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Uso de melatonina aumenta probabilidade de insuficiência cardíaca em 90%, diz estudo

Estudo de 2025 revela que o uso prolongado de melatonina pode dobrar o risco de insuficiência cardíaca. Entenda por que médicos questionam a venda livre do neuro-hormônio

Disponível em formatos que variam de comprimidos a balas de goma, a melatonina consolidou-se como a “solução rápida” para as noites maldormidas. No entanto, o que muitos consumidores tratam como um suplemento alimentar inofensivo é, na verdade, um potente neuro-hormônio. Um estudo alarmante apresentado nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA) em novembro de 2025 coloca em xeque a segurança do uso prolongado dessa substância.

  • Usuários crônicos de melatonina apresentam risco 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca.

  • Probabilidade de hospitalização pela condição é 250% superior em relação a não usuários.

  • Especialistas alertam: melatonina é um hormônio, não um nutriente, e interfere diretamente na fisiologia humana.

  • A dose de segurança estabelecida pela Anvisa é de apenas 0,21 mg, frequentemente ignorada pelos consumidores.

O alerta cardiovascular de 2025

A pesquisa, que analisou mais de 130 mil prontuários nos Estados Unidos, identificou uma forte associação entre o uso da melatonina por mais de um ano e complicações cardíacas severas. Embora os resultados sejam preliminares, a neurologista Giuliana Macedo Mendes, do Hospital Israelita Albert Einstein (Einstein) em Goiânia, enfatiza que os dados são suficientes para elevar o nível de atenção de médicos e pacientes.

“Não podemos afirmar categoricamente a causalidade, mas a correlação é robusta o bastante para desencorajar o uso sem monitoramento próximo”, avalia a médica. Além do risco cardíaco, o estudo apontou que a probabilidade de morte por qualquer causa foi aproximadamente duas vezes mais elevada entre os usuários do suplemento.

Suplemento ou neuro-hormônio?

Desde outubro de 2021, a Anvisa autoriza a venda da melatonina como suplemento alimentar, o que dispensa a necessidade de receita médica. No entanto, a comunidade científica critica essa classificação. A substância, produzida pela glândula pineal, atua como um cronômetro biológico que regula o ritmo circadiano e funções antioxidantes e imunomediadoras.

“A popularização da melatonina é um problema de saúde pública. Ela não complementa uma deficiência nutricional; ela interfere na fisiologia. Hormônios exigem respeito biológico e doses individualizadas.”

José Cipolla-Neto, professor do ICB/USP

Quando o uso é realmente indicado?

Diferente do que sugere o marketing farmacêutico, a melatonina não é uma “bala de prata” para qualquer dificuldade de dormir. Segundo o professor da USPJosé Cipolla-Neto, a indicação clínica é restrita a casos específicos:

  1. Cegueira total: Onde não há percepção de luminosidade para regular o ciclo dia/noite.

  2. Distúrbios de ritmo circadiano: Atraso ou avanço extremo da fase de sono.

  3. Jet lag ou trabalhos em turnos: Situações pontuais de desajuste do relógio biológico.

Efeito           Sintoma
Imediato (Excesso)           Sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação.
Longo Prazo           Potencial risco cardiovascular e desregulação do sistema endócrino.

O “padrão-ouro” contra a insônia

Para quem busca resgatar o sono natural, a medicina recomenda a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) em vez de indução química. A abordagem foca na mudança de hábitos e crenças disfuncionais sobre o repouso.

Paralelamente, a chamada higiene do sono — que inclui evitar telas à noite, manter refeições leves antes de deitar e praticar exercícios físicos regulares — demonstra resultados superiores e mais seguros do que o uso indiscriminado de hormônios. “Não queremos causar um sono químico, mas restaurar a capacidade biológica do corpo de descansar”, conclui Giuliana Macedo.

Fonte: https://istoesaude.com.br/riscos-uso-melatonina-insonia-coracao-estudo-2025

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