibilidade de a questão iraniana ser utilizada para impulsionar politicamente o primeiro-ministro.
Oposição critica possível uso político das Forças Armadas
O ex-chefe do Estado-Maior e líder da oposição centrista, Gadi Eisenkot, criticou a possibilidade de o Exército ser envolvido em uma estratégia eleitoral. Em manifestação nas redes sociais, ele advertiu Netanyahu a não colocar interesses políticos acima da segurança nacional.
O ex-primeiro-ministro Yair Lapid também reagiu às informações e defendeu que Netanyahu deixe o cargo. Já o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, antigo aliado do premiê, pediu uma investigação sobre a conduta do chefe de governo.
O ministro da Defesa, Israel Katz, saiu em defesa de Netanyahu e classificou como falsas as informações sobre divergências entre o governo e o comando militar. Ele afirmou que não havia intenção de atacar o Irã antes das eleições.
Irã no centro da campanha eleitoral
Nas semanas anteriores à votação, Netanyahu intensificou suas declarações sobre o que considera uma ameaça representada pelo governo iraniano. Em uma publicação na rede social X, o premiê compartilhou uma imagem de uma nuvem semelhante a uma explosão nuclear sobre Tel Aviv, acompanhada de uma mensagem que apresentava o Irã como uma ameaça existencial a Israel.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também reiterou seu apoio a Netanyahu e voltou a defender uma mudança de regime em Teerã. A aproximação entre os dois líderes reforça o peso da política externa e da segurança regional no debate eleitoral israelense.
A imprensa também havia noticiado a possibilidade de Trump ter rejeitado uma proposta de ataque conjunto ao Irã apresentada por Netanyahu. A informação, porém, circulou como relato de bastidores e não foi confirmada oficialmente.
Teerã diz que resultado da eleição não muda sua posição
O governo iraniano afirmou que o resultado da eleição israelense não faria diferença para sua relação com o país. Segundo um porta-voz da diplomacia de Teerã, a posição iraniana permaneceria a mesma independentemente de quem assumisse a liderança do governo israelense.
A votação ocorre em meio a um cenário de incerteza política. Pesquisas citadas pela imprensa indicavam disputa acirrada entre o bloco de direita liderado por Netanyahu e a coalizão opositora ligada a Eisenkot. Nenhum dos grupos aparecia com apoio suficiente para garantir sozinho a maioria parlamentar necessária à formação do governo.
As acusações sobre uma possível operação militar contra o Irã acrescentaram um novo elemento à disputa, ao levantar questionamentos sobre a relação entre decisões de segurança nacional e interesses eleitorais. Netanyahu e seus aliados negam que exista uma iniciativa militar planejada para influenciar a votação.





