Uma grande manifestação contra as políticas de austeridade do presidente argentino Javier Milei terminou em confrontos com a polícia nesta quinta-feira (15), em Buenos Aires. O ato reuniu estudantes, professores e integrantes da sociedade civil que exigiam o cumprimento da lei aprovada pelo Congresso para recompor o financiamento das universidades públicas.
Os confrontos ocorreram nas proximidades do Congresso Nacional, antes do encerramento previsto da mobilização. Um grupo de manifestantes entrou em confronto com as forças de segurança, e houve registro de feridos. Os incidentes anteciparam o fim do protesto.
A mobilização foi motivada principalmente pelos cortes orçamentários no ensino superior e pela falta de atualização dos salários de professores e dos recursos destinados às instituições públicas.
Universidades cobram cumprimento da lei
A legislação aprovada pelo Congresso argentino prevê medidas para recompor o financiamento universitário, incluindo a atualização dos salários dos professores e das bolsas estudantis. O governo Milei, porém, não implementou integralmente as medidas, apesar de decisões judiciais que determinaram o cumprimento da norma.
A Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das principais instituições de ensino superior do país, participou da mobilização e criticou o descumprimento da lei.
Em publicação nas redes sociais, a universidade defendeu que as normas aprovadas pelo Legislativo sejam respeitadas. Representantes da instituição estimaram que os professores perderam cerca de 30% do poder de compra dos salários durante a atual gestão.
“Não vamos normalizar o descumprimento da lei. As leis devem ser cumpridas. Sempre”, afirmou a UBA ao convocar a manifestação.
Protestos refletem críticas ao ajuste fiscal
Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Milei implementa uma política econômica de austeridade, com redução de gastos públicos e medidas voltadas ao controle da inflação.
As mudanças atingiram áreas como educação e saúde e provocaram mobilizações de estudantes, sindicatos e trabalhadores do setor público.
Os manifestantes defenderam o financiamento adequado das universidades, a valorização dos profissionais da educação e a manutenção do ensino público, gratuito e de qualidade.
Durante o ato em Buenos Aires, faixas e bandeiras em defesa da educação pública ocuparam as ruas próximas ao Congresso, provocando a paralisação do trânsito na região central da capital.
Mobilização ocorreu em outras cidades
Além de Buenos Aires, manifestações também foram realizadas em cidades como Rosário e Córdoba. Os atos reuniram integrantes da comunidade acadêmica e apoiadores da educação pública.
Para os participantes, a recomposição do orçamento universitário é necessária para garantir o funcionamento das instituições, preservar as condições de trabalho dos professores e manter o acesso dos estudantes ao ensino superior.
O protesto amplia a pressão sobre o governo argentino em meio às disputas envolvendo o orçamento público e a aplicação das leis aprovadas pelo Congresso.
A crise no financiamento universitário continua sendo um dos principais focos de contestação às medidas econômicas adotadas por Milei.





