
Um autor, manipulado pelo Algoritmo, recria um texto usando a inteligência artifi cial. Mas no palco as coisas saem do seu controle.
Uma peça que está ultrapassada precisa ser reescrita, e o autor , manipulado pelo Algoritmo, recria o texto usando a Inteligência Artifi cial. Mas as as coisas saem do seu controle: assim é o espetáculo Futuro, de Leandro Muniz, que realiza temporada no Teatro Firjan SESI, no Centro do Rio, entre os dias 2 de outubro e 2 de novembro, de quinta a domingo.
Futuro é uma peça produzida pela Quase Companhia, que dialoga com assuntos contemporâneos e faz da sua encenação uma luta desesperada pela atenção do público, ironizando clássicos da dramaturgia e os Reels das redes sociais. Mais do que uma crítica à aceleração imposta pela digital, Futuro analisa de forma bem humorada a era da distração e como o algoritmo infl uencia nossos comportamentos. A peça também mostra confl itos de um grupo de artistas que se articula contra o autor e o algoritmo, numa trama que satiriza clássicos como Hamlet, Toda Nudez Será Castigada e Esperando Godot.
Leandro Muniz conta que a vontade de escrever a peça veio após analisar as mudanças sociais provocadas pelo excesso de redes sociais, principalmente. Ele conta que o streaming também foi outra inspiração para a concepção da peça.
“A nossa lógica mudou, estamos mais impacientes, não temos mais a atenção que tínhamos. Seja vendo mil reels por dia, seja tentando escolher um fi lme, a gente troca de streaming logo se não gostarmos do primeiro minuto do fi lme. Essa métrica de ’’me entretenha em 15 segundos ou em 1 minuto’ invadiu nossas vidas. Então, eu queria trazer para o palco essa maluquice dos Reels, essa fauna de personagens alucinados e trends e publis, mas de maneira teatral”, pondera.
“A ideia é, também, fazer uma crítica ácida a como esse algoritmo virou onipresente, um semideus. Falamos uma coisa agora e quando abrimos o celular, está lá uma publicidade de um produto para comprar. Como estamos sendo controlados de uma maneira sutil”, acrescenta.
No texto, Muniz também ironiza o uso excessivo das inteligências artifi ciais e como elas podem diminuir a nossa capacidade de elaboração ou de buscar dúvidas e lembranças na memória, quanto mais delegamos para elas determinadas tarefas.
“O ser humano é muito criativo. E a gente, para solucionar problemas do dia a dia, para sobreviver a tudo, nos adaptamos, criamos soluções práticas para resolver problemas multitarefas que temos. São vários pratinhos pra equilibrar. E nós estamos delegando isso para as IAs”, alerta o autor.
Dentro do espetáculo, sucessos da dramaturgia mundial, desde peças, fi lmes a séries e novelas, são remixados com o mundo digital. Ainda segundo Muniz, Futuro pretende questionar como a era do feed “alucinado” das redes e do algoritmo capturou as subjetividades humanas.
“A ideia é realizar uma junção de clássicos com TikTok, com Reels. Clássicos da dramaturgia viram Publi, ou um desabafo de infl uencer. Tem toda uma coisa sortida, de musical à stand-up, tudo vira um feed maluco e engraçado. Mas também terá incômodo e momentos ásperos”, explica o idealizador.
Alice no país das Mara Maravilhas, Todo Nude Será Castigado ,, Esperando Burnout e Sonho de uma noite de Vegan são alguns dos títulos recriados pelo Algoritmo, ao longo da peça para entretenimento do público.
“Futuro, ao chocar o universo da dramaturgia universal com a vida online, pretende abarcar essa demanda maluca das redes sociais no palco. E a partir do espaço teatral criticar de forma irônica e política a lógica do algoritmo”, afi rma Muniz.
Sinopse:
“Futuro” é um espetáculo inédito que mistura sátira de clássicos da dramaturgia, cultura digital e relações em crise. Antigos parceiros se reencontram para remontar um espetáculo, mas o autor, manipulado pelo Algoritmo, usa inteligência artifi cial para recriá-lo e vê sua criação sair do controle. Entre Hamlet tiktoker, tragédias remixadas, stand-up e musical, o palco vira campo de batalha entre o desejo humano e a lógica algorítmica. Com Bia Guedes, Dani Fontan, Marcio Machado, Tulanih e Victor Maia. Texto e direção de Leandro Muniz.
Sinopse curta:
Um espetáculo inédito que mistura sátira de clássicos da dramaturgia, cultura digital e relações em crise. Antigos parceiros se reencontram para remontar um espetáculo, mas o autor, manipulado pelo Algoritmo, usa inteligência artifi cial para recriá-lo e vê sua criação sair do controle.
Quase Companhia
Em 2008, o diretor e dramaturgo Leandro Muniz reuniu uma equipe numerosa para a cena Musical Dísnei, apresentada no 1º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro. Indicada em todas as categorias, a cena ganhou os prêmios de melhor esquete, júri popular e direção. No ano seguinte, em março de 2009, estreava no 18º Festival de Curitiba a peça Relações – Peça quase romântica. Sucesso de
público e crítica, ficou em cartaz por quase três anos, passando por teatros como Cândido Mendes, Ipanema e Gláucio Gil, além do Circuito Sesc, Festival de São José do Rio Preto e outras cidades. Recebeu quatro prêmios no XVI Festival de Teatro do RJ (Melhor Texto, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante).
Nascia ali a Quase Companhia. Nas criações seguintes — Senhora Solidão (2011-2012), Relationships (2015), Sucesso (2016-2017), A Vida Não é um Musical (2018-2022) e O Âncora (2023) — a mesma equipe artística se repetia em texto, direção, cenário, iluminação, direção musical e de movimentos, assim como parte do elenco.
A dramaturgia de Leandro Muniz se constrói no encontro entre sátira política, metateatro e cultura pop. Em peças como Futuro, A Vida Não é um Musical, O Âncora, Sucesso, Relações e Senhora Solidão, o autor desmonta engrenagens centrais do nosso tempo: o espetáculo midiático, o mito do sucesso, a memória como encenação, o romance idealizado e, sobretudo, a política como farsa. Canções, slogans, memes e referências clássicas são triturados no palco e devolvidos em forma de humor ácido, capaz de rir e ferir ao mesmo tempo.
Em comum às peças está o gesto de desmontar ilusões coletivas — o paraíso perfeito, o jornal imparcial, o amor romântico, a comunidade harmoniosa, a política redentora. Tudo aparece como teatro dentro do teatro, mas sem abrir mão da emoção: a sátira se alterna com lampejos líricos, transformando riso em desconforto, ironia em denúncia.
Em Futuro, o palco vira laboratório da cultura digital. Shakespeare aparece como tiktoker, tragédias gregas se transformam em programa de auditório, e o próprio teatro é triturado por memes, filtros e remixagens. O resultado é uma experiência corrosiva e delirante: humor popular, sátira política, ironia mordaz e fabulação desmedida, em diálogo direto com a cena contemporânea
Sobre Leandro Muniz
Leandro Muniz é roteirista, dramaturgo, ator, diretor e músico. Começou a carreira em 1997 na Cia Os F…Privilegiados e trabalhou com nomes como Antonio Abujamra, João Falcão, Paulo de Moraes, Duda Maia, João Fonseca, entre outros. Escreveu e dirigiu “Relações – Peça quase Romântica”, “Senhora Solidão” e “O Âncora”. Dirigiu em Nova York “Relationships – an almost romantic comedy”, com artistas americanos na Off Broadway em 2015.
Em 2016, nova montagem foi feita em Los Angeles com outro elenco americano, dirigido por uma brasileira. Escreveu e dirigiu a premiada peça “Sucesso”, que colecionou ótimas críticas e ganhou o prêmio APTR de melhor atriz coadjuvante. “A vida não é um musical – o musical”, ganhou os prêmios FITA 2019 de Melhor Texto e Melhor Elenco e o Prêmio do Humor de Melhor Música. O texto recebeu também indicações aos prêmios Cesgranrio, APTR, Botequim Cultural, Prêmio Reverência, Brasil Musical e Musical Rio, além de mais de 30 indicações em outras categorias.
Na TV e no streaming escreveu programas e séries como “Lady Night” , “Cangaceiro do Futuro” (Netfl ix) , “Filhos da Pátria”, “Escolinha do Professor Raimundo”, “Jogo Cruzado” (Disney +), entre outros. No cinema escreveu fi lmes de sucesso, como “Meu passado me condena”, “Um tio quase perfeito”,“Uma Quase Dupla”, “Minha irmã e eu” e atualmente escreve novo longa ao lado de Jorge Furtado.
Ficha Técnica
Texto e Direção: Leandro Muniz
Elenco: Bia Guedes, Dani Fontan, Márcio Machado, Tulanih e Victor Maia
Assistência de Direção: Adassa Martins
Cenário e Iluminação: Paulo Denizot
Trilha Sonora e Músicas Originais: Fabiano Krieger
Figurinos: Ticiana Passos
Direção de Movimento: Carol Pires
Programação Visual: Bady Cartier
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Fotografi as: Carol Pires
Redes sociais: Aline Braz e Leticia Passarelli
Direção de Produção: Gabriel Garcia
Apoios: Canastra Trattoria, CEFTEM, Donna Natureza e Sala Baden Powell
Serviços
Temporada espetáculo FUTURO
Teatro SESI FIRJAN – CENTRO
De 02 de outubro a 02 de novembro
Quintas e sextas às 19h
Sábados e domingos às 18h
Lotação: 246 lugares
Duração: 80 minutos
Classifi cação: 14 anos
Ingressos: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (maia)
Link de vendas: FUTURO em Rio de Janeiro – Sympla




