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Ricardo Couto exonera 459 cargos e prepara corte de até 1,6 mil postos no governo do Rio e economia de R$ 10 milhões por mês

O governador em exercício Ricardo Couto exonerou 459 comissionados no Rio de Janeiro e prepara uma reestruturação mais ampla na Casa Civil e na Secretaria de Governo, com previsão de cortar até 1,6 mil cargos e economizar R$ 10 milhões por mês.

Em menos de 20 dias no comando do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto abriu uma frente de enxugamento na máquina pública. As primeiras medidas atingiram em cheio duas áreas centrais do Palácio Guanabara, a Casa Civil e a Secretaria de Governo, com a exoneração de 459 servidores comissionados, aqueles cargos preenchidos sem concurso. As dispensas foram publicadas nas edições de quinta-feira e sexta-feira do Diário Oficial.

A intenção, porém, vai bem além desse primeiro corte. O levantamento interno feito pela gestão aponta que as duas pastas reúnem cerca de 4 mil servidores. A meta é reduzir algo em torno de 40% desse total, o que pode levar à eliminação de até 1,6 mil cargos. A estimativa do governo é de uma economia mensal de R$ 10 milhões, numa operação que também mira casos de funcionários que estariam sem atividade efetiva, os chamados fantasmas.

O movimento faz parte de uma reestruturação administrativa mais ampla. Uma das mudanças previstas é a recriação da Subsecretaria-Geral da Casa Civil, que deve ser comandada pelo procurador do estado Sérgio Pimentel. Ele já atua ao lado do novo secretário da pasta, Flávio Willeman, nomeado por Couto nesta semana. Ambos são procuradores do estado, o que reforça a tentativa de dar um perfil mais técnico à reorganização da estrutura de governo.

Além das exonerações, o governo também decidiu extinguir três subsecretarias da Casa Civil: a Subsecretaria Adjunta de Projetos Especiais, a Subsecretaria de Gastronomia e a Subsecretaria de Ações Comunitárias e Empreendedorismo. As estruturas ligadas a esses órgãos também foram descontinuadas. O gesto tem peso político e administrativo, porque atinge áreas vistas como símbolos do inchaço da máquina estadual nos últimos anos.

Desde que assumiu o governo em exercício, em 23 de março, Ricardo Couto também começou a montar sua própria equipe em áreas estratégicas. Até a noite de quinta-feira, já haviam sido feitas nove nomeações, incluindo os comandos da Casa Civil, da Secretaria de Governo, da Controladoria-Geral do Estado, do Instituto de Segurança Pública, do RioPrevidência e da Cedae. A movimentação indica que Couto tenta combinar redução de cargos com a formação de um núcleo de confiança para tocar o processo de transição.

Na lista estão Flávio de Araújo Willeman, na Casa CivilMarco Antônio Rodrigues Simões, no Gabinete do GovernadorRoberto Lisandro Leão, de forma interina na Secretaria de Governo e no Gabinete de Segurança InstitucionalGustavo Alves Pinto Teixeira, na representação do governo em BrasíliaBruno Campos Pereira, na Controladoria Geral do EstadoRogerio da Costa Pimenta, na Secretaria de Defesa do ConsumidorBárbara Caballero de Andrade, no Instituto de Segurança PúblicaFelipe Derbli de Carvalho Batista, no RioPrevidência; e Rafael Rolin, na Cedae.

O redesenho da máquina vem acompanhado de outra frente sensível: uma auditoria ampla sobre os gastos do estado. O governo determinou a revisão de mais de 6,7 mil contratos ativos, que somam cerca de R$ 81 bilhões. A análise alcança órgãos da administração direta, indireta e também empresas estatais. A gestão classifica a iniciativa como um “choque de transparência”, voltado a mapear contratos, identificar responsáveis e revisar despesas públicas.

O pacote de medidas mostra que a passagem de Ricardo Couto pelo Palácio Guanabara não deve se limitar à administração de rotina. Ao mexer em cargos comissionados, extinguir estruturas e abrir pente-fino em contratos bilionários, o governador em exercício tenta imprimir uma marca de contenção, controle e reorganização num momento de forte instabilidade política no estado.

Com informações do g1.

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