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Redução da maioridade penal: PT propõe 16 anos para crimes hediondos; oposição quer limite de 14 anos para crimes graves

Debate ocorre durante a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado; propostas dividem parlamentares e enfrentam resistência dentro do próprio Partido dos Trabalhadores

A redução da maioridade penal voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional nesta quinta-feira (15). O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), articulou uma proposta para permitir a responsabilização penal de adolescentes a partir dos 16 anos em casos de crimes hediondos. A iniciativa surge em meio à pressão da oposição, que defende uma mudança mais abrangente, com redução para 16 anos na maioria dos crimes e para 14 anos em situações específicas.

As propostas estão relacionadas à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A tentativa de incluir a mudança na matéria, porém, enfrenta divergências entre os parlamentares e pode alterar o andamento da votação.

Proposta do PT restringe mudança a crimes hediondos

A sugestão de Camilo Santana prevê reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal exclusivamente nos casos de crimes hediondos, categoria que inclui delitos como estupro, latrocínio e homicídio qualificado.

A iniciativa representa uma mudança em relação à posição tradicional do PT, historicamente contrário à redução da maioridade penal. A proposta também provocou resistência dentro da própria bancada, com parlamentares preocupados com possíveis alterações no texto da PEC e com o atraso na tramitação.

Parte dos governistas defende que a proposta de segurança pública seja aprovada sem mudanças de mérito, evitando que o texto precise retornar à Câmara dos Deputados.

Oposição quer redução para 14 anos em casos específicos

A oposição, por meio de uma emenda apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), defende a redução da maioridade penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em determinados crimes.

A lista inclui crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas, entre outras condutas previstas na proposta.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também assina a emenda, defendeu publicamente a mudança. Os parlamentares favoráveis argumentam que a medida permitiria uma resposta mais rigorosa a infrações graves e dificultaria o recrutamento de adolescentes por organizações criminosas.

PEC da Segurança pode sofrer mudanças

A PEC da Segurança Pública foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e segue para análise do plenário. A redução da maioridade penal não integra o texto aprovado pela comissão e depende da aprovação de uma emenda para ser incluída na proposta.

A discussão ocorre em meio à preocupação de governistas com o calendário legislativo. Alterações de mérito feitas pelo Senado podem obrigar a matéria a voltar à Câmara, prolongando sua tramitação.

Até o momento, a articulação para incluir a proposta restrita do PT enfrenta dificuldades para reunir apoio suficiente dentro da própria bancada. A votação e o resultado das negociações devem definir se alguma das mudanças será incorporada ao texto.

O que diz a legislação atual

Atualmente, a Constituição Federal estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e estão sujeitos às medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que incluem medidas socioeducativas para adolescentes que cometem atos infracionais.

Uma eventual redução da maioridade penal exige mudança constitucional, aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado, com pelo menos três quintos dos votos dos parlamentares em cada votação.

As propostas em discussão ainda não alteram a legislação em vigor. A idade de responsabilização penal permanece em 18 anos até que uma eventual mudança seja aprovada e promulgada.

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