O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. O imóvel é alvo de uma disputa judicial entre o atacante Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A restrição foi incluída na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em 26 de outubro e registrada pelo cartório de Angra dos Reis dois dias depois. A medida atinge bens da WT Administração de Imóveis e Bens, empresa vinculada a Willer Tomaz, em cujo nome consta o registro da propriedade.
O bloqueio impede que o imóvel seja vendido ou transferido enquanto a restrição estiver em vigor. A decisão, porém, não representa a transferência da posse para Richarlison nem encerra a disputa judicial sobre os direitos relacionados à área.
Imóvel é alvo de disputa há anos
Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação da propriedade, durante a pandemia, em 2020. Segundo o jogador, a negociação foi realizada com antigos ocupantes, e os valores também envolveram reformas e despesas com segurança.
O atacante acusa Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro de terem obtido a posse do imóvel sem ressarcir o investimento realizado. O senador, por sua vez, nega ter qualquer vínculo com a propriedade. Já o advogado sustenta que a aquisição ocorreu de forma legal e contesta as acusações do atleta.
A controvérsia envolve direitos de ocupação de uma área da União, além de decisões judiciais e procedimentos de regularização junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
Bloqueio ocorre em investigação sobre apostas
A indisponibilidade do imóvel foi determinada no contexto de uma investigação conduzida no STF que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas online.
Willer Tomaz é investigado no caso. Segundo informações divulgadas pela imprensa, movimentações financeiras do advogado apontaram apostas de aproximadamente R$ 5 bilhões em uma única plataforma durante 2025.
Flávio Bolsonaro também é citado na investigação. O senador nega irregularidades. As suspeitas ainda dependem de apuração e não representam, por si só, comprovação de crime.
Disputa continua na Justiça
A briga pela propriedade ganhou repercussão nacional depois que Richarlison publicou documentos e relatos nas redes sociais, afirmando ter comprovantes da negociação e questionando a transferência dos direitos sobre o imóvel.
Em outra decisão relacionada ao caso, a Justiça negou um pedido de Willer Tomaz para obrigar o jogador a apagar publicações sobre a disputa.
Com a nova determinação de Alexandre de Moraes, a mansão permanece indisponível para negociações. A discussão sobre quem tem direito à posse e à ocupação da propriedade, entretanto, continua dependendo das decisões judiciais.





