
O Enamed mede o que os estudantes aprenderam ao longo da graduação e se estão preparados para atuar como médicos. Participaram cerca de 89 mil alunos, entre concluintes e estudantes de outros períodos. Segundo o Inep, 75% dos participantes demonstraram domínio, habilidades e competências esperadas. Entre os cerca de 39 mil concluintes, no entanto, apenas 67% atingiram o nível considerado proficiente.
Rio de Janeiro tem dez cursos reprovados
No recorte regional, o Rio de Janeiro aparece com dez cursos de Medicina entre os que obtiveram conceitos 1 ou 2. Todas as instituições são privadas ou municipais. Veja a lista:
- Universidade Estácio de Sá (Unesa) – Angra dos Reis – conceito 1
- Universidade Iguaçu (Unig) – Nova Iguaçu – conceito 2
- Universidade Iguaçu (Unig) – Itaperuna – conceito 2
- Afya Universidade Unigranrio – Rio de Janeiro – conceito 2
- Afya Universidade Unigranrio – Duque de Caxias – conceito 2
- Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) – Teresópolis – conceito 2
- Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) – Volta Redonda – conceito 2
- Faculdade de Medicina de Campos (FMC) – Campos dos Goytacazes – conceito 2
- Afya Centro Universitário de Itaperuna – Itaperuna – conceito 2
- Centro Universitário FAMESC (UniFAMESC) – Bom Jesus do Itabapoana – conceito 2
Punições e supervisão
As instituições com desempenho insuficiente serão submetidas a processos de supervisão e penalidades que variam conforme a nota obtida. Oito cursos, com os piores resultados, estão proibidos de receber novos alunos. Outros 13 terão de reduzir em 50% a oferta de vagas, enquanto 33 sofrerão corte de 25%. Além disso, todos os cursos com conceitos 1 e 2 ficam suspensos de novos contratos do Fies e de outros programas federais. Outros 45 cursos não poderão ampliar o número de vagas.
As sanções valem até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026. As instituições serão notificadas e terão prazo de 30 dias para apresentar recurso administrativo.
“Todas as instituições terão o direito de se defender e apresentar justificativas. O objetivo é corrigir falhas e melhorar a qualidade do ensino. A avaliação faz parte desse processo”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana.
Públicas x privadas: contraste nos resultados
O levantamento do MEC evidencia forte contraste entre instituições públicas e privadas. Dos 107 cursos com conceitos 1 ou 2, 87 são de instituições particulares, enquanto apenas cinco pertencem a universidades federais ou estaduais. Entre os oito cursos oferecidos por faculdades municipais, sete ficaram nas faixas mais baixas.
Já entre os cursos com conceitos satisfatórios e elevados (notas 3 a 5), as universidades públicas são maioria: 114 cursos federais e estaduais alcançaram essas faixas, contra 89 cursos privados. Nas universidades federais, 87,6% dos cursos obtiveram conceitos 4 ou 5; nas estaduais, o índice foi de 84,7%.
As piores avaliações se concentraram sobretudo em instituições públicas municipais (87,5% nos conceitos 1 e 2) e em privadas com fins lucrativos, onde 58,4% dos cursos tiveram desempenho insuficiente. As privadas sem fins lucrativos registraram cerca de um terço dos cursos nas faixas mais baixas.
Risco ao exercício profissional
O Conselho Federal de Medicina (CFM) avalia impedir que cerca de 13 mil estudantes do último semestre que não atingiram nota mínima no Enamed consigam o registro profissional. A entidade articula no Congresso Nacional a criação de um exame próprio de habilitação, mas os projetos seguem travados. Enquanto isso, o conselho estuda editar uma resolução que vincule o registro ao desempenho no Enamed.
“O resultado mostra que a expansão acelerada de cursos, especialmente no setor privado, não foi acompanhada de critérios mínimos de qualidade, infraestrutura e campo de prática”, afirmou o CFM, em nota.
Reação das instituições
Em nota, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os resultados. Já a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) defendeu que os dados do Enamed 2025 sejam tratados como um diagnóstico inicial e pediu a suspensão imediata dos efeitos punitivos.
O MEC reforça que o objetivo central da avaliação é proteger a população atendida pelos futuros profissionais de saúde. “É um instrumento de monitoramento para que as instituições corrijam falhas e garantam ensino de qualidade”, disse Camilo Santana.




