A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deram início nesta quinta-feira (1º) à Operação Escola de Papel. Esta ação visa cumprir 19 mandados de busca e apreensão em uma investigação que apura fraudes nos contratos de obras e serviços da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc-RJ).
O foco das investigações recai sobre Roberta Barreto de Oliveira, ex-secretária de Educação, suspeita de liderar desvios de recursos relacionados a contratações de reformas de escolas estaduais entre 2024 e 2025.
Segundo as autoridades, o prejuízo estimado pode chegar a 1,6 bilhão de reais.
Além de Roberta, outros alvos incluem Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, um capitão do Corpo de Bombeiros e genro da ex-secretária; David de Andrade Marinho Filho, que foi subsecretário de Gestão Administrativa; e Fabio Martins Pereira, identificado como operador financeiro da organização criminosa. Até às 15h, os envolvidos ainda não haviam se pronunciado sobre as acusações.
A investigação revela que licitações foram direcionadas em favor da MCK Reformas e Construções Ltda, que, segundo os registros, recebeu cerca de R$ 6 milhões em contratos, dos quais R$ 4 milhões foram repassados a Fabio Martins Pereira. Um dos episódios que chamou a atenção dos investigadores ocorreu no dia 16 de janeiro, quando Marcos José Mendes Ferreira, dono da MCK Reformas, foi flagrado tentando sacar R$ 500 mil em espécie. Curiosamente, o veículo utilizado para o transporte do dinheiro estava registrado em nome de Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie, levantando suspeitas sobre o esquema.
Roberta Barreto, concursada e professora em Duque de Caxias, entrou para a carreira pública em março de 1998. Em sua trajetória, passou por várias funções no governo estadual, incluindo uma participação na Secretaria de Governo (Segov) em 2021 e 2022, onde foi superintendente da Marcha pela Cidadania e Ordem e integrou o programa RJ para Todos.
Sua chegada à Secretaria de Educação em março de 2023 ocorreu sob a influência do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar.
Ela se manteve no cargo até fevereiro deste ano.
A operação visa reunir novas provas e esclarecer quem são os beneficiários dos desvios financeiros. De acordo com o MPRJ e a Polícia Civil, apenas em 2025, a MCK Reformas recebeu mais de 11 milhões de reais em recursos públicos, grande parte sacada em dinheiro vivo.
A empresa, que funcionava em um endereço residencial, não registrava empregados nem tinha um histórico que justificasse a contratação para grandes obras.
Em resposta à investigação, a Secretaria estadual de Educação informou que já está revisando contratos e procedimentos de obras, buscando fortalecer os mecanismos de controle. Além disso, foi estabelecido um limite de R$ 130 mil para serviços de manutenção, para que intervenções maiores fossem atribuídas à Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ).
A Secretaria reafirmou seu compromisso de colaborar com os órgãos responsáveis e continuar a aprimorar os mecanismos de controle do uso dos recursos públicos.





