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Tecnologia brasileira pode reduzir tremores de pacientes com Parkinson sem cirurgia

Por Marcos Antônio de Jesus

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está abrindo novas perspectivas para o tratamento de pessoas com Doença de Parkinson e Tremor Essencial. Financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), resultou no desenvolvimento de um dispositivo capaz de reduzir tremores por meio de estimulação elétrica aplicada sobre a pele, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos.
A tecnologia está sendo desenvolvida no Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ, sob coordenação do professor Carlos Júlio Criollo, e já se encontra em fase de testes clínicos com pacientes do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ).

“O investimento em ciência e inovação é fundamental para transformar conhecimento em soluções concretas que impactem diretamente a vida da população. Projetos como esse demonstram o papel estratégico da pesquisa fluminense na criação de tecnologias que ampliam o acesso a tratamentos de saúde e fortalecem o Sistema Único de Saúde”, destaca a presidente da FAPERJ, Caroline Alves.

Atualmente, o tratamento mais comum para a Doença de Parkinson baseia-se no uso de medicamentos que atuam na reposição de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos. Com o passar do tempo, porém, esses medicamentos podem perder eficácia e provocar efeitos colaterais.

Segundo a neurologista Ana Lúcia Rosso, chefe do serviço de Neurologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, a tecnologia desenvolvida pela Coppe representa uma alternativa importante para pacientes que não podem se submeter a intervenções cirúrgicas.
“Mesmo para pacientes mais jovens, a possibilidade de controlar os tremores sem cirurgia ou aumento da carga medicamentosa é sempre o caminho preferível.”, explica.
Tratamento domiciliar com monitoramento remoto

A proposta do projeto é oferecer um tratamento não invasivo, acessível e de uso domiciliar. A estimulação elétrica é aplicada diretamente sobre a pele por meio de um dispositivo controlado por aplicativo no celular.

Cada sessão de uso é registrada automaticamente e os dados são enviados para um banco seguro por meio de tecnologias de telemedicina e internet das coisas (IoT). Dessa forma, a equipe médica pode acompanhar remotamente a evolução do paciente e ajustar o tratamento de forma personalizada.

Tecnologia inovadora

Batizado de Mestim Eléctrico, o dispositivo permite configurar diferentes sequências de estimulação elétrica por meio de conexão Wi-Fi. Isso possibilita ajustar parâmetros como frequência, amplitude e largura de pulso de acordo com a necessidade de cada paciente.

Enquanto a maioria dos equipamentos existentes utiliza apenas ondas quadradas ou retangulares, o protótipo desenvolvido pela Coppe utiliza ondas senoidais, que permitem uma ativação mais seletiva das fibras nervosas envolvidas no controle motor.

“O diferencial desse dispositivo é que ele é totalmente configurável. Conseguimos ajustar os parâmetros de estimulação de forma personalizada para cada paciente, buscando o ponto em que o tremor é reduzido sem causar desconforto”, explica Danilo Molina, doutorando em Engenharia Biomédica da Coppe.

Impacto social e expansão no SUS

Além do avanço científico, o projeto também prevê a transferência da tecnologia para o sistema público de saúde. A equipe pretende desenvolver dez protótipos adicionais que serão utilizados em unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nosso objetivo é fazer com que essa inovação chegue à sociedade e não fique restrita ao ambiente acadêmico.”, afirma o professor Carlos Júlio Criollo.

Financiado pela FAPERJ, o estudo reúne uma rede transdisciplinar envolvendo sete laboratórios da UFRJ, além de parcerias com o Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC/UFRJ), o Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ), a Universidade Politécnica Salesiana do Equador e empresas do setor de equipamentos médicos.

Ao integrar engenharia, saúde e tecnologia digital, a iniciativa reforça o potencial da ciência produzida no estado do Rio de Janeiro para gerar inovação, ampliar o acesso a tratamentos e melhorar a qualidade de vida da população.

 

 

Fonte https://www.tupi.fm/sentinelas/tecnologia-brasileira-pode-reduzir-tremores-de-pacientes-com-parkinson-sem-cirurgia/

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