Um homem que se passava por técnico de futebol para aplicar golpes em jogadores profissionais foi preso em flagrante na manhã desta quarta-feira (2), em Itaperuna, no Noroeste Fluminense. O suspeito foi localizado com munições durante a Operação Falso 9, realizada por policiais da 126ª DP (Cabo Frio) e da 143ª DP (Itaperuna), em parceria com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
O homem, que não teve a identidade divulgada, é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
Golpista criava relação de confiança com jogadores
As investigações começaram depois que quatro jogadores de um clube de Porto Alegre foram abordados por um número de telefone registrado em nome de outra pessoa e que usava, como foto de perfil, a imagem do técnico da equipe.
Em pelo menos um dos casos, o suspeito manteve contato com o jogador durante vários dias. Nas conversas, abordava assuntos relacionados à rotina do atleta, aos treinamentos e à família. Ele também pedia que a comunicação fosse mantida em sigilo.
Segundo a Polícia Civil, a estratégia tinha como objetivo conquistar a confiança das vítimas antes de fazer pedidos financeiros.
Golpe envolvia suposta doação de cestas básicas
Depois de estabelecer o vínculo com o jogador, o criminoso apresentou uma suposta campanha para a doação de cestas básicas a um grupo no Rio de Janeiro.
O atleta aceitou participar da iniciativa e foi informado de que deveria pagar mais de R$ 22 mil pela compra de 300 cestas. A transferência foi realizada em maio, e o dinheiro acabou enviado para uma conta bancária controlada pela organização criminosa.
Na sequência, o suspeito tentou aumentar o valor do golpe. Ele afirmou que outro jogador, que estaria fora do Brasil, também participaria da ação com a doação de 600 cestas, avaliadas em R$ 50 mil.
Para viabilizar a suposta doação, pediu que a primeira vítima antecipasse o dinheiro. O pagamento, porém, não foi realizado porque o valor ultrapassava novamente o limite bancário do atleta.
Outros três jogadores abordados pelo suspeito não chegaram a transferir dinheiro.
Polícia investiga lavagem do dinheiro
De acordo com a Polícia Civil, o esquema contava ainda com uma estrutura em Itaperuna utilizada para lavar os valores obtidos com as fraudes.
Inicialmente, o dinheiro seria depositado em contas bancárias de moradores do município e, posteriormente, encaminhado ao criminoso.
O trabalho de inteligência também identificou que o número usado nas abordagens havia mantido contato com outros jogadores ligados a clubes brasileiros, além de um atleta de uma equipe europeia e de um artista de grande popularidade nacional.
Suspeito já havia sido preso
Informações compartilhadas entre as forças de segurança apontam que o investigado possui histórico de atuação em clubes de futebol.
Ainda segundo a polícia, ele já havia sido preso em flagrante em 2024, por um crime semelhante.
A Operação Falso 9 busca aprofundar as investigações sobre a atuação do grupo e identificar outras possíveis vítimas e envolvidos no esquema.





