
Giovanna Gomes – https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/desventuras/o-livro-dos-mortos-encontrado-em-cemiterio-egipcio-de-3500-anos.phtml
Os antigos egípcios dominavam a arte de preparar um funeral digno, com jarros canópicos para preservar órgãos e pergaminhos do “Livro dos Mortos” destinados a guiar o falecido pelo além. No centro do país, arqueólogos encontraram mais um exemplo impressionante dessa tradição: um cemitério do Novo Império, com cerca de 3.500 anos, repleto de múmias, amuletos, estátuas, jarros canópicos e um papiro de 13 metros contendo trechos do famoso texto funerário.
O pergaminho, que é o primeiro papiro completo já identificado na região de Al-Ghuraifa, está excepcionalmente bem preservado, segundo Mustafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, em declaração divulgada pelo Ministério do Turismo e Antiguidades.
Embora o cemitério, datado entre 1550 a.C. e 1070 a.C., se destaque pela vastidão de objetos e pelos túmulos escavados na rocha, foi a possível cópia do “Livro dos Mortos” que capturou a atenção dos especialistas. Poucas informações foram disponibilizadas ao público sobre o conteúdo do rolo, que tem entre 13 e 15 metros de comprimento, o que deixa muitas perguntas em aberto sobre essa versão específica do texto funerário.
Origem do texto
Os capítulos que compõem o “Livro dos Mortos”, cuja forma variava conforme o autor, surgiram no início do Novo Império, por volta de 1550 a.C. Exemplares bem conservados desse período são extremamente raros.
“Se é tão longo e bem preservado, certamente é uma grande e interessante descoberta“, afirmou Lara Weiss, CEO do Museu Roemer e Pelizaeus, à Live Science.
Segundo o portal Popular Mechanics, Foy Scalf, egiptólogo da Universidade de Chicago, destacou que é “muito raro” encontrar uma cópia ainda guardada no túmulo original onde foi depositada. Sem imagens ou uma publicação oficial, contudo, fica difícil confirmar todos os detalhes. O texto, diz a fonte, tinha papel central na religiosidade egípcia.
Cada novo exemplar ajuda estudiosos a compreender crenças sobre a morte, a alma e o renascimento, lembra o American Research Center in Egypt. “O ‘Livro dos Mortos’ revela aspectos centrais do sistema de crenças dos antigos egípcios”, escreve o centro. “E, como muitos tópicos da egiptologia, nossas teorias estão constantemente mudando, crescendo e se adaptando a cada nova tradução deste texto.”
Outros achados
Apesar da expectativa em torno do papiro — que, segundo o ministério, deverá ser exibido no Grande Museu Egípcio — ele foi apenas um entre muitos achados impressionantes no local. A equipe encontrou caixões de pedra e madeira com múmias, mais de 25 mil estatuetas de ushabti, incontáveis utensílios, milhares de amuletos de madeira e pedra, além de jarros canópicos.
Entre os destaques estão caixões de madeira ricamente decorados, como o de Ta-de-Isa, filha de Eret Haru, sumo sacerdote de Djehuti em Al-Ashmunin. Ao lado de seu sarcófago estavam duas caixas com os vasos canópicos, um conjunto completo de estatuetas de ushabti e uma escultura da divindade Ptah Sokar, representada com características de avestruz.




