
Senhoras e senhores, o circo pegou fogo. E o palhaço — aquele mesmo que um dia sonhou com um fusquinha financiado — agora dirige um SUV chinês com entrada facilitada, 60 vezes no carnê e capinha de banco com estampa de dragão. O Brasil, sempre muito soberano em seus devaneios tropicais, acaba de protagonizar mais um capítulo do clássico:
“Como entregar a economia nacional com um sorriso na cara e sem nota fiscal.”
Chegaram sete mil veículos chineses. De uma tacada só.
Sete mil! Não é ficção científica, é realismo mágico com sabor de miojo de camarão e bateria de lítio. Desembarcaram nos nossos portos como quem despeja contêiner de esperança barata, aplaudidos por consumidores e chorados por empresários que, até ontem, ainda achavam que estavam concorrendo com alguém.
A desculpa? “Alta demanda.”
Essa demanda que surgiu do nada, tipo visita de sogra domingo à noite. Uma demanda que só aparece quando o preço é de banana — banana sem agrotóxico e com cashback.
Enquanto isso, a indústria nacional — aquela que ainda fabrica peças, emprega gente, paga imposto e tenta sobreviver entre a burocracia e o fio da navalha — essa mesma está sendo gentilmente empurrada para o abismo, sem airbag, sem freio e sem plano B.
E você acha que para por aí? As pequenas fábricas de autopeças, os fornecedores locais, os mecânicos, os transportadores, os engenheiros recém-formados… todos esses vão virar estatística em planilha de Excel, enquanto o país importa carro com comando por voz e exporta mão de obra qualificada pra dirigir Uber.
Mas calma que tem plot twist. O mesmo governo que há dois anos taxou o e-commerce chinês, derrubando metade do varejo nacional, agora assiste passivamente ao desfile dos carros importados como se fosse o Carnaval da Desindustrialização.
E o que o povo faz? Vai feliz da vida pro Aliexpress, pro Temu, pro SheinCars, sei lá. Compra de tudo: escorredor de arroz com Wi-Fi, purificador de ar que canta K-pop, e agora, claro… SUV com painel que dá bom dia em mandarim.
O Brasil virou oficialmente o país onde é mais fácil comprar um carro chinês do que entender a conta de luz.
E os chineses? Agradecem com reverência milenar. Fazem dancinha no TikTok patrocinado. Tudo isso sem invadir com tanques, sem guerra, sem míssil. Só QR Code, frete grátis e parcelamento.
E no meio disso tudo, o que sobra pra gente?
Desemprego. Déficit. Dependência.Porque aqui, o futuro chega num contêiner… e leva junto milhares de empregos embalados a vácuo.
Não dá pra chamar isso de “progresso” se ele não gera emprego aqui.
Isso é progresso pra lá. E retrocesso pra nós.
O jeitinho chinês é eficiente, calculado, estratégico. Já o nosso continua sendo o de sempre: importar soluções, exportar empregos e terceirizar o futuro.
Gregório José
Jornalista/Radialista/Filósofo
Pós Graduado em Gestão Escolar
Pós Graduado em Ciências Políticas
Pós Graduado em Mediação e Conciliação
MBA em Gestão Pública




