
Tomates doces, cenouras e ervilhas. Esse foi o resultado após meses de cultivo de sementes da agricultura tipicamente brasileira testados em solo marciano pela astrobióloga, Rebeca Gonçalves, 34 anos, natural de Santo André, no Grande ABC.
Em Utah, uma das estações análogas a Marte, instalada nos Estados Unidos, a mais avançada do mundo, foram reproduzidas condições semelhantes às do habitat marciano. Para o desenvolvimento do estudo, a tripulação precisou ficar isolada, com atraso na comunicação com o controle da missão e limitações rigorosas de recursos como água, eletricidade e marcadores de tempo.
O Podcast Educa+Grande ABC desta segunda-feira (18) recebeu a andreense, que atua como palestrante e divulgadora científica. Durante o mês de fevereiro deste ano, a astrobióloga brasileira participou de uma missão na Mars Desert Research Station. Ela é a primeira mulher a ter um artigo publicado fora do Brasil na área de agricultura marciana. Sua pesquisa evidenciou que é possível cultivar alimentos em solo que simula o planeta Marte.
Na entrevista, a pesquisadora destaca o poder transformador da educação, as palestras que tem dado em escolas públicas brasileiras e a importância do investimento em pesquisa e em carreiras no setor espacial, que tem crescido a cada ano, com a entrada de empresas privadas no segmento.
“A gente usa várias tecnologias do setor espacial em nosso dia a dia, sem perceber, como GPS, alarme de incêndio, roupa de bombeiro, fraldas infantis, ressonância magnética,” destaca Rebeca ao expor que diversas profissões podem se destacar no segmento espacial. “Minha formação principal é biologia,” completa.
Ainda de acordo com a divulgadora científica, que compartilha nas redes sociais seu trabalho e suas vivências, todo conhecimento gerado em pesquisas voltadas à agricultura espacial tem como princípio fundamental o retorno direto de benefícios para a Terra.
“Minha pesquisa trata basicamente de como melhorar o solo marciano, mas podemos aplicá-la também em solo terrestre impactado por mudanças climáticas. O objetivo é desenvolver uma tecnologia auto sustentável e autossuficiente capaz de produzir alimentos em ambientes extremos, o ano todo”, pontua.
“É sempre uma honra representar o Brasil e o papel das mulheres na liderança de pesquisas espaciais de ponta”, finaliza Rebeca. A íntegra está no canal do youtube do Diário e pode ser conferida aqui.




