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Quase 57 mil pessoas foram mortas no estado do Rio de Janeiro entre 2015 e 2025, aponta Firjan

Estudo da federação sobre segurança pública também ressalta que casos de estelionato cresceram em todas as regiões fluminenses, no Noroeste Fluminense foram registrados 1.771 casos de estelionato, um crescimento de 386% em relação a 2015

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que, de janeiro de 2015 a dezembro de 2025, 56.838 pessoas foram mortas em território fluminense em decorrência de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de mortes, latrocínios e mortes por intervenções de agentes do Estado. O número supera a população de 56 dos 92 municípios do estado. Os municípios do Noroeste Fluminense registraram em 2025, o maior número de ocorrências da última década, com 106 casos e taxa de 31,2 por cem mil habitantes, ficando acima da estadual de 22,6.

As informações estão ressaltadas no “Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015 – 2025”, elaborado pela Firjan com o objetivo de entregar análise detalhada e contribuir com a elaboração de políticas públicas. Com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estudo é composto pelos indicadores de estelionato, extorsão, letalidade violenta, roubo e furto de veículos, roubo de carga e roubo de rua, crimes que afetam pessoas e empresas.

“Estamos entregando análise da última década e propondo um olhar específico para o que está acontecendo em cada região. Uma visão apenas dos dados consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança pública não combatam os crimes que, de fato, estão penalizando a população e prejudicando o desenvolvimento de cada localidade”, diz o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Também de acordo com a federação, a insegurança e a ilegalidade geram custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia fluminense.

No que se refere à letalidade violenta, Itaperuna, concentra o maior número de ocorrências, fechando 2025 com 51 casos, o maior registro da série histórica (2015-2025). A cidade registrou um crescimento de 684% na taxa, de 6,1 em 2015 (6 casos) para 47,5 em 2025. Com mais de 107,2 mil habitantes, o município encerrou o último ano com taxa mais que o dobro da média estadual. Santo Antônio de Pádua, o segundo mais populoso da região, teve queda de 35% na taxa de letalidade violenta, que em 2015 era de 31,6 por cem mil habitantes (13 casos) e passou 20,6 (9 casos) em 2025, ficando abaixo da média estadual.

Noroeste Fluminense apresenta alta nos casos de estelionato 

Entre os crimes analisados, o de estelionato, muito ligado aos meios digitais, teve 146.981 registros no estado do Rio de Janeiro em 2025 – crescimento de 313% em relação a 2015. Esse crescimento é espelhado em todos os 13 municípios do Noroeste Fluminense, que registrou 1.771 casos de estelionato e taxa de 520,7 por 100 mil habitantes, crescimento de 386% em relação a 2015, ritmo superior ao do estado, que cresceu 297% no mesmo período.

Todos os municípios da região registraram alta ao longo da série (2015-2025).  Itaperuna concentrou 41% dos registros da região em 2025, com 735 casos e taxa de 685,0, com alta expressiva de 51% entre 2024-2025. Bom Jesus do Itabapoana aumentou 43% em 2024–2025, com 293 casos, encerrando com taxa de 632,1. Itaocara encerrou 2025 com 193 casos e taxa de 816,2, crescimento de 785% ao longo da série e alta de 57% em 2024–2025. Santo Antônio de Pádua encerrou em 439,4, com crescimento mais moderado de 262% na série.

O crescimento para esse tipo de ocorrência acompanha a tendência nacional de expansão dos crimes financeiros e digitais. O movimento coincide com a consolidação do Pix e o avanço do comércio eletrônico.

Pelas demais regiões do estado, a Capital, com 73.657 casos, e o Leste Fluminense, com 23.509, foram os locais mais prejudicados em 2025, mas todas as regiões registraram alta no período 2015-2025, com a Centro-Sul (767%), a Centro-Norte (615%) e a região Serrana (497%) com os maiores aumentos.

Com relação à extorsão, o Noroeste Fluminense registrou em 2025, 34 casos de extorsão e taxa de 10,0 por 100 mil habitantes, crescimento de 90% em relação a 2015, ritmo superior ao do estado, que cresceu 73% no mesmo período. Itaperuna concentrou 50% dos registros regionais em 2025, com 17 casos e taxa de 15,8. O município acumulou crescimento de 395% ao longo dos últimos 10 anos.

Em todo o estado foram 3.646 casos no ano passado, com a capital e o Leste Fluminense com o maior número de registros, 1.799 e 625 ocorrências, respetivamente. O crescimento no número de ocorrências em relação a 2015 foi de 80% e o avanço também foi registrado em todas as regiões fluminenses, sendo a Centro-Sul (450%), a Norte (247%) e a Noroeste (100%) aquelas que apresentaram os maiores aumentos.

Já as ocorrências relacionadas a roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga, no geral, tiveram queda no estado do Rio de Janeiro no período 2015/2025, mas ainda são 102.703 – em média, 281 casos por dia. Em 2025, o Noroeste Fluminense registrou taxa de 3,5 por 100 mil habitantes no que se refere a roubo de rua (12 casos), o menor patamar histórico da série, correspondendo a 1% da taxa estadual. A região ficou abaixo da média do estado do Rio em toda a década (2015 – 2025), com queda distribuída por praticamente todos os municípios. A maior parte das cidades encerrou 2025 sem ocorrências. Em roubos e furtos de carro, a região teve 5 e 84 casos respectivamente. Itaperuna concentrou o maior número de casos. Apesar da alta de 13 para 23 casos, o município registrou queda de 66% na taxa de furto ao longo da série.

Com base nos indicadores, a Firjan destaca a necessidade de ações de segurança pública regionalizadas. “Uma medida pode ser a criação de um fórum permanente, com a participação do setor produtivo e da sociedade civil. Esse é um caminho para que se possa planejar e monitorar políticas públicas com uma abordagem regional”, diz o gerente geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney.

Ele também enfatiza a importância de modernização da capacidade de investigação para crimes de fraude por meios digitais, de enfrentamento ao crime organizado e a sua economia, além de ampliação da disponibilidade de dados públicos de segurança.

O “Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015-2025”, com informações detalhadas por regiões e tipos de crimes, pode ser acessado através deste link: https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-seguranca-publica-2015-2025

Acesse também os estudos “Rio de Futuro – Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro” e “Custo Rio – O Desafio da Competitividade Fluminense”:

https://observatorio.firjan.com.br/prospectiva-e-tendencias/potencialidades

https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/custo-rio?_gl=1*ueoc4z*_gcl_aw*R0NMLjE3NzU3NjQ4OTUuQ2p3S0NBanduTjNPQmhBOEVpd0FmcFRZZXZDNk8yWXhBRFVqOWRHZjZqbG5KckhVNXpFaURQRDBNYkRRYVRtNGdWNmNyeXNWTTcwbkl4b0MxaVFRQXZEX0J3RQ..*_gcl_au*MjUzMzMxMTcuMTc3Mzc2NzI0MA.

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