A quantidade de matéria orgânica transportada diariamente pelo Rio Tietê caiu de 218 toneladas, em 2024, para 154 toneladas, em 2026, segundo levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
A redução foi de 64 toneladas por dia, o equivalente a 29,4% em dois anos. Apesar da melhora, metade dos pontos de monitoramento ainda apresenta qualidade da água classificada como ruim ou péssima.
A análise, que considera o período de 2023 a 2026, aponta avanços principalmente no trecho do rio que atravessa a Região Metropolitana de São Paulo.
Qualidade melhora em pontos da Grande São Paulo
O principal avanço foi registrado na Ponte dos Remédios, no trecho entre a foz do Rio Tamanduateí e a Barragem Móvel, após a foz do Rio Pinheiros. O Índice de Qualidade da Água (IQA) passou de 15, em 2024, para 23, em 2026.
Em Guarulhos, o índice subiu de 17 para 21 no mesmo período. Nos dois locais, a classificação passou de péssima para ruim.
Em 2026, dos 28 pontos de monitoramento do Tietê:
- 11 apresentam qualidade boa;
- 12 têm qualidade ruim;
- 2 registram qualidade péssima;
- 2 apresentam qualidade regular;
- 1 tem qualidade ótima.
O IQA é calculado a partir da combinação de nove variáveis, como turbidez, oxigênio dissolvido, carbono orgânico total, sólidos, nitrogênio e fósforo.
No Alto Tietê, dos cinco pontos avaliados, um apresentou melhora e quatro permaneceram estáveis.
Já no trecho entre a Barragem de Pirapora do Bom Jesus e Itapura, na foz do Tietê com o Rio Paraná, quatro pontos tiveram piora no índice e 13 ficaram estáveis. Em Bariri, não foi possível fazer a comparação porque não houve medição anterior.
Redução foi maior no último ano
A queda na carga de poluição se intensificou entre 2025 e 2026. Depois de passar de 218 toneladas por dia, em 2024, para 210 toneladas, em 2025, o volume chegou a 154 toneladas diárias em 2026.
Isso representa uma redução de 56 toneladas por dia em apenas um ano, ou 26,7%.
O resultado também ficou 19,8% abaixo da meta de 192 toneladas diárias estabelecida pelo Programa Integra Tietê.
Em um trecho de 300 quilômetros do Médio Tietê, entre Santana de Parnaíba e a entrada do Reservatório de Barra Bonita, em Botucatu, a concentração média de matéria orgânica caiu 15% entre 2024 e 2026.
A média de Carbono Orgânico Total (COT) passou de 14,8 miligramas por litro, em 2024, para 14,4 mg/l, em 2025, e chegou a 12,6 mg/l em 2026.
A redução foi registrada nos 19 pontos monitorados pela Cetesb. As maiores quedas ocorreram em:
- Botucatu: 37%;
- Tietê: 31,3% em um dos pontos do município;
- Pirapora do Bom Jesus: 21,9%.

Esgoto não tratado é uma das principais fontes
A matéria orgânica chega aos rios principalmente por meio do lançamento de esgoto doméstico não tratado. Em excesso, ela reduz o oxigênio disponível na água, provoca mau cheiro, prejudica a vida aquática e contribui para a degradação da qualidade do rio.
A secretária da Semil, Natália Resende, relaciona a redução da carga orgânica aos investimentos em saneamento.
“Os investimentos estão produzindo resultados concretos e a desestatização da Sabesp já está fazendo a diferença na melhoria ambiental do nosso principal rio, e também na saúde e qualidade de vida das pessoas. Ainda temos um longo caminho, mas há planejamento, recursos e determinação para avançar”, afirmou.
Segundo a secretária, desde a desestatização da Sabesp, em julho de 2024, a expansão dos serviços alcançou cerca de:
- 2,4 milhões de pessoas com abastecimento de água;
- 2,8 milhões com coleta de esgoto;
- 4,7 milhões com tratamento de esgoto.
No âmbito do Programa Integra Tietê, cerca de 4,5 milhões de pessoas foram conectadas à rede de esgoto, retirando mais de 10 bilhões de litros de esgoto por mês dos rios.
Resende citou municípios da Grande São Paulo que apresentavam baixos índices de tratamento. Guarulhos, por exemplo, tratava 5% do esgoto até 2019. A previsão é que a cidade alcance 78% até o fim de 2026 e universalize o serviço em 2029.
Segundo ela, municípios como Francisco Morato, Franco da Rocha e Cajamar, que não tratavam esgoto até 2022, atualmente apresentam índices entre 70% e 80%.
Novas estações e expansão da rede
O governo estadual prevê a construção de 11 novas estações de tratamento de esgoto até 2029, além da ampliação das quatro maiores unidades existentes.
Também estão previstos 2.400 quilômetros de novas redes de coleta. A capacidade de tratamento deve passar de 24 mil litros por segundo para 42 mil litros por segundo — aumento de aproximadamente 70%.
Afluentes também apresentam melhora
A concentração média de poluentes nos afluentes do Rio Tietê caiu de 26 mg/l, em 2024, para 23,7 mg/l, em 2025, e chegou a 20,1 mg/l em 2026.
A redução acumulada foi de 23% em dois anos e de 15,2% na comparação entre 2025 e 2026. O resultado de 2026 ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/l prevista pelo Programa Integra Tietê.
Entre os afluentes que apresentaram melhora estão:
- Rio Tamanduateí;
- Córrego São João do Barueri;
- Rio Cabuçu de Cima;
- Rio Aricanduva;
- Rio Cabuçu de Baixo;
- Ribeirão Perová.
A maior redução ocorreu no Córrego Lavapés, em Mogi das Cruzes. A concentração de poluentes caiu de 29 mg/l, em 2024, para uma média de 13 mg/l em 2025 e 2026 — melhora de 56%.
Também houve redução no Ribeirão Jaguari, em Itaquaquecetuba, de 31%, e no Córrego Três Pontes, no mesmo município, de 29%.
A Cetesb ampliou o monitoramento dos afluentes que deságuam no Tietê na Região Metropolitana. O número de pontos acompanhados passou de 11, em 2023, para 30 desde 2024. Desse total, 13 apresentaram redução na concentração de Carbono Orgânico Total.
Investimentos e ações ambientais
Desde o lançamento do Programa Integra Tietê, em 2023, o governo paulista afirma ter destinado mais de R$ 22 bilhões a ações de saneamento, desassoreamento, fiscalização, monitoramento, recuperação ambiental e qualificação das margens.
Entre as principais iniciativas estão:
Saneamento
Mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto desde 2023, beneficiando aproximadamente 4,5 milhões de pessoas.
Desassoreamento
Cerca de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados desde 2023, com investimentos de R$ 1,4 bilhão por meio da Agência de Águas de São Paulo (SP Águas).
O volume corresponde a 90% da meta de 7,2 milhões de metros cúbicos prevista até o fim de 2026. Em 2025, foram removidos 2,3 milhões de metros cúbicos dos rios Tietê e Pinheiros, o equivalente a 192 mil caminhões.
Retirada de lixo flutuante
No Rio Pinheiros, foram retiradas 147 mil toneladas de resíduos flutuantes desde 2023, com investimentos superiores a R$ 228,2 milhões.
Fiscalização
Desde março de 2025, a Cetesb realizou 591 inspeções, 1.386 coletas e análises laboratoriais e aplicou 127 penalidades, que resultaram em mais de R$ 14,7 milhões em multas.
A Polícia Militar Ambiental aplicou 252 autos de infração e cerca de R$ 521 mil em multas.
Recuperação ambiental
Cerca de 45 mil hectares estão em processo de recuperação ambiental com plantio de árvores, sendo 10 mil hectares em áreas de preservação permanente.
Nas nascentes do Tietê, em Salesópolis, são 60,9 hectares em recuperação. Já uma área de 350 mil metros quadrados às margens do rio deverá receber cerca de 40 mil árvores até 2028, após as obras de rebaixamento do Tietê entre a Barragem da Penha e a foz do Rio Pinheiros, na capital.





