O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta terça-feira (22) as ações militares americanas contra o Irã e fez críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da entidade, em Nova York.
Trump também abordou temas como combate ao narcotráfico, Cuba, Groenlândia e inteligência artificial. Durante a fala, afirmou ainda acreditar que os Estados Unidos poderão chegar a um acordo com o Irã após as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
Trump defende ofensiva contra o Irã
Na abertura do discurso, Trump destacou o desempenho de seu governo e a posição dos Estados Unidos no cenário internacional.
“Os EUA estão de volta. Nosso país está mais forte hoje do que jamais esteve. Nossa economia faz a inveja do mundo, nossos militares são os mais poderosos do mundo, nossa tecnologia não tem rivais”, afirmou.
Ao tratar do Irã, o presidente voltou a defender a ofensiva militar americana e disse que as ações teriam impedido o país de obter uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, sinalizou que ainda considera uma saída diplomática.
Trump afirmou que um acordo poderia ser alcançado depois das eleições de novembro. Em um dos momentos mais duros do discurso, questionou se deveria negociar com o governo iraniano ou “aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente”.
A delegação iraniana deixou o plenário durante a fala de Trump, segundo a Associated Press.
Cartéis e Cuba
O presidente americano também abordou o combate ao narcotráfico no continente. Trump afirmou ter classificado cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e comparou esses grupos ao Estado Islâmico.
“Os cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental”, declarou.
Sobre Cuba, Trump afirmou que o regime comunista enfrenta forte pressão e disse considerar uma “mudança radical” na ilha. Segundo ele, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participa das negociações com autoridades cubanas.
Trump também relacionou o combate aos cartéis à situação do México e declarou que “a liberdade irá a Cuba e também irá ao México”.
Groenlândia volta ao discurso
A Groenlândia também foi mencionada pelo presidente americano. Trump afirmou que os Estados Unidos receberam autorização para atuar na segurança do território e disse que Washington fará “o necessário” para proteger o continente americano e a Europa.
O tema ocorre em meio às negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia sobre segurança na ilha. Um acordo previsto para esta semana deve ampliar a presença militar americana no território e limitar a atuação de adversários geopolíticos.
Trump também afirmou que, enquanto estiver na Presidência, não haverá impostos globais.
Durante o discurso, o presidente americano ainda criticou o Tribunal Penal Internacional (TPI), que classificou como uma instituição “anti-americana”.
Inteligência artificial
A inteligência artificial foi outro tema abordado por Trump. O presidente afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China no desenvolvimento da tecnologia e minimizou os alertas sobre possíveis riscos.
Trump passou a utilizar o termo “superinteligência” para se referir ao avanço tecnológico.
O presidente disse que novas tecnologias sempre apresentam desafios e comparou os atuais alertas sobre a IA a previsões anteriores relacionadas às mudanças climáticas. Segundo Trump, os Estados Unidos precisam manter a liderança tecnológica diante da China.
Discurso de Lula
A fala de Trump ocorreu depois do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tradicionalmente abre a Assembleia Geral da ONU.
Lula defendeu a soberania dos países e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O presidente brasileiro também declarou que o país não pretende “terceirizar” o combate ao crime organizado.
O discurso de Trump durou mais de 30 minutos, aproximadamente o dobro do tempo solicitado pela organização da Assembleia Geral.
A reunião deste ano ocorre em meio a conflitos internacionais, debates sobre o futuro da ONU e discussões sobre os impactos da inteligência artificial. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em uma de suas últimas participações no cargo, alertou para os riscos associados à tecnologia e afirmou que a inteligência artificial representa uma ameaça potencial para a humanidade.





