
“O investimento em ciência e inovação é fundamental para transformar conhecimento em soluções concretas que impactem diretamente a vida da população. Projetos como esse demonstram o papel estratégico da pesquisa fluminense na criação de tecnologias que ampliam o acesso a tratamentos de saúde e fortalecem o Sistema Único de Saúde”, destaca a presidente da FAPERJ, Caroline Alves.
Atualmente, o tratamento mais comum para a Doença de Parkinson baseia-se no uso de medicamentos que atuam na reposição de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos. Com o passar do tempo, porém, esses medicamentos podem perder eficácia e provocar efeitos colaterais.
A proposta do projeto é oferecer um tratamento não invasivo, acessível e de uso domiciliar. A estimulação elétrica é aplicada diretamente sobre a pele por meio de um dispositivo controlado por aplicativo no celular.
Cada sessão de uso é registrada automaticamente e os dados são enviados para um banco seguro por meio de tecnologias de telemedicina e internet das coisas (IoT). Dessa forma, a equipe médica pode acompanhar remotamente a evolução do paciente e ajustar o tratamento de forma personalizada.
Tecnologia inovadora
Batizado de Mestim Eléctrico, o dispositivo permite configurar diferentes sequências de estimulação elétrica por meio de conexão Wi-Fi. Isso possibilita ajustar parâmetros como frequência, amplitude e largura de pulso de acordo com a necessidade de cada paciente.
Enquanto a maioria dos equipamentos existentes utiliza apenas ondas quadradas ou retangulares, o protótipo desenvolvido pela Coppe utiliza ondas senoidais, que permitem uma ativação mais seletiva das fibras nervosas envolvidas no controle motor.
“O diferencial desse dispositivo é que ele é totalmente configurável. Conseguimos ajustar os parâmetros de estimulação de forma personalizada para cada paciente, buscando o ponto em que o tremor é reduzido sem causar desconforto”, explica Danilo Molina, doutorando em Engenharia Biomédica da Coppe.
Impacto social e expansão no SUS
Além do avanço científico, o projeto também prevê a transferência da tecnologia para o sistema público de saúde. A equipe pretende desenvolver dez protótipos adicionais que serão utilizados em unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Nosso objetivo é fazer com que essa inovação chegue à sociedade e não fique restrita ao ambiente acadêmico.”, afirma o professor Carlos Júlio Criollo.
Financiado pela FAPERJ, o estudo reúne uma rede transdisciplinar envolvendo sete laboratórios da UFRJ, além de parcerias com o Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC/UFRJ), o Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ), a Universidade Politécnica Salesiana do Equador e empresas do setor de equipamentos médicos.
Ao integrar engenharia, saúde e tecnologia digital, a iniciativa reforça o potencial da ciência produzida no estado do Rio de Janeiro para gerar inovação, ampliar o acesso a tratamentos e melhorar a qualidade de vida da população.




