As eleições legislativas em Israel terminaram sem que nenhum dos principais blocos conquistasse maioria suficiente para formar governo sozinho, aumentando a incerteza política no país. Entre os palestinos, o resultado é recebido com preocupação diante do temor de que a violência e as restrições nos territórios palestinos continuem, independentemente de quem assuma o próximo governo.
Em Gaza, devastada pela guerra entre Israel e o Hamas, moradores manifestaram receio de que a disputa política resulte em novas ações militares e mais destruição. Na Cisjordânia ocupada, a intensificação da violência de colonos israelenses e as operações militares também alimentam o pessimismo sobre uma mudança concreta na situação da população palestina.
Abbas espera retomada das negociações de paz
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quinta-feira (29), durante visita a Nicósia, capital do Chipre, esperar que a formação do novo governo israelense abra espaço para a retomada de um diálogo político sério e para avanços nas negociações de paz.
Abbas disse que os palestinos atribuem grande importância à segurança e à estabilidade no Oriente Médio e reiterou a defesa de uma solução abrangente para o conflito. As negociações diretas entre israelenses e palestinos estão paralisadas desde 2014, e questões como as fronteiras, o status de Jerusalém, os assentamentos israelenses e a criação de um Estado palestino continuam sem solução.
Eleição não define maioria para governar
Com quase 99% dos votos apurados, o bloco liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu somava 53 cadeiras, enquanto a coalizão de seu principal adversário, Gadi Eisenkot, tinha 48. Os partidos árabes israelenses conquistaram, juntos, 19 assentos, resultado que pode torná-los decisivos nas negociações para a formação do novo governo.
A definição dependerá de alianças entre as forças políticas. O impasse abre diferentes possibilidades, incluindo a formação de um governo de coalizão ou de uma administração minoritária.
Palestinos não esperam mudanças imediatas
Apesar da possibilidade de mudança na composição do governo israelense, moradores palestinos ouvidos pela agência AFP demonstraram pouco otimismo. O receio é que a orientação política predominante em Israel continue dificultando avanços na questão palestina.
Analistas também avaliam que uma eventual troca de governo não significaria, necessariamente, uma mudança profunda na política para Gaza e a Cisjordânia. A expansão dos assentamentos, a violência de colonos e as divergências sobre a criação de um Estado palestino permanecem entre os principais pontos de tensão.
Negociações dependem de acordos políticos
A expectativa de Abbas por um diálogo renovado contrasta com o cenário de polarização política e com a ausência de avanços nas negociações de paz nos últimos anos. A formação do novo governo israelense será determinante para definir as prioridades diplomáticas e a possibilidade de retomada das conversas.
Enquanto as articulações políticas continuam, a população palestina segue enfrentando os efeitos do conflito, incluindo deslocamentos, restrições de circulação e insegurança. A composição do próximo governo poderá influenciar os rumos da relação entre israelenses e palestinos, mas ainda não há indicação de que as negociações de paz serão retomadas em curto prazo.





