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‘A arte muda uma vida’, afirma Reinaldo Caó

Núcleo Cultural Casa de Caó leva arte à comunidade do Tangará

Em meio a um cenário de pandemia do novo coronavírus, a arte traz nova luz para a cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos. No dia 13 de novembro, sexta-feira, às 16h, será inaugurado o Núcleo Cultural Casa de Caó no bairro Tangará. O artista responsável Reinaldo Caó afirma que a arte mudou sua história. Agora, Caó busca oferecer a mesma oportunidade aos jovens conseguindo o apoio de diversos artistas do cenário nacional para trazer de volta um projeto social de grande relevância na Região.

Consciente do momento de prevenção que estamos vivendo, de acordo com Caó, será uma grande festa, mas todos os protocolos de Saúde serão rigidamente respeitados. No dia da inauguração a rua será fechada, e a entrada no recinto será controlada, de 7 em 7 pessoas por vez. Cada grupo que entrar vai encontrar uma atmosfera inebriante de arte e cultura. O coquetel de abertura da exposição terá música ambiente com uma cantora local que possui vasto repertório de MPB.

A exposição de inauguração conta com um acervo de mais de 60 obras de artistas relevantes no cenário nacional e local, como Clóvis Péscio de Piracicaba, e Kolley Nardi também de São Paulo. Também faz parte da exposição a obra Menina Tocando Flauta, primeira tela recebida por Caó, de autoria de Cláudio Morgilli. Além da pintura realista da artista argentina Valentina Chiaparra e muito mais.

O artista, que vive pela pintura, conta que doou o espaço para poder levar a arte até a periferia. “Minha casa foi doada para o Núcleo Cultural Casa de Caó, onde irei oferecer cursos, e a Casa de Caó, no Park burle é onde eu pinto. O espaço que estamos inaugurando no Tangará vai atender todas as classes, visitantes e moradores locais e adjacências. Meu propósito é levar artes de qualidade para a periferia. Esse é o trabalho de um artista, que saiu da periferia, e sabe que a arte muda a vida, traz disciplina e auto estima. Vai ficar um espaço nobre na periferia”, destaca.

Reinaldo, que se encontra nos preparativos finais para a inauguração busca empresas do ramo de segurança para auxiliar neste projeto social, já que no local estarão obras de artistas de nome no cenário nacional e internacional.

Caó conta como nasceu a ideia, em plena pandemia, de criar um espaço que leve a arte até as periferias. “A Casa de Caó nasceu num momento que fiquei sem espaço na cidade para trabalhar, em anexo à minha residência no Parque Burle, tive a ideia de dar curso na garagem e receber amigos para uma resenha, comer e saborearmos um vinho, comecei a fazer pratos comissionados, para até 6 pessoas, frutos do mar e um cardápio caipira, porém veio a pandemia e perdi alunos e cancelei jantares. Foi aí que nessa crise, em casa, sem vontade de pintar, tive uma ideia,  liguei para um dos maiores paisagistas brasileiro da atualidade Mauro Ferreira, que é de Belo Horizonte e hoje se encontra em São Paulo,  e contei dos meus planos, falei do Tangará que tenho uma casa lá e queria transformar num núcleo cultural, e perguntei a ele como que eu faria para adquirir uma obra dele. Ele me disse: Nesse momento estou trabalhando para uma exposição para o museu São Paulo, mas assim que der eu vejo algo para você, e você só pagará o envio da obra. Fiquei pasmo e maravilhado. Não conseguia falar, foi aí que tive coragem de ligar para outros”, conta emocionado.

Conforme discorre Reinaldo Caó, foi esta rede de conexão entre artistas que levou ao acervo rico e variado. “Liguei para José Rosário, um dos melhores da atualidade, e ele me disse a mesma coisa, foi efeito dominó, e a primeira obra que recebi em minha casa foi de um gigante em dois sentidos, Cláudio Morgilli. Ele foi o primeiro a agraciar a casa com essa belíssima obra. Morgilli está na galeria dos meus artistas prediletos, não só em generosidade mas em talento único.  Foi assim que hoje o acervo conta com mais de 60 obras”.

O artista aponta que o espaço estará aberto para cursos destinados especialmente para as classes menos favorecidas. A Casa funcionará em horário comercial aos finais de semana, e durante a semana, apenas com agendamento. Caó afirma ainda que serão realizadas exposições temáticas e permanentes, com visitas guiadas e pré-agendadas.

Sobre Reinaldo Caó

O artista que começou na Região dos Lagos e hoje é conhecido internacionalmente, tem origens humildes e já morou na rua. Mas, segundo seu relato, a arte foi um grande divisor de águas em sua história e o tirou de caminhos violentos. “Eu costumo dizer que quando comecei a pintar, foi do nada. Porque além de não ter tido uma referência, também não tive acesso a livros e informações culturais. Eu fiz parte do curso da pintora paulista chamada Carlota Marsiglio. Eu ia todos os dias, isso me afastou das drogas. A arte me trouxe noções de cidadania, conhecimento, me fez viajar para fora do país”, relata.

Reinaldo hoje afirma: “Eu vivo de arte”.  E até sua casa no bairro Parque Burle, Rua M, nº 30, foi transformada em um espaço de aprendizado de cultura. Lá, ele tem em anexo seu ateliê.

Reinaldo Caó também é o gestor de uma galeria de arte aberta ao público no Shopping Park Lagos, que conta com o artista pintando novos quadros ao vivo todo domingo. “Lá temos também 18 artistas novos da periferia de Cabo Frio, como Fabi Nascimento, Aline Lobo, Valentina, Franciscone, Frazão. Temos feras consagrados também como Manoel Plácido, Ivan Amorim. Temos também um casal de 90 anos Seu José Medeiros, que trabalha com mandalas, e Dona Meli Limp, que ainda pinta. Temos obras de Fátima Carioli, Odila Onoda, Vilma Guimarães e Seu Elso Cravo, que é meu braço direito na galeria. As obras já estão à venda, e parcelamos no cartão. Também trabalhamos com obras por encomenda, para quem quiser ter sua casa, seu sítio, sua cidade, registrado em tela”.

 

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