O presidente de Israel, Isaac Herzog, reconheceu oficialmente nesta quarta-feira (4) o resultado das eleições parlamentares realizadas em 27 de outubro e iniciou as consultas com representantes dos partidos para definir a formação do próximo governo.
A decisão ocorre em meio a um cenário de impasse político. Nem o bloco do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, nem o grupo liderado pelo principal adversário, Gadi Eisenkot, conquistou sozinho a maioria necessária no Parlamento israelense, o Knesset.
Herzog recebeu os resultados certificados pela Comissão Central Eleitoral e afirmou que dará início às conversas com as diferentes legendas para identificar quem reúne melhores condições de formar uma coalizão governista.
Netanyahu perde maioria parlamentar
A apuração final apontou que o bloco ligado a Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento. A oposição obteve 48 assentos, enquanto os partidos árabes somaram 19 representantes, alcançando uma participação histórica.
Para formar um governo, são necessários pelo menos 61 votos no Knesset. A configuração obriga os grupos políticos a negociar alianças com partidos menores e pode abrir espaço para diferentes composições parlamentares.
O presidente israelense pediu flexibilidade aos líderes partidários e afirmou que nem todos os compromissos assumidos durante a campanha poderão ser mantidos. Herzog também defendeu que as negociações priorizem a estabilidade política e evitem a realização de uma nova eleição.
Comissão eleitoral não encontrou fraude
O reconhecimento oficial dos resultados representa um revés para as acusações de fraude eleitoral feitas por Netanyahu e aliados. A Comissão Central Eleitoral informou que uma análise das atas de 9.069 seções de votação não identificou irregularidades capazes de comprometer a integridade do pleito ou alterar o resultado.
Uma investigação separada do serviço de inteligência interna, o Shin Bet, sobre possíveis interferências estrangeiras continua em andamento. Até o momento, porém, as autoridades eleitorais afirmam não haver evidências de que eventuais interferências tenham mudado o resultado da votação.
Herzog declarou confiar nas instituições responsáveis pela investigação, mas condenou manifestações racistas contra a população árabe-israelense e alertou para os riscos de questionamentos sem provas à legitimidade do processo eleitoral.
Próximos passos para a formação do governo
As consultas com os representantes dos partidos começaram nesta quarta-feira e devem continuar nos próximos dias. Depois de ouvir as legendas, Herzog escolherá um parlamentar para receber a missão de formar o novo governo.
O indicado terá inicialmente 28 dias para construir uma coalizão, com possibilidade de prorrogação de até 14 dias, conforme a legislação israelense.
Caso não consiga reunir apoio suficiente, a tentativa poderá ser transferida a outro parlamentar. Se as negociações fracassarem, Israel poderá convocar novas eleições no início de 2027.
Enquanto isso, Benjamin Netanyahu permanece no cargo de primeiro-ministro até a formação e posse de uma nova administração.





