
Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, Vinicius de Moraes fez da cidade a sua casa literária. Da Gávea a Ipanema, o Rio virou cenário, personagem e espelho de poemas e canções.
Entre os destaques, o Retrato de Vinicius, de Cândido Portinari, exibido pela primeira vez no Rio, e um espaço dedicado à Arca de Noé, com ilustrações de Elifas Andreato que atravessam gerações desde os anos 1970.
A trajetória começa cedo. Aos nove anos, enquanto São Paulo vivia a Semana de Arte Moderna (1922), Vinicius já escrevia versos. No Colégio Santo Inácio, montou um grupo musical com Paulo e Haroldo Tapajós. A primeira letra gravada, “Loira ou Morena” (1932), veio em parceria. Em 1933, lançou O Caminho para a Distância. O talento chamou a atenção de Manuel Bandeira e Mário de Andrade.
Formado em Direito, seguiu a vocação: palavra e música. Serviu no Itamaraty de 1946 a 1968, quando foi aposentado no regime militar. A saída do serviço público abriu outra fase, mais presente nos palcos e estúdios.
As parcerias moldaram um clássico. Com Tom Jobim, ajudou a erguer a Bossa Nova. Com Toquinho, criou uma dupla popular, com mais de cem canções e cerca de mil apresentações. Segundo o Ecad, são 709 composições e 527 gravações registradas em seu nome.
Na literatura, marcos como Forma e Exegese (1935), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Livro de Sonetos (1957) e A Arca de Noé (1970). No teatro, Orfeu da Conceição (1954) trouxe o mito grego para o morro e inspirou o filme Orfeu Negro (Palma de Ouro em Cannes, 1959).
Críticos e biógrafos ajudam a medir esse alcance. “Quando se dizia que Vinicius era um ser plural, não estavam brincando”, escreve Ruy Castro, autor de Chega de Saudade. Para José Castello, em Vinicius de Moraes – O Poeta da Paixão (1994), “o Soneto de Fidelidade é uma das mais belas definições do amor já produzidas em língua portuguesa”. Já Carlos Drummond de Andrade resumiu o estilo do colega: “Ele tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos e o cinismo dos modernos”.
Vinicius de Moraes morreu em 9 de julho de 1980, aos 66 anos, vítima de edema pulmonar. A mostra no MAR reforça a presença viva do poeta no imaginário do Rio — e do Brasil.




