
Por Bárbara Mendonça — Rio de Janeiro
Botafogo e Franclim Carvalho agora sabem o que é vencer juntos. Nesta quarta-feira, no terceiro jogo e primeiro triunfo do técnico português, o clube superou o Racing por 3 a 2, em Buenos Aires, pela fase de grupos da Sul-Americana. Dois pontos ajudam a explicar a noite carioca em Avellaneda: o sucesso em ligações diretas, ainda na primeira etapa, e Danilo aparecendo novamente quando o time mais precisa.
Franclim fez diversas mudanças na escalação do Botafogo. As principais foram o retorno de Neto às traves depois de dois meses; Ponte no lugar de Vitinho; Ferraresi e Barboza juntos pela primeira vez; e Danilo no banco por desgaste físico.
Escalação do Botafogo contra o Racing: Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Barboza e Alex Telles; Allan, Edenilson e Medina; Júnior Santos, Matheus Martins e Arthur Cabral.
Na prática, não houve nem tempo de propor jogo ou ensaiar formas de se lançar ao ataque. De volta às traves do Botafogo depois de exatos dois meses, Neto falhou feio.
Danilo em Racing 2 x 3 Botafogo, pela Sul-Americana 2026 — Foto: Vitor Silva/BFR
As melhores oportunidades surgiram a partir de uma postura mais reativa, com jogadas de velocidade pelas pontas ou ligações diretas. Estas, inclusive, foram primordiais nos lances dos gols de Arthur Cabral e Júnior Santos, que garantiram a virada.
Primeiro, foi Ferraresi quem mandou bola à frente, e Cabral aproveitou após a defesa cortar de forma parcial. Depois, foi a vez de Barboza achar o camisa 7 do Botafogo.
Ao longo da primeira etapa, ficou explícita a atuação de um meio-campo mais colaborativo e entrosado com a presença de um homem mais “mordedor”; em Avellaneda, Allan foi o escolhido. O atual elenco do Botafogo parece favorecer esquemas com volantes mais soltos, com Danilo, Medina e Edenilson brigando por duas vagas mais à frente.
Medina, inclusive, merece um parágrafo à parte pela atuação em Buenos Aires. Um dos destaques da noite, assim como Ferraresi e Danilo, o camisa 6 achou bons passes entre os zagueiros do Racing, deu ritmo ao meio e também marcou presença em momentos de recuperação defensiva. Depois de 11 jogos com a camisa do Botafogo, parece enfim estar mais confortável, em clara curva de evolução.
Neto seguiu acumulando boas defesas ao longo da partida e, apesar da falha inicial, foi um personagem importante na manutenção do placar. Salvou ao menos duas finalizações de Martínez, chute de longe de Fernández… Até que o time se deixou afetar pela pressão do Racing.
Alex Telles passou a dar apoio mais próximo a Barboza e Ferraresi, formando uma linha de três zagueiros. Matheus Martins e Mateo Ponte, então, tornaram-se alas pela esquerda e pela direita, respectivamente.
Houve ao menos dois erros no segundo gol do Racing: um de Matheus Martins, que deixou Cannavó receber em suas costas e ganhar na corrida; outro de Barboza, que deveria acompanhar Martínez, autor do gol do empate do Racing.
O roteiro da vitória é, de certa forma, repetitivo. Não pela forma de jogar, mas por quem surge como protagonista: Danilo. Não é sempre que o volante vive uma noite perfeita; em Avellaneda, por exemplo, o índice de bolas perdidas chamou a atenção. Mas jogando bem ou jogando mal, é curioso ver como o camisa 8 do Botafogo sempre aparece no momento mais decisivo de quaisquer partidas.
Júnior Santos em Racing 2 x 3 Botafogo, pela Sul-Americana 2026 — Foto: Vitor Silva/BFRFranclim Carvalho gastou sua última substituição da noite para promover a entrada de Kadir no lugar de Arthur Cabral. O jovem panamenho precisou de pouquíssimos toques na bola para aproveitar tentativa de desarme de Vergara sobre Barrera, entrar na área e rolar para Danilo carimbar a vitória.
— Começamos perdendo, depois tentamos, viramos para 2 a 1. No segundo tempo, sofremos um empate em um momento que falamos ontem e não podemos. Mas depois, no fim da partida, conseguimos buscar os três pontos muito importantes para nós. O Racing consegue impor um ritmo muito alto, muito difícil para nós controlar isso. Creio que tentamos controlar a partida sem a bola e conseguimos os três pontos — analisou Franclim Carvalho.
Com o resultado, o Botafogo subiu à liderança do grupo E da Sul-Americana, com os mesmos quatro pontos do vice-líder Caracas. O Racing tem três pontos, em terceiro lugar, e o Independiente Petrolero é o lanterna, sem pontuar até aqui.
O Botafogo volta a campo no próximo sábado, às 17h (horário de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro. O duelo contra a Chapecoense, válido pela 12ª rodada, será no estádio Nilton Santos.




