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Walter Firmo: 89 anos de cores e memórias congeladas

A magia da fotografia nas palavras de Walter Firmo

“De cor, eu sinto. Entendo é de preto e branco.” Assim, Walter Firmo traduz sua relação com a fotografia, onde cada imagem capturada ao longo de 71 anos de carreira reflete emoções profundas e experiências únicas.

Em um encontro no Tijuca, no Rio de Janeiro, o fotógrafo que se prepara para completar 90 anos em junho do próximo ano, compartilhou suas lembranças e reflexões sobre a arte de fotografar. Firmo recebeu a equipe do Diário do Rio com sua conhecida perspicácia e humor, observando as qualidades de seus interlocutores.

 

Início de uma jornada fotográfica

A carreira de Walter começou em 1955 no jornal Última Hora, impulsionada por um presente significativo de seu pai: uma câmera Rolleiflex. O aprendizado na Associação Brasileira de Arte Fotográfica (ABAF) foi crucial para definir sua trajetória.

Ele recorda com nostalgia o primeiro impacto visual que experimentou aos três anos, em uma viagem de família, destacando que até mesmo uma cena noturna pode ser vivida em cores através da emoção.

 

Um mestre da cor e da cultura

Ao longo das décadas seguinte, Firmo trabalhou em renomados veículos de comunicação, como o Jornal do Brasil e a Revista Manchete, onde conquistou o Prêmio Esso em 1964 com a reportagem seminal “Cem Dias na Amazônia de Ninguém”.

Seu trabalho varia do fotojornalismo à fotografia artística, sendo amplamente reconhecido como “mestre da cor”, especialmente após sua passagem por Nova York, onde registrou figuras icônicas da música brasileira, como Pixinguinha e Cartola.

 

Reflexões sobre o futuro da fotografia

Apesar da evolução do fotojornalismo, Walter acredita que o cenário atual limita as oportunidades comparadas ao passado. Ele se adapta às novas tecnologias, utilizando o celular para capturar momentos em suas viagens. Este mês, ele está no Pará, a passeio, para apreciar as festividades do Círio de Nazaré.

Firmo expressa seu desejo de ter registrado momentos históricos, como a queda do Muro de Berlim, e revela seu anseio por retratos de figuras como Louis Armstrong e Charlie Chaplin. Sua relação com a música, que permeia sua vida e arte, continua a influenciá-lo.

 

Reconhecimento e transição para a arte

A exposição “Walter Firmo: No Verbo do Silêncio a Síntese do Grito” no CCBB, que atraiu mais de 1,2 milhão de visitantes, simbolizou a transição de Firmo de um fotojornalista para um artista reconhecido. A vida, segundo ele, não se limita a fatalidades, mas é uma busca incessante por felicidade e cores.

Walter está atualmente escrevendo um livro de memórias, refletindo sobre sua rica experiência que abrange desde figuras proeminentes a anônimos que ele teve o privilégio de fotografar. Ele se descreve como um “fotógrafo de êxtases”, um artista que captura a essência do que está além do visível.

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