
Por Poliana Casemiro, Talyta Vespa, g1
O mercado de implantes hormonais se transformou em um negócio gigante no país. Usando uma brecha regulatória, a base da engrenagem são médicos que implantam, treinam outros profissionais e vendem o produto — faturando de ponta a ponta. Para eles, o implante é vendido pela farmácia de manipulação por cerca de R$ 200 e oferecido às pacientes por valores que partem de R$ 4 mil e podem chegar a R$ 12 mil. A prática é considerada irregular pelo CFM.
Médicos usam as redes sociais para divulgar vídeos em que falam sobre terapia hormonal que envolve hormônios como testosterona, oxandrolona e gestrinona.
O suposto tratamento serviria para aliviar sintomas da menopausa, da Síndrome do Ovário Policístico (SOP), da endometriose, além de tratar queda de libido, insônia e ganho de peso. Na tentativa de resolver problemas de saúde, muitas mulheres aceitam.
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prescrição do pellet/implante hormonal — Foto: Arquivo Pessoal
No entanto, o que elas geralmente não sabem é que o tratamento não tem qualquer evidência científica, estudos que digam que é seguro ou indicação reconhecida pelas principais sociedades médicas brasileiras para esses sintomas. Para o CFM, esse tipo de prática é irregular e fere a ética médica, cabendo punição aos envolvidos. Ainda assim, eles seguem prescrevendo livremente.
Após o implante, pacientes relatam terem sido abandonadas por quem colocou o dispositivo e sofrem consequências que vão desde danos estéticos, como acne, engrossamento da voz e ganho de peso, até doenças graves, como problemas cardíacos, renais e hepáticos, que podem levar à morte.
A finalidade desses hormônios nos implantes é unicamente anabolizante, voltada ao ganho de massa muscular. Hoje, tanto a Anvisa quanto o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbem a prescrição dessas substâncias para esses fins. É ao se apresentarem como tratamento que os dispositivos são vendidos e que esse mercado se sustenta.
Notas fiscais, processos judiciais e relatos de pacientes obtidos pelo g1 mostram como esse esquema opera e quem paga a conta. Os documentos revelam compras de lotes com centenas de implantes padronizados — prática proibida para farmácias de manipulação — e pacientes que não sabiam que tinham hormônios anabolizantes introduzidos em seus corpos.
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— Foto: Arte/g1
FM fala em ‘infração ética’
Sem comentar os casos específicos apresentados pela equipe de reportagem, o CFM afirma que relações comerciais entre médicos, cursos e farmácias de manipulação precisam ser apuradas quando há possibilidade de conflito de interesse — especialmente se o médico participa da prescrição e, ao mesmo tempo, se beneficia da venda ou divulgação dos produtos indicados ao paciente.
O conselho também reforça que a prescrição de implantes hormonais com fins estéticos, anabolizantes ou de ganho de massa muscular contraria normas sanitárias e pode configurar infração ética.
Sobre os casos citados, o CFM informou que, após a publicação, eles seriam investigados.
Mulheres como alvo desse mercado
Ao longo da apuração, o g1 identificou que as redes sociais são a principal vitrine desse mercado — e que as mulheres aparecem como alvo central.
Em publicações, médicos associam alterações hormonais a uma perda ampla de vitalidade, com promessas de melhora da disposição, do desempenho nos treinos, da libido e até da vida conjugal.
Um dos temas mais recorrentes é a testosterona. Embora o hormônio esteja presente no organismo feminino, ele existe naturalmente em concentrações muito mais baixas do que nos homens.
Ainda assim, profissionais que se apresentam como “hormonologistas” — especialidade que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) — passaram a tratar esses níveis como explicação para diferentes queixas de saúde e comportamento, mesmo sem respaldo científico para as promessas divulgadas.
A reportagem acompanhou aulas online do médico Lázaro Lourenço, que acumula quase meio milhão de seguidores nas redes sociais e se apresenta como mentor no ramo de implantes hormonais.
O curso, que custa R$ 996 e é voltado a médicos interessados em prescrever hormônios e implantes, vai além da capacitação técnica: ensina estratégias para atuar nesse mercado de forma lucrativa, com foco em faturamento.
Em uma das aulas, o médico orienta os alunos a transformar inseguranças íntimas das mulheres em argumento de venda. Ele sugere que os profissionais abordem diretamente temas como autoestima, vida sexual e medo de traição.
Em outro trecho, Lourenço recomenda que o médico converse com o parceiro da paciente e diga que a mulher estaria mantendo relações sexuais “por respeito” — e que o implante seria necessário. A orientação é apresentada como uma forma de convencer o marido a pagar pelo “protocolo”.
O uso de inseguranças femininas como estratégia comercial também aparece em publicações de outros médicos. Em um vídeo, o ginecologista Bruno Jacob abre uma caixa de perguntas e responde a uma paciente que questiona se um nível de testosterona de 13, aos 48 anos, seria normal.
Em tom irônico, ele diz: “Tá bom pra você jogar xadrez com seu marido no sábado à noite; tá muito bom pra vocês virarem amigos; tá ótimo pra você, em vez de fazer musculação, fazer um crochê […] tá ótimo pra você não ter lubrificação nenhuma; orgasmo então… isso aí é maravilhoso.”
“A testosterona na mulher tem que estar em um nível bacana principalmente para a libido e para ganho de massa muscular”, conclui.
Em nota, Lourenço afirma que “os cursos têm caráter técnico-científico e são voltados exclusivamente a médicos, com base em evidências e foco na capacitação para prescrição de reposição hormonal.”
O médico diz, ainda, que o implante é apenas uma das vias possíveis de administração — assim como gel ou comprimidos — e que trechos isolados das aulas podem ter sido interpretados fora de contexto. Segundo ele, o conteúdo aborda a comunicação médico-paciente de forma ética, e práticas como venda casada ou indicação sem base clínica são contraorientadas nos cursos.
‘Mercantilização da medicina’
Consultada pelo g1, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirma que não há correlação direta entre o nível de testosterona informado pela paciente e a fala do médico sobre lubrificação ou orgasmo.
Para a entidade, esse tipo de abordagem reduz queixas complexas da saúde sexual feminina a um exame isolado e pode induzir pacientes a tratamentos sem indicação comprovada.
Na mesma linha, o conselheiro do CFM Bruno Leandro de Souza afirma, sem comentar casos específicos, que estratégias centradas na venda de procedimentos — sobretudo quando exploram inseguranças dos pacientes — podem caracterizar mercantilização da medicina.
Na Justiça de São Paulo, o g1 identificou o caso de uma paciente que obteve indenização após complicações graves associadas ao uso de implantes hormonais.
O processo envolve Ana Karina Porto Oliveira, o ginecologista Bruno Santiago Jacob — aluno de Luiz Paulo em curso de implantes, citado anteriormente nesta reportagem — e a clínica DBJ Saúde da Mulher Ltda., em São Paulo.
Segundo a sentença judicial, que transitou em julgado, Ana recebeu, em maio de 2022, a indicação de um implante hormonal que combinava gestrinona, metformina, estradiol, estriol e testosterona.
A paciente tinha um fator de risco importante: por uma condição na infância, vive com apenas um rim. Semanas depois da colocação do implante, precisou ser internada com infarto renal associado à trombose, teve edema pulmonar agudo e foi levada à UTI, com necessidade de respirador.
De acordo com a perícia judicial, houve “nexo causal” entre o uso do implante e o infarto renal sofrido por Ana Karina. Ou seja, a avaliação técnica concluiu que o implante teve relação direta com o quadro grave de saúde.
Após ter acesso ao processo, o g1 conversou com Ana, que aceitou relatar sua história. Ela diz que não foi informada de que receberia hormônios com efeito anabolizante.
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Ana Karina teve complicações graves por implantes hormonais — Foto: Arquivo Pessoal
O processo também reúne trocas de mensagens entre Ana Karina e o médico. Em um dos prints anexados aos autos, ela cobra assistência durante a internação. Na resposta, ele diz atender “400 pacientes por mês”. (Veja a imagem abaixo)
Em seguida, escreve: “Se cada paciente que ficasse internada eu fosse visitar (…) eu não teria tempo pra mais nada, Karina”.
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Troca de mensagens entre o médico Bruno Jacob e a paciente Ana Karina — Foto: Reprodução/TJSP
No processo, Bruno alega que os problemas de saúde da paciente não tinham relação com o implante, o que foi contestado na sentença.
Ao g1, afirma que não pode comentar detalhes do caso por sigilo médico, mas diz que, em medicina, “desfechos clínicos podem ser multifatoriais e nem sempre permitem estabelecer relações causais de forma absoluta”.
Por que esse esquema segue de pé?
Há uma mobilização crescente de sociedades médicas e órgãos de controle para conter o avanço dos implantes hormonais manipulados no país.
Desde 2023, entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) vêm alertando autoridades sanitárias sobre o problema.
Em cartas enviadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Ministério da Saúde, classificam o cenário como um “grave problema de saúde pública” e pedem medidas mais duras de controle.
Nos documentos, as entidades afirmam que os implantes são impulsionados por um forte apelo comercial — vendidos como solução para menopausa, estética e desempenho —, sem respaldo da medicina baseada em evidências.
Segundo as sociedades, os produtos não têm bula, não têm dados consistentes de segurança e eficácia e podem causar efeitos graves, como infarto, AVC e trombose .
Esse cenário já aparece nos consultórios. O endocrinologista Clayton Macedo, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que tem atendido pacientes que eram saudáveis antes dos implantes e passaram a enfrentar complicações graves.
“Muitas dessas pacientes chegam internadas e não sabem exatamente o que foi implantado. E, diferentemente de outros tratamentos, não dá para simplesmente suspender — o hormônio continua sendo liberado no corpo. Em alguns casos, nem a retirada é possível”, diz.
A ginecologista Zsuzsanna Di Bella, da Febrasgo, afirma que o mercado explora inseguranças femininas ao prometer melhora estética e sexual, mas pode gerar danos relevantes.
“A testosterona não age só no músculo. O coração também responde a esse estímulo — e isso pode trazer risco real. Estamos vendo mulheres saudáveis saírem desses consultórios com problemas cardíacos importantes”, afirma.
As próprias sociedades médicas destacam, nas cartas, que não existe dose ou acompanhamento capaz de garantir segurança quando esses hormônios são usados para fins estéticos ou de performance . Também apontam a atuação de redes sociais, cursos e farmácias de manipulação na expansão desse mercado.
A pressão chegou ao Ministério Público Federal (MPF), que também cobrou providências da Anvisa. Em manifestação obtida pelo g1, o órgão pediu a proibição total dos implantes hormonais manipulados. O pedido foi feito em dezembro de 2025 e, até a publicação desta reportagem, não havia resposta.
A reportagem procurou a Anvisa, que não se pronunciou até a publicação desta reportagem. A farmacêuticas Bio Meds também foi acionada, mas não respondeu aos questionamentos do g1.
O que dizem os citados na reportagem
- Veja a íntegra da nota da Elmeco:
“A Elmeco informa que todas as suas atividades, sejam técnicas ou comerciais, são exercidas em estrita conformidade com as normas sanitárias vigentes que regulam a manipulação magistral.
A Elmeco preza pela transparência e integridade, ao mesmo tempo em que observa com cautela a circulação de informações imprecisas ou descontextualizadas em cenários de maior exposição pública do tema, reafirmando seu compromisso permanente com a qualidade, a rastreabilidade e a segurança dos pacientes, inclusive no que se refere à proteção de dados pessoais e clínicos, em cumprimento aos deveres legais e éticos próprios das preparações magistrais, caracterizadas pela individualização terapêutica e pela produção sob prescrição específica.
A Elmeco recorda que a manipulação magistral é prática historicamente consolidada no sistema de saúde brasileiro. Nesse contexto, a experiência regulatória acumulada demonstra tratar-se de atividade complementar a outras formas de disponibilização de medicamentos, atendendo a finalidades distintas e devendo coexistir de forma harmônica, sem prejuízo ao desenvolvimento técnico e à inovação nas diferentes áreas terapêuticas, desde que observados os parâmetros sanitários aplicáveis a cada modelo.
Por fim, a empresa reitera seu apoio a iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento do ambiente regulatório, com foco na melhoria contínua da segurança sanitária e no combate à atuação de empresas irregulares ou à circulação de produtos fora dos canais devidamente controlados, bem como a quaisquer condutas que possam comprometer a confiança no setor.”
- Veja a íntegra da nota da Unikka Pharma:
“LCA FARMACÊUTICA LTDA (nome fantasia ”Unikka Pharma’), através de seus advogados, afirma que não manipula e nunca manipulou implantes hormonais, de sorte que não possui qualquer atuação – direta ou indireta – neste específico mercado.
No tocante à manipulação e comercialização do insumo tirzepatida, que é objeto da ‘Operação Slim’, a Unikka Pharma reafirma que não praticou qualquer ato ilícito, o que será, em tempo e modo, comprovado e reconhecido pelas autoridades competentes.
Reforça-se que a Unikka Pharma possuía e possui expressa autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e da COVISA para manipulação de preparações estéreis.
Ademais, esclareça-se que os mesmos fatos apurados na Operação Slim já foram objeto de outros procedimentos perante a Justiça Estadual, os quais foram devidamente arquivados, ante a ausência de qualquer conduta ilícita a ser imputada à Unikka Pharma, tendo a certeza que as investigações perante a Justiça Federal, incompetente para o exame, igualmente assim serão.
Ademais, com relação à pessoa de Gabriel Almeida, afirma-se que o mesmo não figura – e nunca figurou – como sócio da Unikka Pharma, tendo o citado médico, apenas e tão somente, adquirido medicamentos da farmacêutica, em estrita observância às diretrizes impostas pela ANVISA e que sempre foram seguidas à risca pela Unikka Pharma.
Por fim, a Unikka Pharma reforça o seu compromisso com as diretrizes impostas pelos órgãos de vigilância sanitária – ANVISA e COVISA –, bem como com todos os desígnios da Justiça que lhes são impostos.”
- Veja a íntegra da nota de Lázaro Lourenço:
“Inicialmente, é importante esclarecer que os cursos ministrados têm caráter eminentemente técnico-científico, voltados exclusivamente a médicos regularmente inscritos em seus respectivos Conselhos Profissionais, com o objetivo de atualização e aprofundamento em terapias hormonais, dentro de uma abordagem baseada em evidências.
O objetivo é capacitar os médicos a prescreverem a Reposição Hormonal para pacientes, pois existe uma carência muito grande desse conhecimento, sendo que esse tema já é aprovado por todas as sociedades mundiais, inclusive as brasileiras. A reposição hormonal via implante é só mais uma via de administração, sendo que essa pode ser feita por outras vias com gel transdérmico e comprimido onde eu ensino no nosso curso.
Alguns médicos que distorcem e associam reposição hormonal a implante como se fosse algo errado sendo que é só uma via de administração, induzindo pacientes a erro e muitas vezes demonizando o próprio diagnóstico para que o paciente não possa ter acesso a essa via de reposição. No que se refere à interpretação de trechos pontuais do curso, é fundamental destacar que falas isoladas, fora de seu contexto integral, podem gerar conclusões equivocadas.
O conteúdo completo demonstra que a comunicação médico-paciente é abordada sob a ótica da escuta qualificada, da identificação de queixas muitas vezes subdiagnosticadas e da necessidade de traduzir, de forma acessível, aspectos técnicos ao paciente, sempre com base em critérios clínicos.
O ‘produto ou protocolo visto como necessário’ é o tratamento que no caso é a Reposição Hormonal e sim o paciente precisa quando indicada, isso é incontestável, a via em questão que está sendo questionada é só uma das formas de repor que não exime o paciente de precisar fazer o tratamento, uma vez diagnosticado. E isso não impede nenhum médico de ajudar seu paciente e muito menos de viabilizar o tratamento realizado no seu consultório sob supervisão médica, não só não impede como o próprio CFM já endossa tal prática e não caracteriza como infração ética.
Infração ética é vincular (venda casada) é não conceder a receita caso o paciente não queira adquirir o tratamento, é o médico não seguir as regras da vigilância sanitária e indicar o tratamento sem ter base clínica, isso é infração ética. Infração essa que eu deixo muito bem claro nos nossos cursos para que os médicos não façam esse tipo de prática.
Em relação ao processo junto às operadoras de saúde , em diversos contextos recentes, operadoras de planos de saúde passaram a sustentar alegações generalizadas de supostas irregularidades por parte de médicos, especialmente em temas relacionados a reembolsos e determinadas práticas assistenciais caso esse que não teve nenhum desfecho judicial e segue em tramitação e da minha parte sigo sempre a disposição para todo e qualquer esclarecimento, visto que nao tenho nenhum problema junto a justiça.”
- Veja a íntegra das respostas de Bruno Jacob em entrevista ao g1:
“Por respeito ao sigilo médico e às normas éticas da profissão, não posso comentar detalhes clínicos ou circunstâncias específicas de um caso individual. Em relação à decisão judicial mencionada, como em qualquer área da medicina, é importante reconhecer que desfechos clínicos podem ser multifatoriais e nem sempre permitem estabelecer relações causais de forma absoluta.
De forma geral, os implantes hormonais são recursos terapêuticos dentro de uma gama de patologias, que não possuem restrição de uso pela Anvisa dentro das suas indicações, avaliação individualizada e acompanhamento contínuo. Assim como qualquer tratamento na medicina, não são isentos de riscos. Minha prática é pautada pela individualização das condutas e pelo compromisso com a segurança do paciente, respeitando sempre a individualidade, as queixas e o desejo de cada paciente.”
A definição de qualquer terapia hormonal deve ser baseada em avaliação clínica individualizada, logo considerando as queixas de desejo sexual hipoativo, ressecamento íntimo, calorões (entre outros descritos pela paciente) associado exames laboratoriais e radiográficos e levando em conta o desejo da paciente por fazer essa reposição pela via de implantes hormonais, foi optada por essa terapia em específico.
De forma geral, nesse caso em específico, seria necessário o acompanhamento adequado nas consultas de retorno, nas quais a paciente não compareceu em nenhuma. É importante destacar que a literatura médica ainda apresenta diferentes níveis de evidência para diversas abordagens em terapia hormonal, especialmente quando se trata de formulações personalizadas. Por isso, essas estratégias exigem cautela, critério e discussão transparente com o paciente sobre riscos, benefícios e limitações.
As normas do Conselho Federal de Medicina e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária são fundamentais para orientar a prática médica e devem ser sempre respeitadas. Essas diretrizes, em geral, restringem o uso de hormônios exclusivamente para fins estéticos.
No entanto, em situações como menopausa ou transtorno do desejo sexual hipoativo (como no caso em questão), essas terapias hormonais foram indicadas e aprovadas pela paciente para finalidade terapêutica.
De forma geral, a adequação de qualquer conduta médica deve ser analisada considerando o quadro clínico específico, a indicação terapêutica, o acompanhamento realizado e o consentimento informado do paciente. Reforço que, na minha prática, todas as decisões são pautadas por critérios clínicos, e respeito às diretrizes vigentes, com foco em indicação terapêutica e não estética.
Participo de diversas atividades de educação médica continuada não apenas na área de terapia de reposição hormonal mas em outras áreas da ginecologia, sempre dentro de um contexto científico e voltado à capacitação de profissionais de saúde. Esse tipo de atividade faz parte da rotina de atualização profissional na medicina e segue as normas éticas vigentes do CFM.
Em relação à minha participação, trata-se exclusivamente de atuação educacional, pela qual sou contratado para ministrar aulas teóricas e práticas, sem vínculo com comercialização de produtos ou qualquer remuneração adicional além da atividade docente em si. Reforço que a educação médica continuada é essencial para que profissionais atuem com mais segurança, senso crítico e responsabilidade na indicação de qualquer terapia.”
Não possuo vínculo societário com farmácias de manipulação. Minha atuação é independente e pautada exclusivamente por critérios clínicos e pela melhor indicação para cada paciente.
Eventuais relações profissionais com empresas do setor, quando existentes, se restringem a atividades educacionais e científicas, como participação em cursos e treinamentos para médicos, sempre dentro das normas éticas vigentes.
Não recebo comissões, incentivos ou qualquer tipo de remuneração vinculada à prescrição da empresa Bio Meds.
De forma geral, não há evidência científica consistente que sustente o uso de implantes hormonais com a finalidade de emagrecimento, e ganho de massa muscular ou melhora de desempenho não são indicações reconhecidas na prática médica.
Por questões éticas e de sigilo profissional, não é possível comentar aspectos específicos de casos individuais e respeito qualquer decisão tomada dentro da lei. Mas gostaria apenas de reforçar que a prática médica envolve não apenas a indicação de um tratamento, mas também o acompanhamento contínuo do paciente, com reavaliações periódicas e realização de exames quando indicados. Esse segmento é parte da segurança de qualquer terapia e depende da adesão às orientações médicas ao longo do tempo.
Atuo há mais de uma década na prática clínica, com formação médica completa, residência, título de especialista (RQE) e duas pós-graduações na área. Ao longo desse período, já acompanhei mais de 8.000 pacientes apenas na minha clínica em São Paulo, sempre com foco na segurança e individualização das condutas.
Intercorrências acontecem em qualquer área da medicina, mas nunca neguei suporte a nenhuma paciente, e tenho certeza que elas concordam com isso.”
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