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Selos independentes ganham destaque no cenário musical

Pequenas gravadoras acumulam maior número de artistas criativos e disruptores

A indústria da música é um mercado gigantesco, global, e extremamente complexo. Grandes majors se fundiram, ao longo dos anos, compraram selos menores, catálogos, e hoje estão de novo no topo da onda, porque se reinventaram após a Guerra do Napster, com grande contribuição do setor tecnológico. Porém, a música em sua essência, em muito se perdeu por conta da embalagem e do marketing. Por isso os selos musicais independentes e “raiz” são, cada vez mais, uma válvula de escape para o artista criativo e que pretende ousar e sair dos padrões e modelos pré-determinados do showbiz. Para isso, o selo precisa ter uma direção artística focada e experiente.

É o caso do jornalista e produtor Leonardo Rivera, diretor do selo Astronauta Discos, de Niterói (RJ), desde 1999. Considerado um dos mais longevos selos musicais independentes do Brasil, o Astronauta Discos está sempre pesquisando as cenas musicais, em busca de profissionalizar bandas e artistas novos, o selo trabalha com pop, rock, alternativo, eletrônico e projetos especiais. O endereço de envio dos links é astronauta.discos@gmail.com. E o site oficial pode ser conferido em www.astronautadiscos.com.br

“O grande charme dos selos musicais independentes, hoje em dia, é a sua curadoria especializada”, diz Leonardo Rivera anunciando que o selo está aberto a audições de novos artistas, visando parcerias para profissionalização ou desenvolvimento de carreiras musicais. “Normalmente recebemos matérias de música pop, rock e mpb. Para gêneros musicais como funk, rap, trap, axé, samba e forró, indicamos o material para outros selos parceiros”, explica o diretor. Quem tiver interesse em ser ouvido pelo selo, deve estar preparado para fazer investimentos em sua carreira. “Existe um entendimento muito errado, fruto das décadas de 80 e 90, na indústria da música. Os artistas e seus empresários olham para os selos como se fossem investidores, mas não são. Os selos são catalizadores, aceleradores, profissionalizantes de artistas que nada conhecem sobre a indústria. Os selos são consultores e prestadores de serviços, o dono da banda ou do artista sempre será ele mesmo ou seu empresário. Através dos selos musicais independentes, o artista tem a devida liberdade para ousar e experimentar suas capacidades e sua criação artística, antes de estourar nacionalmente pela força do marketing e do capitalismo”, conta Rivera, explicando que os selos são um “hub criativo” até para as grandes gravadoras, que costumam olhar todos os movimentos dos selos.

MULTINACIONAIS DA MÚSICA ACUMULAM PODER

O presidente da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), Felippe Llerena, comentou sobre as recentes operações empresariais do mercado fonográfico mundial, formado pelas majors, em detrimento ao mercado independente.

“A decisão da Comissão Europeia sobre a aquisição da Downtown pela Universal encerra um capítulo regulatório relevante para a indústria global. O debate conduzido por entidades como a IMPALA, WIN, AIM, A2IM, ABMI e muitas mais traz preocupações legítimas sobre concentração e equilíbrio de mercado. Não deixa de ser simbólico que o anúncio da venda tenha sido comunicado em uma sexta-feira 13, exatamente no dia em que o Carnaval se iniciava no Brasil — o maior espetáculo de diversidade musical do planeta. Enquanto o país celebrava a multiplicidade de ritmos, identidades e expressões culturais, o mercado global dava mais um passo em direção à consolidação. Do ponto de vista dos independentes, essa é a reflexão central: quanto maior a concentração, maior o risco de redução da diversidade real. A música independente é o espaço onde nascem cenas, movimentos e inovação. É onde a música existe antes de virar planilha. Vivemos um momento em que o algoritmo ocupa papel dominante na circulação e no consumo. Se a lógica predominante for apenas escala e retenção de audiência, a música passa a responder mais a dados do que à expressão artística”, explicou Llerena, que tem muitos anos de contribuição ao mercado da música no Brasil, sendo empreendedor no selo e distribuidora Nikita Music. “A ABMI seguirá defendendo um ambiente competitivo saudável, com autonomia para artistas e selos, e com espaço para a pluralidade que define o Brasil. A discussão não é apenas sobre uma operação empresarial. É sobre a essência da música e sobre qual indústria queremos construir nas próximas décadas”, encerra ele.

SOBRE O SELO ASTRONAUTA

Criar e lançar um selo fonográfico como o Astronauta Discos já era cogitado desde o final de 1996, mas somente em 1999 o jornalista, escritor e produtor carioca Leonardo Rivera o montou. Foi após se desligar do Departamento Artístico da Universal Music – onde trabalhou com Rita Lee, Cassia Eller, Seu Jorge e outros grandes nomes.

O Astronauta tornou-se uma casa para o artista no início de sua trajetória e um foco de resistência para o talento do futuro. A curadoria é direcionada para quem gosta da nova cena pop e rock, de resgates e sons eletrônicos conceituais – ou, ainda, de uma nova MPB com tendência vanguardista.

“O selo Astronauta está na sua órbita.  É um label com quatro ases: artístico + afetivo + autoral + artesanal. Eu imprimo a minha digital na profissionalização e no desenvolvimento dos artistas e seus produtos – sempre contando com o apoio de parcerias estratégicas, como é o caso da Abramus e da Nikita Music”, explica Rivera, há 30 anos neste business.

“Apresentamos um modelo de negócio bem ajustado às transformações do mercado da música. É um selo indicado para quem deseja conciliar independência criativa e viabilidade financeira através de serviços customizados e funcionais – para quem precisa dirigir, editar, lançar, distribuir e se inserir entre os novos nomes na indústria, mas com a segurança e a tradição de mais de duas décadas de um selo que está atuando nesta renovação”, completa Rivera.

Em outubro de 2026 o selo Astronauta vai comemorar 27 anos de existência apontando para o futuro e celebrando as atividades ininterruptas. Sempre lançou álbuns e artistas que não recebem a devida atenção no departamento artístico das grandes gravadoras; acredita no equilíbrio entre a música e o mercado; e respeita expressões artísticas legítimas.

No catálogo do selo estão os dois primeiros discos dos Autoramas (‘Stress, Depressão & Síndrome do Pânico’ e ‘Vida Real’), a estreia do trio Galaxy, de Beto Lee, singles de Zé Ibarra, Chico Chico, João Mantuano, Cris Braun, Paul Rock & Zé Ramalho – além de álbuns das bandas Saara Saara, Maniva, Zeroballa, Vitrolas, Mr Sombra (com participação de Cássia Eller), Mestre Kuca, Coyote Valvulado, Prosaico e André Barroso & Banda. Ainda lançou O Divã Intergaláctico (com participação de Júpiter Maçã), Darma, Ju Martins, Senhor Kalota, Versus, Lanzé, Los Bife, incluindo singles e EP’s de Pedra Relógio, Marcela de Sá, Satoru, Muddora, Mebutô e Maverick Benedicto. Muitos outros passaram e ainda vão passar pelo selo, que prevê novos lançamentos para 2026.

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